Vários ritmos brasileiros, principalmente na Bahia e Pará sofrem
grande influência da música caribenha. Pode-se destacar o calipso, que
chegou ao Brasil, principalmente através das Guianas e que tem forte
influência no forró "eletrônico".
A própria lambada possui elementos de diversos ritmos latinos.

Aquele abraço,
Gabriel Gomes


2008/11/7 Marcelo Neder <[EMAIL PROTECTED]>:
> Eu apenas quis contestar a afirmação de que a cultura brasileira não sofre 
> influências dos países vizinhos da América Latina.
> De duas uma, ou vc não conhece, ou não considera essas culturas como 
> brasileiras.
>
> Apesar de carioca, morei 10 anos em Cuiabá/MT e sou casado com uma amazonense.
>
> Existe sim, uma cultura mais andina (no caso da região norte, principalmente 
> a parte mais oeste da região norte, próxima as fronteiras com outros países) 
> do que brasileira.
>
> Nessa região é comum encontrar pessoas (muitas vezes analfabetas), que falam 
> português e castelhano. Muitas vezes vivendo parte das suas vidas no Brasil, 
> parte no país vizinho, seja ele qual for.
>
> Nesse contexto, é impossível não carregar a cultura junto com a migração.
>
> A cultura, principalmente no que diz respeito a música e dança, não respeita 
> fronteiras, é uma só: Amazônica (como a maior parte da amazônia fica no 
> Brasil, não é errado dizer que a maior parte dessa cultura é brasileira...).
>
> Mesmo assim, a cultura amazônica se divide em subregiões.
> Existem nuances específicas entre a cultura amazônica mais próxima ao litoral 
> brasileiro do oceano atlântico (maranhão) e a cultura amazônica mais próxima 
> dos andes, (acre por exemplo).
>
> No extremo norte, a influência caribenha é mais visível.
>
> Isso sem falar nas nuances específicas de cada país que muitas vezes, têm na 
> sua geografia mais cordilheira dos andes do que amazônia, por exemplo.
>
> Isso tudo resulta em ritmos e danças específicas, como por exemplo, a ciranda 
> amazônica, a toada do boi, o carimbó, o retumbão, o lundu da ilha do Marajó, 
> o xote bragantino (de Bragança Paraense), o Marabaixo, o Batuque, o Siriá e o 
> Boi-de-Màscara, por exemplo.
>
> Um exemplo de expoente cultural disso tudo é a festa do boi de Parintins, que 
> hoje, por sinal, "exporta" tecnologia para a Marquês de Sapucaí.
>
> É tapar o sol com a peneira não ver as semelhanças da festa do boi de 
> Parintins com o desfile das escolas de samba do RJ/SP.
>
> ISSO SÓ NA REGIÃO NORTE.
>
>
>
> Na região centro-oeste, a proximidade com paises como Paraguai, por exemplo, 
> dá uma outra cara às influência na cultura brasileira.
>
> No livro:
> "Dança, Brasil! Festas e danças populares"
> Gustavo Pereira Côrtes - Belo Horizonte
> Editora Leitura, ano 2000
>
> na página 102 diz o seguinte:
>
> "A identidade do povo do Centro-Oeste é formada pela convergência de povos de 
> outras áreas do Brasil, que juntamente com os índios nativos deram origem aos 
> mestiços, atualmente, a maioria da população.
> Figura típica local, o pantaneiro permaneceu tendo pouco contato com 
> moradores de centros urbanos, o que o dotou de aspectos peculiares no seu 
> modo de viver. A proximidade com o Paraguai e a Bolívia trouxe grandes 
> influências nas festas, danças e músicas típicas regionais, dentre as quais o 
> hábito de beber o tererê, mate que se toma frio, herança paraguaia, e de 
> comer pratos feitos na telha, legado colonial dos tempos do garimpo."
>
> (ô sodáde de comer uma ventrecha de pacú com farofa de banana!!!!!!!)
>
> Eu iria mais longe, e diria que ali é um dos principais berços da música 
> caipira. Terra de gente como Pena Branca e Xavantinho, Renato Teixeira, 
> Vieira e Vieirinha, Tonico e Tinoco, entre outros...
>
> Isso mesmo, é ela mesma, a mesma turma da viola caipira, que de vez em quando 
> encontram uma ligação explícita aqui em Santo Amaro da Purificação no 
> Recôncavo Baiano sob outro nome, samba-chula, o samba de viola. Cujo um dos 
> derivados mais conhecidos no Brasil e no mundo, por sinal é até patrimônio 
> cultural da humanidade: o samba de roda.
>
>
> Isso mostra uma coisa só: a cultura não possui pontos isolados. Ela é toda 
> interligada, pois assim são os povos que a produzem (isso antes dos tempos da 
> globalização, que dirá hoje em dia, onde a interligação é tão grande e tão 
> poderosa que o risco de alienação cultural e pulverização das culturas locais 
> (marginais a grande mídia), é imenso e real...).
>
>
>
> Abs
>
>
> Marcelo Neder
>
> P.S. Digitar esse e-mail escutando o CD Martinho da Vila, do Brasil e do 
> mundo, foi uma feliz coinscidência. O trabalho é maravihoso.
>
>
>
>
> --- Em sex, 7/11/08, JL Vivas <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
>> De: JL Vivas <[EMAIL PROTECTED]>
>> Assunto: Re: [S-C] Samba... Jazz...
>> Para: "[EMAIL PROTECTED]" <[EMAIL PROTECTED]>
>> Cc: "[email protected]" <[email protected]>
>> Data: Sexta-feira, 7 de Novembro de 2008, 6:21
>
>> O pouco que eu sei dessas culturas não parece estar em
>> contradição com o quadro abaixo. A mistura que essas
>> culturas exibem deve-se a contatos diretos entre diversas
>> etnias, migrações, etc. Não é o caso da influencia do
>> jazz na música brasileira, que não se deve à existência
>> de colonias de negros de New Orleans nos morros cariocas ou
>> em Ipanema.
>>
>> JLV
>>
>> Marcelo Neder escribió:
>> > Vc conhece a cultura amazônica e pantaneira?
>> >
>> >
>> > Abs
>> >
>> >
>> > Marcelo Neder
>> >
>> >
>> > --- Em qui, 6/11/08, JL Vivas <[EMAIL PROTECTED]>
>> escreveu:
>> >
>> >
>> >> De: JL Vivas <[EMAIL PROTECTED]>
>> >> Assunto: Re: [S-C] Samba... Jazz...
>> >> Para: "[email protected]"
>> <[email protected]>
>> >> Data: Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008, 13:54
>> >> Todas as músicas são misturadas, o mundo é
>> misturado. O
>> >> que caracteriza a cultura das colonias não é a
>> >> antropofagia, pra mim uma invenção de
>> intelectuais da
>> >> classe média para quem só as metrópoles tem
>> tradição,
>> >> mas, ao contrário, o extremo isolamento com os
>> países
>> >> vizinhos, muitas vezes com culturas muito mais
>> mais afins, e
>> >> o quase total subjugamento às imposições das
>> respectivas
>> >> metrópoles. Não só a cultura, claro, o
>> comércio também,
>> >> por exemplo. Hoje, quando esses países estão
>> passando por
>> >> um processo incipiente de independização, o que
>> mais se
>> >> fala é de integração econômica, já que umas
>> das
>> >> características desses países é justamente seu
>> mútuo
>> >> isolamento, como se uns não tivesses existido
>> para os
>> >> outros. Dá pra dizer que a música brasileira é
>> >> antropofágica quando não existe praticamente
>> influencia
>> >> alguma dos países vizinhos, como a Argentina,
>> Peru,
>> >> Venezuela, Colômbia, Bolívia, entre outros,
>> países com
>> >> uma tradição musical riquíssima e em geral com
>> uma forte
>> >> influencia africana - sem falar do Caribe?  Eu
>> acho
>> >> brincadeira.
>> >>
>> >> JLV
>> >>
>> >>
>> >> Alma da Dança - Florião escribió:
>> >>
>> >>
>> >>>> Oi Eduardo,
>> >>>>
>> >>>> Normalmente fico só apreciando os
>> debates,
>> >>>>
>> >> devido ao pouco tempo que tenho > no momento,
>> mas não
>> >> consegui, nesse caso. Para mim, os bluseiro podem
>> ter >
>> >> algo de Cartola, não o contrário.
>> >>
>> >>>> É preciso repetir sempre: nossa música
>> é
>> >>>>
>> >> infinitamente mais rica e
>> >>
>> >>>> diversificada que a deles, devido
>> principalmente
>> >>>>
>> >> à mistura. Juntar Brasil e
>> >>
>> >>>> Estados Unido nunca dá certo, são duas
>> >>>>
>> >> histórias muito diferentes.
>> >>
>> >>>> Escrevi principalmente porque me parece um
>> crime
>> >>>>
>> >> com influências
>> >>
>> >>>> fundamentais do samba e do choro que foram
>> as
>> >>>>
>> >> músicas européias,
>> >>
>> >>>> especialmente a polca (para não falar em
>> outras
>> >>>>
>> >> menos cotadas na história > como as músicas
>> indígenas
>> >> e os sambras, por exemplo). É preciso lembrar
>> > sempre:
>> >> nossas músicas e danças são fruto de mistura.
>> >>
>> >>>> Forte abraço,
>> >>>> Luís Florião
>> >>>>
>> >>>> ps.: Fora violão, pandeiro...
>> >>>>
>> >>>>
>> >>>> ----- Original Message ----- > From:
>> >>>>
>> >> "Eduardo S. Martins"
>> <[EMAIL PROTECTED]>
>> >>
>> >>>> To: "JL Vivas"
>> <[EMAIL PROTECTED]>;
>> >>>>
>> >> "Melissa de Araujo Borges"
>> >>
>> >>>> <[EMAIL PROTECTED]>
>> >>>> Cc: <[email protected]>
>> >>>> Sent: Thursday, November 06, 2008 10:52 AM
>> >>>> Subject: Re: [S-C] Samba... Jazz...
>> >>>>
>> >>>>
>> >>>>
>> >>>>>> O samba, o blues e o jazz  são
>> >>>>>>
>> >> criações do povo negro, não custa lembrar
>> >>
>> >>>>>> que os negros norte-americanos
>> foram
>> >>>>>>
>> >> proibidos de tocar tambor, daí só lhe
>> >>
>> >>>>>> restou para entoar seus cantos
>> religiosos
>> >>>>>>
>> >> o violão, o que acabou gerando o
>> >>
>> >>>>>> blues, portanto, em algum lugar na
>> >>>>>>
>> >> ancestralidade, Cartola e John Lee
>> >>
>> >>>>>> Hoocker se encontram, aliás,
>> Cartola é
>> >>>>>>
>> >> um sambista com alma de bluseiro
>> >>
>> >>>>>> !!!
>> >>>>>> abs.
>> >>>>>> Edu Mar
>> >>>>>>
>> >>>>>>
>> >>>>>> ----- Original Message -----
>> >>
>> >>>>>>
>> >> From: "JL Vivas" <[EMAIL PROTECTED]>
>> >>
>> >>>>>>
>> >>>>>>>> Pobre samba meu
>> >>>>>>>> Foi se misturando, se
>> >>>>>>>>
>> >> modernizando
>> >>
>> >>>>>>>>
>>
>> >>>>>> Modernizando? O samba é mais
>> velho que o
>> >>>>>>
>> >> jazz? O samba é acaso medieval?
>> >>
>> >>>>>> Por que o jazz é
>> "moderno" e o
>> >>>>>>
>> >> samba não?
>> >>
>> >>>>>>
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