DIA DO SAMBA REÚNE GRANDES NOMES EM SALVADOR
   
  Debates e shows marcam a 36a edição do evento que acontece entre 27 de 
dezembro e 2 de dezembro, no Palácio Rio Branco e na Praça Municipal
   

           Instituído em 1963 e comemorado em praça pública desde 1972, o Dia 
do Samba será marcado este ano, em Salvador, por pompa e circunstância, direito 
à polêmica e, é claro, muito samba no pé. Além de reunir para os shows grandes 
nomes da música popular, como Gilberto Gil, D. Ivone Lara, Luiz Melodia, Nei 
Lopes e Neguinho da Beija-Flor, os organizadores pretendem gerar um debate 
nacional acerca das origens deste ritmo musical: Afinal, o samba nasceu ou não 
na Bahia?
           A proposta é, segundo revela o canto e compositor Edil Pacheco, um 
dos criadores do evento, promover uma grande discussão e reflexão entre 
sambistas e estudiosos do ritmo sobre as origens, a importância e as 
perspectivas do samba na Bahia e no Brasil, além de estimular o interesse do 
público jovem pelo gênero. "A idéia de que o samba não nasceu na Bahia vem 
sendo amplamente disseminada nos últimos anos no eixo Rio-São Paulo. Portanto, 
precisamos reafirmar a participação do nosso estado nesse contexto, sobretudo 
pela importância que este ritmo representa para a nossa cultura", acrescenta o 
diretor teatral e produtor cultural, Paulo Dourado, que também participa da 
organização do evento.
           De fato, a história do samba está diretamente relacionada à história 
da formação cultural do povo baiano. As pesquisas sobre o tema indicam que, 
possivelmente, o termo samba seja uma corruptela de semba, palavra de origem 
africana, da região de Angola e do Congo, que significa umbigada, batuque ou 
ainda dança da umbigada. O ritmo festivo foi trazido para o Brasil pelos 
escravos oriundos desta região e aqui se tornou uma forma de expressão do 
sofrimento vivido por eles no cativeiro e nas senzalas. 
  Durante o período colonial, o samba foi enriquecido com palmas e como 
instrumentos, como a viola, o violão, o triângulo, a cuíca e o pandeiro. O 
ritmo se desenvolveu principalmente no Recôncavo Baiano, mais precisamente nos 
engenhos de cana-de-açúcar, para onde foi levada à maioria dos escravos 
originários de Angola. Ali, ganhou a forma conhecida hoje como samba de roda. A 
partir de 1860, em conseqüência da abolição da escravatura e do fim da Guerra 
de Canudos, houve um grande fluxo migratório de negros e mestiços de várias 
partes do país, sobretudo da Bahia, para o Rio de Janeiro, então capital do 
Brasil, em busca de trabalho e de melhores condições de vida. A maioria se 
instalou em locais periféricos, mais especificamente nas imediações do Morro da 
Conceição, Pedra do Sal, Praça Mauá, Praça XI, Cidade Nova, Saúde e na Zona 
Portuária. Muitas baianas, descendentes de escravos, alojaram-se nestes 
bairros. Abriram pequenos bares e restaurantes, que funcionavam em suas
 próprias casas, e ficaram conhecidas como as Tias Baianas ou Tias do Samba. 
  Nas casas dessas Tias, os baianos se reuniam para comer, beber e cantar. A 
mais conhecida delas foi Tia Ciata, uma das responsáveis pela sedimentação do 
samba-carioca. Em sua casa, várias composições foram criadas e cantadas de 
improviso, como o samba Pelo telefone, gravada pelo baiano Ernesto Joaquim 
Maria dos Santos, o Donga, atribuída por alguns historiadores, equivocadamente, 
como o primeiro samba gravado. Na verdade, a primeira música deste ritmo a ser 
gravada foi Isso é bom, de Xisto Bahia. O erro tem origem no fato da música de 
Donga conter um subtítulo samba no rótulo do disco, o que não ocorreu com a de 
Xisto Bahia. 
  Como a própria história do samba, o Dia do Samba também é cercado de 
curiosidades. A data foi instituída em 2 de dezembro de 1963, pelo então 
vereador Luís Monteiro da Costa, em homenagem à primeira visita de Ary Barroso 
a Salvador. Já mundialmente famoso pela sua composição Na Baixa dos Sapateiros, 
Ary Barroso compôs a música sem jamais ter colocado os pés na Bahia. O fato 
inusitado chamou a atenção do vereador que considerou importante marcar aquela 
data. Cerca de uma década depois, em 1972, foi promovido em grande evento, no 
Campo Grande, para comemorar a data que acabou sendo esquecida durante aquele 
período. Denominado Noite do Samba e do Dendê, contou com a participação de 
Gilberto Gil, Ederaldo Gentil, Batatinha, Riachão, Panela, Tião Motorista, Edil 
Pacheco e muitos outros.
  Desde então o evento marcou o cenário nacional e tem sido comemorado sem 
interrupção, no Centro Histórico de Salvador, em reconhecimento à importância 
do gênero na matriz rítmica da música brasileira e à sua presença sempre 
renovada na cultura baiana. Nos últimos anos, o Dia do Samba tem-se expandido, 
através de eventos similares no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerias, Recife 
e em outras capitais.
   
  Programação
           
           A programação da 36a edição do Dia do Samba começa na terça-feira 
(27/11), às 17hs, no Salão dos Espelhos do Palácio Rio Branco, com o Ciclo de 
Debates Samba - Tradição e Modernidade. Logo no primeiro dia, será acrescido 
mais um ingrediente polêmico ao já fervilhante caldeirão de discussões acerca 
das origens desse ritmo musical: A origem indígena do samba. Para discutir a 
questão, a organização do evento convidou o jornalista gaúcho Fábio Gomes, 
pesquisador do ritmo musical e autor de um estudo específico sobre as raízes 
indígenas do samba; o sambista carioca Luiz Carlos da Vila e o antropólogo 
Milton Moura.
           Na quarta-feira (28/11), na mesma hora e local, o debate vai girar 
em torno do Samba da Bahia, que será abordado pelo pesquisador e radialista 
Perfilino Neto; pelo músico Walmir Lima e pelo professor emérito da 
Universidade Federal da Bahia, com licenciatura em Geografia e História,        
                                                                                
                          também bacharel em Direito e membro da academia de 
Letras da Bahia, Walmir Oliveira.
  No dia seguinte, quinta-feira (29/11), o tema em pauta será O samba no 
Candomblé da Bahia. Para o debate, foram convidados o antropólogo Ordep Serra, 
o historiador Jaime Sodré, o músico Esmeraldo Emetério, o Chuchuca 
Muxikiangóma, que desde menino se dedica ao toque dos ngomas (atabaques) e aos 
cânticos sagrados do candomblé, e a percussionista Mônica Millet, neta da mais 
famosa Yalorixá da Bahia, Mãe Menininha do Gantois. Encerrando o Ciclo de 
Debates, na sexta-feira (30/11), participará o pedagogo Luis Américo Lisboa 
Júnior, professor de Filosofia da Educação, História da Educação no Brasil, 
especialista em História e pesquisador da História da Música Popular 
Brasileira, também estará presente o compositor José Carlos Capinam e o músico 
e produtor cultural Alaor Macedo debatem sobre o tema Perspectivas do samba.
           No sábado (1/12), a partir das 17h, na Praça Municipal, tem início a 
programação musical com aula-show de Clarindo Silva, Gerônimo, Wilson das 
Neves, Bule Bule, Roberto Mendes  e Gege de Nagô. No domingo (2/12), às 16h, o 
ponto alto da comemoração com o grande show de Gilberto Gil, D. Ivone Lara, 
Neguinho da Beija-Flor, Mariene de Castro, Luiz Melodia, Nei Lopes, Wilson das 
Neves, Tettê Bahia, Verônica Dumar, Walter Queiroz, Neto Balla, Vevé Calazans, 
BarlaVento, Viola de Doze, Gal do Beco, Firmino de Itapuã, Filhos de Batatinha, 
Claudete Macedo, Edil Pacheco, Miriam Tereza, Tuninha Luna, Nelson Rufino, 
Vânia Bárbara, Guiga de Ogum, Roque Bemtequê, Roque Ferreira, Melodia Costa, 
Aquarela do Samba, Gerônimo, Paulinho Boca de Cantor, Roberto Mendes, Muniz do 
Garcia, Clécia Queiroz
  Jace, Bule-Bule e Aloísio Meneses.
   

   
  Abs
   
  Marcelo Neder

       
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