Fonte: http://www.correiobraziliense.com.br/impresso/
Brasília, quinta-feira, 26 de junho de 2008
Novos burburinhos
Nascidos em 2008, os projetos Funfarra e Barracão do Samba tornaram-se as
sensações das noites de quintas e sextas em Brasília
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Irlam Rocha Lima
Da equipe do Correio
Dois novos endereços entraram da noite para o dia na vida dos cidadãos
festeiros desta cidade. Divulgados no boca-a-boca e espalhados em centros
informais de cultura, a exemplo do Bar Beirute (109 Sul), os projetos Funfarra
e Barracão do Samba se tornaram sensação na concorrida noite brasiliense de
2008. Com mistura de linguagens, o Funfarra une as picapes dos DJs com a
cultura visual de grafiteiros e artistas plásticos. Ocorre todas as
quintas-feiras no Pesque-Pague do Parque da Cidade. Em roda armada no
tradicional Clube da Imprensa (Vila Planalto), o Barracão do Samba transforma
as sextas-feiras em ponto de encontro para os amantes do ritmo mais brasileiro.
Na semana passada, o Correio varreu a madrugada nas duas festanças.
A estudante de administração de empresas Cecília Goulart sempre está em busca
de lugares onde pode respirar ar puro e arte. “É um espaço de boa convivência
entre as pessoas, sem preconceitos”, conta. Neste ano, ela encontrou uma
novidade na combinação de fun (em inglês, diversão) com farra (marca registrada
do Brasil festeiro). Desde 24 de janeiro, as quintas-feiras atraem média de 300
brasilienses para o Pesque-Pague, no estacionamento 10 do Parque da Cidade, um
dos lugares mais aprazíveis da capital. Em torno da lagoa, a mistura de
linguagens culturais convida os participantes a varar a madrugada. “Curtir boa
música e manifestações artísticas diversas num local em que se tem contato
direto com a natureza chega a ser um privilégio”, destaca o publicitário e
freqüentador assíduo Raphael Sócrates.
A idéia da Funfarra surgiu depois que o produtor e DJ Marcelo Barki leu um
texto de Wavá El Afiouni para o projeto Tropicadélica. “Ao criar a festa, que
também poderia ter como subtítulo Fanfarra das Artes, uma das primeira decisões
tomadas foi não nos prendermos a rótulos de qualquer espécie. Desde o começo,
pensamos em três pontas: DJ (eventualmente música ao vivo), exposição de
pintura, escultura, grafismo (criado ao vivo) e vídeos. Nesse item, optamos por
juntar imagens pré-selecionadas com as criadas a partir do que está ocorrendo
na hora”, explica.
A cada semana, DJs, músicos, pintores, escultores, grafiteiros e videomakers se
unem para mostrar seus trabalhos. “Tocam o que há de melhor no mundo das
festas, expõem obras de artes visuais num espaço coberto, arejado e confortável
em área arborizada, ao lado de uma lagoa e seus habitantes”, acrescenta Barki.
Nomes premiados como João Angelini, Leopoldo Volf, Marta Mencarini, Bia
Medeiros e o coletivo Corpos Informáticos estão entre os artistas que mostraram
seus trabalhos na festa. “Há casos como o do pintor Tiago Botelho e do
multimídia Alexandre Rangel, que criam simultaneamente em tempo real, um
influenciando o outro. O resultado dessa interação é projetado na tela física”,
observa Cirilo Quartim. “Já os grafiteiros são a nossa carta na manga”,
complementa.
Som variado é outra característica da festa. “Grooves dançantes são a marca
registrada desses produtores, que têm a química perfeita para manter a pista
sempre em ebulição, no embalo de ritmos que vão de Gilberto Gil a Jackson Five.
Temos um público fiel e eclético, embora prevaleça o pessoal alternativo”,
comenta Barki.
A interação do público com as manifestações artísticas da Funfarra é
espontânea. “O interesse é despertado de forma natural. Há até casos de
participantes da festa que têm sua performance retratada pelos artistas e se
transformam em personagens daquilo que é criado na hora. É outra forma de
interação”, acredita.
Hoje, a Funfarra chega à 22º edição, atraindo público na faixa dos 18 aos 30
anos. Embora as portas do prédio do Pesque-Pague sejam abertas às 22h, só à
meia-noite é que a festa começa a ficar agitada. Quem faz a abertura, no
comando das picapes instaladas no palco é a dupla Barki e Léu. Em seguida,
entra em ação o pessoal da produtora Só o Som Salva: Barata, Pezão e Oops.
FUNFARRA
Festa comandada pelos DJs Barki, Léu, Barata e Rud, com a participação de
Liomar (pintura), Renato Acha (performance) e Neupic’s (vídeo-projeção). Hoje,
às 22h, no Pesque-Pague (estacionamento 10), no Parque da Cidade. Ingresso: R$
5, até as 23h, e R$ 10, depois desse horário. Não recomendado para menores de
18 anos.
A estilista Elisa Hilst não resiste ao batuque da cultura popular. Ouviu falar
do Barracão do Samba, chamou o namorado e uma amiga e correu para o Clube da
Imprensa (Vila Planalto). Lá, caiu no samba. “O melhor de Jackson do Pandeiro
acompanhado de um caldinho. É tudo de bom”, festeja. Todas as sextas-feiras,
uma roda animada nasce de terreno fértil, que já abrigou em outros tempos
concorridas noites de forró. Há um mês, o grupo liderado pelo cantor e
compositor Wilson Bebel leva ao público crescente clássicos extraídos da obra
de mestres como Noel Rosa, Geraldo Pereira, Wilson Batista, Cartola, Nelson
Cavaquinho, Zé Keti, Paulinho da Viola, Chico Buarque e João Bosco.
O Barracão do Samba é uma espécie de desdobramento de projetos dos quais Wilson
Bebel tomou parte, como Plano B, Festa do Samba e Samba de Verão, no Arena
Futebol Clube. “Quando a direção do Clube da Imprensa nos convidou para tocar
aqui, vimos que o local, com capacidade para 500 pessoas, tinha tudo a ver, por
ser um barracão com cobertura de zinco, o que remete à tradição do samba”,
argumenta.
A vocação do Clube da Imprensa para o samba era inegável. O lugar guarda em sua
memória shows históricos de Paulinho da Viola, Dominguinhos e Luiz Melodia. Só
nesse pouco tempo de vida do projeto, já atraiu para a beira do Lago Paranoá a
Velha Guarda da Mocidade Independente de Padre Miguel, que deu canja para o
grupo de músicos originários das cenas do samba e do choro na cidade. Na última
sexta-feira, a roda de samba contou com Rafael dos Anjos (violão seis cordas),
Márcio Marinho (cavaquinho), Hamilton Pinheiro (baixo), Rafael Black (bateria),
Boró (percussão) e Jorge Lacerda (pandeiro e voz). “Contamos no Barracão com 20
músicos, que se revezam de duas em duas semanas”, diz Bebel.
Amanhã, ao lado do cantor, estarão Amilcar Oliveira (violão), Pedro
Vasconcellos (cavaquinho), George Lacerda (pandeiro e voz), Nelsinho Félix e
Dinho Braga (percussão) e Cris Maciel (voz). “Embora as formações sejam mais ou
menos fixas, a roda está sempre aberta a outros músicos com o pessoal da Velha
Guarda da Mocidade”, complementa.
Embora o projeto seja voltado para o samba, há sempre a possibilidade de Bebel
e seus companheiros mostrarem que têm conhecimento de outros ritmos. Na semana
passada, em sintonia com o período das festas juninas, os músicos prestaram
tributo ao genial Jackson do Pandeiro, tocando clássicos do repertório do
cantor. “Jackson se tornou conhecido como intérprete de coco e outros ritmos
nordestinos, mas ele, entre os artistas de sua região, foi quem mais se
aproximou do samba. Hoje é reverenciado por músicos da nova geração, de
diferentes segmentos”, observa Bebel, anunciado que o mês de julho será
dedicado a Martinho da Vila.
Quem se esbaldou com A mulher que virou homem, Canto da ema, Chiclete com
banana, Sebastiana e É samba que eles querem foi o casal Sérgio Sampaio e
Ângela, que aproveitou a combinação entre música de qualidade e ambiente
acolhedor. “Os organizadores do Barracão do Samba tiveram a ótima idéia ao
homenagear Jackson do Pandeiro, por quem temos grande admiração”, elogiou o
servidor público.
BARRACÃO DO SAMBA
Roda de samba sob o comando de Wilson Bebel, no Clube da
Imprensa (Setor de Clubes Norte). Amanhã, às 22h30. Ingresso:
R$ 7, estacionamento interno optativo R$ 3. Não recomendado para menores de 18
anos.
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