Sensacional a Obra....

Dalhe Cristina, Alfredo, Pedro Miranda, Pedro Amorim e Paulino..... ahhh... claro.... Paulo Cesar Pinheiro, muitos sambas do CD estavam incompletos e o Paulo Cesar Pinheiro os completou..... e ainda da umas 2 ou 3 "palhinhas" no CD....

Vale cada centavo......

Abraços


----- Original Message ----- From: "Sonia Palhares Marinho" <[EMAIL PROTECTED]>
To: <[email protected]>
Sent: Wednesday, March 05, 2008 2:02 AM
Subject: [S-C] Re: O baú do Bolacha (correioweb)



Pelo menos o preço é bastante decente para um cd duplo.


Sonia Palhares (BsB-DF)



Fonte: http://buscacb2.correioweb.com.br/correio/2008/03/03/CS0 ...


CADERNO C

CORREIOBRAZILIENSE


Brasília, segunda-feira, 3 de março de 2008


MPB

O COMPOSITOR MAURO DUARTE, MORTO HÁ QUASE 20 ANOS, GANHA TRIBUTO EM CD DUPLO GRAVADO POR CRISTINA BUARQUE E O GRUPO SAMBA DE FATO

O BAÚ DO BOLACHA


TERESA ALBUQUERQUE

DA EQUIPE DO CORREIO


“Não sei se vou me acostumar/ Mas, se você quer, podeir/ Chorar eu sei que vou/ Mas de implorar você sabe que eu não sou.” Batucando na mesa, cantarolando baixinho, Mauro Duarte gravava em fita cassete o mote de mais um samba, para ser terminado depois. Tinha essa mania de registrar as novas idéias, no gravador ou no papel. Fazia isso tarde da noite, ao chegar em casa. Depois, esquecia. Por sorte, os filhos guardavam alguns esboços, como esse aí de cima, que virou vinheta em O samba informal de Mauro Duarte, CD duplo que Cristina Buarque e o grupo Samba de Fato lançam pela Deckdisc, quase 20 anos após a morte do compositor.

Mauro Duarte de Oliveira (1930-1989), o Bolacha, virou nome de praça em Botafogo, no Rio, mas ainda é muito menos conhecido do que merecia. Autor de sambas como Canto das três raças e de Portela na avenida, famosos na voz de Clara Nunes, ganhou homenagem do amigo Walter Alfaiate em 2005 (o CD Tributo a Mauro Duarte), mas nunca havia sido festejado como agora, nesse álbum duplo produzido por Alfredo Del-Penho.

Entre as 30 faixas, há inéditas (19), raridades, pedaços de música terminados por Paulo César Pinheiro, o parceiro mais constante, e outras deixadas como estavam, nas gravações originais, só com a primeira parte. A maioria é de sambas tristes, daqueles que Cristina gosta tanto de cantar. O Samba de Fato, que se reveza com ela nos vocais, é formado por Del-Penho (violão), Pedro Amorim (bandolim e cavaquinho), Pedro Miranda e Paulino Dias (percussão). São deles todos os arranjos e instrumentação do disco.

Nascido em Matias Barbosa (MG), Mauro Duarte se mudou com a família para o Rio em 1940. Tinha 10 anos e foi parar em Botafogo, bairro onde brincou quase 40 carnavais, em blocoscomo Foliões de Botafogo e Paraíso das Cabrochas, e na escola de samba São Clemente. Lá, em 1947, Bolacha (o apelido veio do rosto arredondado) conheceu o compadre Walter Alfaiate, botafoguense também no futebol, parceiro em músicas como Cuidado, teu orgulho te mata, Sorri de mim e Arroz e feijão. Foi Alfaiate quem lembrou as melodias de Jeito de cachimbo e Eu não quero saber, anotadas no caderno de Mauro e agora devidamente registradas – a primeira cantada por Paulino e a segunda por Del-Penho.

Quando morreu, em 1989, aos 59 anos, Mauro Duarte deixou cerca de 70 músicas gravadas e mais de 30 inéditas. Algumas em fitas, como as vinhetas que entraram no CD – Desde que me abandonou; Malandro não tem medo; Não sou de implorar – com uns poucos versos cantarolados pelo próprio compositor. Outras ficaram só na memória de amigos, como Alfaiate, Paulo César Pinheiro e Elton Medeiros, ou dos filhos, que trataram de passá-las adiante nas rodas do Bip Bip, o simpático botequim de Copacabana, freqüentado por Cristina e a turma do Samba de Fato.

Dez sambas que estavam incompletos no acervo da família foram terminados por Paulo César Pinheiro em 2006: Sublime primavera; Acerto de contas; Mineiro pau (provavelmente a última composição de Mauro, uma homenagem ao pai); Falou demais (parceria com João Nogueira); Samba de botequim; Compaixão; Engano; O samba que eu lhe fiz; Começo errado e Lamento negro.

No encarte, Pinheiro lembra a falta que o amigo faz: “Foi um dos meus parceiros mais inspirados e férteis, e um dos mais queridos. Não há semana em que eu não pense nele. Não há mesa de bar em que não o recorde. Às vezes, de falar dele, engasgo, embargo e choro. Quando bebo, então, e alguém
o lembra, meu olho mareja e a palavra arranha”.

Entre os sambas cantados por Cristina Buarque – que lançou um LP independente com Mauro Duarte, em 1985 – estão dois que já tinham sido gravados por Ataulfo Alves Jr.: À procura da felicidade e Tempo de amigo. Mais consideração, registrada por Mart’nália em 1987, ganha agora a voz de Pedro Miranda, assim como Sofro tanto, lançada por Cláudia Savaget em 1979. Paulino Dias defende Morro, única parceria de Mauro com Dona Ivone Lara, gravada há quase 20 anos por Elza Soares. Pedro Amorim, por sua vez, canta Não sei, dobradinha com Noca da Portela, originalmente gravada por Sônia Santos em 1975.

Não, nenhuma das músicas famosas de Mauro Duarte entrou no CD. Nem Lama, nem Portela na avenida, nem Canto das três raças. A proposta, segundo Del-Penho, era registrar apenas o repertório menos conhecido de Mauro Duarte, o mestre dos sambas em tom menor. O popular Bolacha, enfim, ganha homenagem à altura.


O BAÚ DO BOLACHA

O SAMBA INFORMAL DE MAURO DUARTE

CD duplo gravado por Cristina Buarque e o grupo Samba de Fato, produzido por Alfredo Del-Penho.
Lançamento Deckdisc, 30 faixas, R$ 29,90 (www.deckdisc.com).

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