Não suporto a idéia vanguardista que vende a idéia da anestesia do povo, o povo não está e nunca esteve anestesiado. Acredito na capacidade de resignação do povo brasileiro, quem está lá, não está porque está satisfeito e nem encara sua realidade como algo banal e comum, basta um olhar para as favelas do Rio (só um exemplo) e uma conversa no boteco da esquina pra perceber que não há anestesia... ali a dor do dia-a-dia é real. Não há canais de manifestação e ainda não se descobriu o poder real de segurar uma escopeta. A disputa por enquanto, é só pelo poder econômico, mas quem não está atrás dele? Quem não quer satisfazer suas necessidades cotidianas? Mas de bobeira o povo não está mesmo e quem vende essa idéia é uma burguesia engessada que nem ao menos se dá ao trabalho de ouvir o povo. Acredito nesse povo e na sua capacidade reformulação sempre. Ninguém é totalmente receptáculo, há mergens de escolha e de resignação. Só não vê quem não quer. Por isso e por recusar a idéia de anestesia é que acredito no funk como um tipo de manifestação popular, como algo que está na mídia e no mercado sim, mas que nasce do povo, da favela que fala de uma realidade cotidiana muito específica. É som de preto, de favelado, mas quando toca ninguém fica parado. Ainda há muito que se fazer, mas estou convencida que basta prestarmos mais atenção no povo pra perceber que ali pode existir tudo menos alienação e anestesia!
Abraços Carol. Em 07/03/08, Caio Pontual <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: > > Que um gênero surja de outros não resta dúvida, e que alguns gêneros se > aperfeiçoaram com o tempo, também, o que está em questão aí é o resultado de > um cópia feita a partir algo ruim, e que resultou em algo ainda pior, essa > é minha análise. Pode ser que essa coisa de Funk Carioca resulte em algo > aproveitável no futuro, pode ser, mas eu não vou pagar pra ver...... existem > coisas muito melhores nesse brasilzão, que a maioria dos brasileiros nem > conhecem e que infelizmente a mídia não dá a menor bola pra isso, pois > CULTURA POPULAR é coisa chata pra quem só entende de intrigas de BBBs da > vidasinha cotidiana, ou seja povão anesteziado..... > > Caio Pontual > ----- Original Message ----- > From: henriqsilva > To: caioapf > Cc: tribuna > Sent: Thursday, March 06, 2008 6:50 PM > Subject: Re:[S-C] FUNK ????? /Era: Grupo Malandragem (da Argentina) > > > A flor de lótus, linda!, nasce no lôdo. O antídoto que cura picada > venenosa é tirado do próprio veneno. Zilhões de obras de artes são feitas de > lixo reciclado. E porque não poderá, um dia, nascer do funk carioca, que > hoje até já tem batida de jongo, alguma coisa interessante?!... Torno á > dizer o choro, o samba ( que nós gostamos e praticamos) e qualquer outro > gênero, não nasceram prontos, todos passaram por um longo processo de > lapidação. Daí que qualquer artista genial, que sempre existe e sempre > existirá, mesmo no meio dos engolidores de lixo, engolirá o tal lixo e > vomitará pérolas. Quanto a isso, meu caro Caio, não tenha dúvida,acontecera. > A história da humanidade, como um todo, está povoada desses exemplos. E a > história do Brasil, particularmente falando, também. E só se ter olhos e > ouvidos de ver e ouvir a vida historicamente. > > Henrique Silva > > ----- Original Message ----- > > From: "Caio Pontual" > > To: "henriqsilva" > > Sent: Thursday, March 06, 2008 3:23 PM > > Subject: Re: Re:[S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina) > > > > > > > Se o Funk Carioca é algo antropofágico, eu pergunto, quem engole e > digere > > > lixo, vai produzir o que ? > > > Caio Pontual. > > > > > > ----- Original Message ----- > > > From: "henriqsilva" > > > To: "soniapalhares" > > > Cc: "carolina.ga" ; "tribuna" > > > > > > Sent: Wednesday, March 05, 2008 1:42 AM > > > Subject: Re:[S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina) > > > > > > > > > Eu creio que nós, brasileiros temos, em arte e cultura, uma grande > > > capacidade antropofágica sim. Principalmente em música. O caso do funk > > > carioca é bem representativo desta afirmação deglutidora, ele, > realmente, > > > já é outra coisa diferente daquela coisa "Miami bass" que começou a > ser > > > massificada alí já na metade dos anos 1980. Se vocês prestarem bem > > > atenção veram que a batida do funk carioca hoje é jongo, áquele jongo > de > > > levada mais rápida, cujo nome não me lembro agora. O problema do funk > são > > > as letras e os temas recorrentes. > > > > > > Henrique Silva > > >> Carol: > > > > > >> > > >> > > >> O Maestro Júlio Medaglia disse em entrevista na Caros Amigos, nº 67: > > >> "(...) Agora, do ponto de vista artístico, social, cultural acho > trágico > > >> o negro brasileiro abandonar suas raízes africanas para se tornar > colono > > >> da música negra da periferia de Los Angeles." E ele continua a > atacar: > > >> "(...) o problema nesta história é precisar o negro brasileiro ser > colono > > >> do negro americano para poder dar sua mensagem. E é uma coisa muito > > >> limitada, musicalmente paupérrima." > > >> > > >> É isso o que eu acho também! Eles nos empurram o lixo cultural deles > e > > >> nós consumimos aqui e ainda rimos. > > >> > > >> > > >> Sonia Palhares (BsB-DF) > > >> > > >> > > >> ---------------------------------------- > > >> > Date: Tue, 4 Mar 2008 23:51:49 -0300 > > >> > From: [EMAIL PROTECTED] > > >> > To: [EMAIL PROTECTED] > > >> > Subject: Re: [S-C] Re: Grupo Malandragem (da Argentina) > > >> > CC: [email protected] > > >> > > > >> > Poxa, sabendo que todos temos diferentes opiniões e que essa é a > grande > > >> > graça da vida, vou ter que discordar de você, Sônia, sobre o funk. > Não > > >> > falo > > >> > do seu direito de gostar ou não. Nisso te respeito até o fim... mas > > >> > quando > > >> > vc fala que eles (que acredito que sejam os funkeiros) tenham que > > >> > acordar, > > >> > aí é que eu discordo. Mas então vamos lá, qual é a crítica? Funk > como > > >> > música > > >> > de alienado??? O que é música de colonizado, não seriam todas que a > > >> > gente > > >> > faz??? A gente nasceu colonizado, tudo o que aqui se fez depois que > > >> > Portugal > > >> > desembarcou está no mesmo barco... Funk é música de colonizado, mas > > >> > então o > > >> > que dizer do choro, que veio de influências das músicas da nobreza > dos > > >> > bailes de salão do Império. Acho, e aí está a minha crítica que, > aqui > > >> > tudo > > >> > surge inventado e a nossa grande originalidade é a nossa capacidade > de > > >> > olhar > > >> > o que existe e fazer diferente. Foi assim que o choro se > diferenciou da > > >> > polca e é assim que o funk carioca se diferenciou do funk > americano. > > >> > Afinal > > >> > de contas o funk que se faz no Rio não tem similares em parte > alguma do > > >> > mundo. Ele fala de uma realidade: do sexo, da violência, seja do > que > > >> > for, de > > >> > um jeito muito particular, que só ele faz, porque a música é > cultural, > > >> > ou > > >> > seja, é uma forma de dizer, um jeito de estar no mundo. Quando os > > >> > argentinos > > >> > tocam samba e cantam "derrêêête", eles já estão emprestando ao > samba > > >> > novos > > >> > significados. Gostar ou não são outros 500! Mas a crítica de música > de > > >> > colonizado eu não concordo. Afinal de contas esse papo de > > >> > "genuinamente" é > > >> > papo furado! Já diziam os mestres: as tradições foram inventadas. > Essas > > >> > escolhas que decidem o que é música de alienado ou não engendram > > >> > consigo > > >> > disputas de poder complexas que não podem ser desconsideradas. > > >> > Provavelmente > > >> > muitos lá fora acreditam que o samba é música de alienado. > > >> > Desconsiderar o > > >> > poder de atuação do outro o chamando de alienado é fácil, mas > quantas > > >> > vezes > > >> > se busca compreender o que ele faz, dito por eles mesmos. Farinha > pouca > > >> > meu > > >> > pirão primeiro! Devemos ter muito cuidado ao falar dos outros, > porque > > >> > uma > > >> > hora os outros somos nós! > > >> > > > >> > Gente não é briga tá. Só um ponto de vista. > > >> > > > >> > Ao debate!!! > > >> > > > >> > -- > > >> > Carol. > > >> > _______________________________________________ > > >> > Para CANCELAR sua assinatura: > > >> > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela > > >> > Para ASSINAR esta lista: > > >> > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina > > >> > Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: > > >> > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta > > >> > > >> _________________________________________________________________ > > >> Receba GRÁTIS as mensagens do Messenger no seu celular quando você > > >> estiver offline. 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