A notícia é de maio passado: a Berklee College of Music concedeu o  título de 
"doutora" à compositora e cantora Rosa Passos.
A revista Veja, edição 2006 - ano 41 - nº 25, de 25 de junho de 2.008, trouxe 
matéria sobre a bela Rosa Passos, excelente matéria assinada pelo Sérgio 
Martins.
É! Rosa Passos é ímpar, quem conhece o trabalho dela vê-se num Romance, com 
essa Rosa, Amorosa, no Azul,  Entre Amigos, na Morada do Samba de Caymmi , de 
Tom Jobim, com Lula Galvão, numa Festa da Recriação 
.(httphttp://www.rosapassos.com.br/stage/pt/discography.asp?s=on&m=disco )
A matéria da Veja está  transcrita na seqüência.
Caio Tiburcio
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Doutora em MPB


É preciso prestar atenção se alguém revisita os clássicos com tanta força 
quanto Rosa Passos

Sérgio Martins
No mês passado, a Berklee College of Music, uma das principais instituições 
culturais americanas, concedeu o título de "doutor" a algumas personalidades do 
meio musical. Entre os agraciados estavam o compositor canadense Howard Shore, 
Oscar de melhor trilha sonora de 2001 e 2003 pelos temas de O Senhor dos Anéis; 
Philip Bailey e Maurice White, integrantes do grupo Earth Wind & Fire; e a 
cantora baiana Rosa Passos. Rosa, que está lançando o disco Romance, é uma das 
raras intérpretes brasileiras que de fato fazem sucesso no exterior. "Meus 
discos são fonte de pesquisa dos estudantes e professores de Berklee", diz. O 
sucesso dessa artista de 56 anos não se resume ao campus. Ela coleciona elogios 
de astros do primeiro escalão, como o baixista de jazz Ron Carter e o 
violoncelista erudito Yo-Yo Ma ("Rosa tem a voz mais linda que ouvi", diz). O 
jornal The New York Times e a revista The New Yorker elogiam seus trabalhos, 
rotulando-a como "João Gilberto de saias". "Gosto do título, mas meu trabalho 
não se resume a cantar músicas de João."
O sucesso de Rosa no exterior ainda não se refletiu no mercado brasileiro. Ela 
sempre lançou discos por selos pequenos. Além disso, trabalha na fronteira 
entre dois gêneros envelhecidos – a MPB clássica e o jazz. Mas é preciso 
prestar atenção quando alguém revisita o repertório tradicional com tanta 
personalidade, inteligência e força. Rosa não é uma daquelas cantoras que fazem 
música para estrangeiro ouvir nem uma artista que buscou pateticamente "o 
sucesso lá fora". Simplesmente, canta bem. Romance é um disco em que técnica e 
emoção convivem harmoniosamente. E, por mais que as canções tenham sido 
gravadas por outros autores, ela sempre dá um jeito de adaptá-las ao seu 
universo. É o que acontece com Atrás da Porta. Para muitos, a versão definitiva 
da canção de Francis Hime é aquela gravada em 1972 por Elis Regina, cujo canto 
desesperado foi imitado por outras intérpretes. Rosa a transforma numa outra 
canção. Sua Atrás da Porta é mais contida, porém não menos sofrida. "Eu torturo 
a banda, quebro a cabeça. Mas não aceito copiar uma fórmula."
Rosa despontou em 1972, quando foi vencedora de um festival de música. Em 1979, 
lançou o primeiro disco. E então passou doze anos sem pisar no estúdio, 
cantando esporadicamente. Dedicou-se a criar os filhos em Brasília, para onde 
se mudou com o marido, Paulo Sérgio Passos, funcionário público de carreira que 
se tornou ministro dos Transportes nos meses finais do primeiro mandato do 
presidente Lula. "Meu marido é um sujeito honesto e trabalhador. Isso é o 
máximo que falo sobre política", diz a cantora. Rosa educou os filhos e 
sobreviveu à aridez de Brasília. Em 1993, gravou o CD Festa – que começou a 
espalhar seu nome pelo mundo. Romance está nas primeiras posições da parada de 
jazz dos Estados Unidos. Espera-se que essa cantora singular finalmente seja 
reconhecida no Brasil.
http://arquivoetc.blogspot.com/2008/06/doutora-em-mpb.html
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