Conheça a carta enviada ao Ministro da Cultura, em defesa do Projeto Pixinguinha e da palavra empenhada (Carta aberta ao Ministro Juca Ferreira).
Clique em www.acervohbc.com.br . No referido endereço, o Acervo HBC - Hermínio Bello de Carvalho. Caio Tiburcio De:[EMAIL PROTECTED] Para:[email protected] Cópia: Data:Sat, 15 Nov 2008 10:27:33 -0300 Assunto:[S-C] CorreioBraziliense: Entrevista - Sérgio Mamberti (Presidente FUNARTE) > Brasília, sábado, 15 de novembro de 2008 > > CADERNO C > > > > Entrevista - Sérgio Mamberti > > Convocado para assumir a direção da Funarte, com posse marcada para > segunda-feira, o ator adianta o que será sua missão à frente do terceiro > cargo que ocupa no governo Lula > > > Ailton Magioli > Do Estado de Minas > Terceiro ator a assumir a presidência da Fundação Nacional de Arte (Funarte) > no governo Lula a posse está agendada para segunda-feira, às 17h, no > Auditório Gilberto Freyre do Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro o > paulista Sérgio Mamberti, de 69 anos, vai encontrar o órgão praticamente > paralisado desde a saída, em outubro, de Celso Frateschi, que havia > substituído, no ano passado, Antonio Grassi. Já trabalhando na execução > orçamentária, até o final do mês ele deverá anunciar os integrantes da nova > diretoria (música, artes visuais, artes cênicas e programas integrados), além > do resultado dos últimos editais publicados pelo órgão. Militante cultural > com destacada atuação nos meios artístico e político, a convite do então > ministro Gilberto Gil, em 2003, Mamberti esteve à frente da Secretaria de > Artes Cênicas do Ministério da Cultura, transferindo-se no ano seguinte para > a Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural. > > Apesar de guardar para a posse a apresentação das diretrizes que vão orientar > as políticas públicas da Funarte nos próximos dois anos, Mamberti antecipou > algumas de suas propostas, confirmando a disposição para o diálogo com a > sociedade na construção das políticas de cultura. A presença do ator à frente > do órgão, segundo representantes do MinC, representa uma aposta na > reestruturação da Funarte, com o objetivo de consolidar seu campo de ação no > território nacional, além de reafirmar sua relevância no cenário artístico > brasileiro. > > > Hora de apaziguar os ânimos > > > > > > A Funarte se tornou um problema para o atual governo, desde que Antônio > Grassi deixou o órgão, substituído por Celso Frateschi, que também acabou > saindo. De lá pra cá, ela ficou paralisada e a esperança recai sobre o > senhor. O que pretende fazer para acalmar os ânimos no órgão? > Os ânimos realmente estavam acirrados, havia expectativa com a chegada do > Celso na substituição abrupta do Grassi. Na verdade, quando chegamos ao > Ministério da Cultura, a situação da Funarte era pior. Acho que o Grassi se > dedicou longamente a restabelecer e revitalizar Funarte, conseguindo > resultados palpáveis. Como houve a interrupção da gestão dele, veio o Celso > para substituí-lo e houve incompatibilidade na relação entre ele e os > funcionários. Respeito o Celso, sua história e trajetória, mas temos de olhar > para frente. Venho incumbido pelo ministro Juca Ferreira de tentar > reconstruir esse processo e avançar. O ministério reconhece a complexidade da > Funarte, ainda não totalmente abarcada pela nossa gestão. O ministro Gil > emprestou seu nome e carisma ao MinC. Hoje, somos o ministério que melhor > executa na Esplanada, em torno de 98% dos projetos, além da projeção nacional > e internacional, abrindo diálogo como a sociedade, todos os segmentos, e de > termos construído políticas públicas. Nossa luta é no sentido da > institucionalização do que foi conquistado, de consolidar a participação da > sociedade na elaboração, regulação e fiscalização dessas políticas. O > Conselho Nacional de Políticas Culturais, o Plano Nacional de Cultura, o > Sistema Nacional de Cultura, os pontos de cultura, os trabalhos que a gente > executa na área do audiovisual, a Secretaria da Identidade e da Diversidade > Cultural que estou deixando. É um acúmulo, um somatório de ações > bem-sucedidas que nos deixam devedores para corrigir o que ainda não > conseguimos trabalhar como gostaríamos. > > A recomendação do ministro Juca Ferreira é de que a Funarte troque a > estrutura presidencial pela colegiada. O que acha da proposta? > A estrutura será a mesma, o presidente da Funarte estará lá, como o ministro > no ministério. Mas adotamos uma administração compartilhada desde o MinC. Os > núcleos de dirigentes e estratégico são uma instância colegiada no sentido de > compartilhar decisões, comentar, criticar. Às vezes tudo demora um pouco, > como as mudanças da Lei Rouanet. Preferimos que seja mesmo um pouco mais > lento, mas que contemple esse leque de interesses e de representatividade que > é a sociedade construída a partir dos fóruns, das câmaras setoriais que > agora vão se chamar colegiados setoriais , dos grupos de trabalho. Nossas > políticas são consensuais e o Conselho Nacional de Cultura hoje tem papel de > criticar, analisar, sugerir e somar com a gente na participação efetiva da > sociedade. > > Outra proposta do ministro é de ampliar a atuação da Funarte no país, > fortalecendo as diretorias, e trabalhar de forma compartilhada, além de criar > um conselho administrativo. O que acha? > Não diria um conselho administrativo, estamos procurando o formato ideal para > ele e, a princípio, nos inspiramos no conselho do Iphan (Instituto do > Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) e em outros conselhos de órgãos > federais, para criar uma instância também de fora, que contribua para as > soluções. Tudo isso enriquece a proposta. Estou confiante principalmente por > isso, ninguém tem vara de condão. Tenho larga experiência em todos os campos > em que vamos trabalhar. Saio de uma estrutura de 30 pessoas da secretaria que > eu ocupava para uma de praticamente 600 pessoas. A Funarte é grande, tem > pessoal em Brasília e no Rio, além das regionais de Minas Gerais, São Paulo e > do Recife. > > Como conhecido do governo antes da Funarte, passou por duas secretarias , > o senhor sabe que um dos maiores problemas do setor é a falta de verbas. Como > enfrentar o problema? > Essa frente de luta, vamos dizer de complementação e implementação > institucional de tudo que a gente tem feito, passa pelo financiamento da > cultura. Estamos lançando a campanha Todos pela Cultura, que apoiará o > projeto de emenda constitucional que institui os 2% do orçamento da União > para o setor, dos deputados Fátima Bezerra, Paulo Rubens Santiago, Gilmar > Machado e Iara Bernardes. Estamos também em ofensiva com a frente parlamentar > de apoio à cultura para a aprovação de emendas. A idéia é uma ação para > sensibilizar os parlamentares para manter a emenda como está. Temos uma > perspectiva otimista de preservar algo em torno de R$ 300 milhões para a > Funarte, mas a realidade é que, entre custeio e a atividade fim, tivemos > apenas R$ 20 milhões. A Funarte não sobrevive com isso, ela faz parcerias com > a Petrobras e outras estatais, que investem em prêmios e editais. Tudo isso > foi minimizado, mas a gente queria uma institucionalização para evitar que > ficasse na eterna sazonalidade. Aquela história de não saber quando vem o > dinheiro. > > Que perspectivas o senhor vê nas mudanças previstas da Lei Rouanet? > As propostas que o ministro tem estão sendo recebidas com entusiasmo. Serão > correções. Entre as considerações do ministro, está o Estado se tornar > concorrente do produtor. Ele citou o caso de São Paulo que, via Oscipes, > financia políticas com o dinheiro da Lei Rouanet, o que muitas vezes não se > divulga. As empresas costumam dizer que investem em cultura, o que não é > verdade porque o dinheiro não é delas, é do ministério, é renúncia. Temos de > tornar pública a presença do Estado em relação nessas políticas. Como lembrou > o ministro, ele não pode se isentar dessa crítica da administração cultural > do Estado, já que grande parte das políticas do MinC se dá via Lei Rouanet. > Temos de direcionar os recursos da lei para a sociedade, para que ela usufrua > esses valores em seus próprios projetos. A idéia é que parte do dinheiro seja > direcionado de tal forma dos recursos de incentivo, de renúncia, que, sendo > aprovado, você já tenha seu projeto garantido por um fundo. Estamos mexendo > no Fundo Nacional de Cultura para criar um mecanismo menos vulnerável. Quanto > mais a empresa investir, mais isenção ela terá. Hoje já tem isenção de 100%, > mas passará a ser apenas para quem realmente fizer investimento que beneficie > a sociedade. Esse talvez seja o aspecto mais polêmico, de as pessoas > receberem dos patrocinadores a resposta. Vamos procurar comprometer os > investidores a cumprir seu papel no mecenato. Não se pode fazer mecenato com > dinheiro do governo. As propostas estão sendo debatidas com a sociedade, mas > o consenso é que vai determinar as mudanças. > > O fim das caravanas do Projeto Pixinguinha foi criticado pela classe musical, > em especial do autor e curador do projeto, Hermínio Bello de Carvalho. Como > pretende conciliar mais esse problema? > Ter o Hermínio Bello perto da gente é uma solução (risos). O Hermínio é um > velho amigo, uma pessoa que respeito e tenho certeza que vamos rever isso. > Este ano já não tem como refazer porque o edital já foi julgado. Vamos ver o > que pode ser corrigido e melhorado para as futuras edições, com maior > fidelidade ao espírito do Pixinguinha. E certamente até enriquecidas de novas > sugestões. > > > > http://www2.correiobraziliense.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_54.htm > _______________________________________________ > Para CANCELAR sua assinatura: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela > Para ASSINAR esta lista: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina > Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: > http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta _______________________________________________ Para CANCELAR sua assinatura: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela Para ASSINAR esta lista: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina Antes de escrever, leia as regras de ETIQUETA: http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta
