Fonte: http://www2.correioweb.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_41.htm


A Mocidade chegou


Criada para preservar a tradição do samba de terreiro dos compositores da 
escola de Padre Miguel, a Velha Guarda Show apresenta-se no Teatro da Caixa 
cultural


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Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio 

 
Os sambistas da Velha Guarda Show vão interpretar os sambas-enredos com que a 
Mocidade Independente de Padre Miguel foi campeã do carnaval carioca
 
 
  
Neuso Sebastião de Amorim Tavares, o Tiãozinho da Mocidade, é um carioca 
autêntico. Nascido na confluência das ruas Barão do Triunfo e Belizário de 
Souza, na Vila Vintém, berço da Mocidade Independente de Padre Miguel, ele não 
faz por menos: “Sou da Barão com a Belizário, onde não é lugar de otário”. Num 
primeiro momento, Tiãozinho da Mocidade poderia ser tomado como um cara 
marrenta. A impressão, porém, se desfaz quando esse quase sexagenário bonachão 
começa a desfiar a história e revelar o amor pela escola de samba da Zona Oeste 
do Rio de Janeiro. 

Cantor, compositor e diretor artístico da Velha Guarda da Verde e Branco, 
Tiãozinho é autor de três sambas-enredos que levaram a agremiação a conquistar 
o campeonato no desfile das escolas de samba do grupo principal no Rio: 
Ziriguidum 2001 (de Tiãozinho, Gibi e Arsênio), em 1985; Vira virou, a Mocidade 
chegou (de Tiãozinho, Toco e Jorginho), em 1990; e Chuê chuá, as águas vão 
rolar (de Tiãozinho, Toco e Jorginho), em 1991. 

Tiãozinho, juntamente com Wandyr Trindade, Quirino da Cuíca, Djalma Nicolau, 
Orlando Santos, Bibiano Santos, Plínio Moreira, Maria José Vieira, Regina Célia 
Ferreira e Nice Maria Araújo, é integrante da Velha Guarda Show, que se 
apresenta hoje e amanhã (às 20h) no Teatro da Caixa. O grupo é formado por 
músicos diversos, entre violonistas, cavaquinistas e ritmistas, sob direção 
musical do bandolinista Felipe Silva Pinto. 

“Vamos mostrar repertório composto por sambas de terreiro, sambas de quadra e, 
claro, sambas-enredos que marcaram a trajetória da Mocidade Independente. Além 
daqueles que nos levaram à conquista de campeonatos, há outros que ficaram na 
memória de todos os que têm paixão pelo carnaval, mesmo sem termos vencido os 
desfiles.” O compositor refere-se a Festa do Divino (1974), Mãe Menininha 
(1976) e Sonhar não custa nada (1992). 

No decorrer da apresentação, Tiãozinho, que atua também como 
mestre-de-cerimônia, vai se ater a fatos importantes da trajetória da Mocidade, 
além de dar rápida passada pela história das “escolas de samba co-irmãs”, como 
faz questão de ressaltar. “Em 1979, quando conquistamos nosso primeiro 
campeonato no grupo principal, com o samba-enredo sobre o descobrimento do 
Brasil, criação (homônima) de Toco e Djalma Cril, estivemos em Brasília e 
fizemos um desfile na W3. Eu estava presente”, lembra. 

Criada em 2002 com o intuito de preservar a tradição de sambas de terreiro de 
compositores da escola, a Velha Guarda Show da Mocidade tem se apresentado no 
Rio de Janeiro, São Paulo e em outras cidades brasileiras. “Em 2005, nos 
apresentamos em Paris, pela programação do Ano do Brasil na França, e 
recentemente gravamos nosso primeiro disco”, conta. 

De acordo com Tiãozinho, a Velha Guarda da Mocidade Independente existe desde 
1962. “A iniciativa foi do saudoso Tio Dengo, um dos fundadores da escola que 
ficou à frente da Velha Guarda até 1983. Atualmente, quem está no comando é 
Wandyr Trindade, mais conhecido por Macumba, filho de Sílvio Trindade, o 
primeiro presidente da Mocidade. O Macumba, um dos cantores do Velha Guarda 
Show, foi jogador de futebol no Bangu e no Vasco da Gama”, revela. 

“A Mocidade, aliás, teve origem num time da Vila Vintém, o Independente Futebol 
Clube, que teve como técnico o Mestre André, criador da famosa paradinha da 
bateria e da introdução do surdo de terceira. Antes de se tornar uma escola de 
samba, em 1º de novembro de 1955, a Mocidade Independente de Padre Miguel era 
um bloco carnavalesco. Três anos depois, com o enredo Apoteose ao samba, subiu 
para o grupo especial, onde conquistou cinco campeonatos e permanece até os 
dias atuais”, recorda-se. “Neste ano, vamos para a Marquês de Sapucaí com o 
enredo Uma utopia, um sonho – O quinto império universal e a chegada de Dom 
João VI ao Brasil, de Marquinho Marino e Higor Leal”, acrescenta. 


VELHA GUARDA SHOW 

Apresentação do grupo formado por músicos da Velha Guarda da Escola de Samba 
Mocidade Independente de Padre Miguel. Hoje e amanhã, às 20h, no Teatro da 
Caixa Cultural (SBS, Q. 4, Lt. 3/ 4). Ingressos esgotados. 


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 A Mocidade teve origem num time de futebol da Vila Vintém, do qual foi técnico 
o Mestre André, criador da famosa paradinha da bateria e da introdução do surdo 
de terceira  


 
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Ritmo de raiz

Em abril de 2006, a Velha Guarda da Mocidade Independente de Padre Miguel 
lançou o álbum Samba de terreiro. Segundo Pituca Nirobe, diretora cultural da 
escola e produtora do grupo, esse trabalho tem proposta simbólica. “A idéia é 
resgatar a história do samba de raiz, feito na quadra por compositores ligados 
à Mocidade. Foi uma produção independente, mas que resultou em algo que nos 
trouxe muita satisfação. Tanto que partimos para um segundo disco, agora com 
patrocínio.” 

Com direção musical e arranjos de Affonso Mendes, o álbum traz 10 faixas, três 
das quais reúnem dois sambas. Responsável pela produção executiva do disco, 
gravado no estúdio Plug Cinza, Tiãozinho da Mocidade assina a autoria de Foi 
você e Será. Cartão de identidade (de Jorginho Carioca e Djalma Cril) abre o 
repertório do álbum. 

As outras faixas são Anjo da guarda (de Gilson Loyola), Respeito à Velha Guarda 
(de Tião do Ouro e Santinho), Mãe natureza (de Santana e Ricardo Simpatia), 
Frente de rua (de Diel, Maurício e Mourão), Ausência (de Tião da Roça e Irene 
Albuquerque), Em busca do meu ideal (de Tatu e Jaci Campo Grande), Noite de 
gala (de Gibi, Chico Cabeleira e Djalma Santos), Nosso pavilhão (de Hélio 
Porto), Flor esmaecida (de Toco), Estou lhe devendo um sorriso (de Serafim 
Adriano), Vou com a Mocidade (de Milton do Carango), Não sou de perdoar (de 
Quirino da Cuíca) e Samuel (de Ary de Lima). 
 



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