Fonte: http://www.tribuna.inf.br/bis.asp?bis=ponto
 
 
 
 
 
Cartola 100 anos - O autor e seus intérpretes" - Vários/ Bom 
 
 
Por: Pedro Henrique Neves
 

Esta coletânea chega com um certo atraso ao mercado para comemorar o centenário 
do genial compositor mangueirense. Ao contrário de muitos outros tributos 
lançados ao longo do ano, o mérito desta compilação é trazer gravações pouco 
conhecidas e registros inéditos com intérpretes nem sempre associados à obra de 
Cartola. O álbum duplo reúne 28 faixas, que privilegiam o lado mais romântico e 
menos sambista do compositor. 
 
A seleção ficou a cargo do produtor Thiago Marques Luiz, responsável por 
recentes projetos em homenagem a Maysa e Dolores Duran. O próprio Cartola abre 
o trabalho com "O inverno do meu tempo". Em seguida, o dueto virtual que 
Alcione fez com Altemar Dutra no clássico "As rosas não falam" é recuperado. Na 
seqüência, Gal Costa dá brilho à "Cordas de aço" e Chico Buarque revive "Divina 
dama".
 
Depois destes medalhões, o tributo dá espaço para nomes como Vânia Carvalho 
("Peito vazio"), Cida Moreyra ("A canção que chegou"), Maria Creuza ("Pouco 
importa"), Paulinho Boca de Cantor ("Sala de recepção") e Joanna ("Labaredas"). 
Neste mesmo clima, quatro gravações inéditas fogem da obviedade que um disco 
como este sempre corre o risco de ter. 
 
Sambista que vem acumulando críticas positivas, Fabiana Cozza usa toda a sua 
força interpretativa em "Basta de clamares inocência", enquanto a voz de Rita 
Ribeiro faz o casamento perfeito entre a letra e a melodia de "Acontece". As 
faixas ganhariam mais consistência se o instrumental fosse mais essencial. O 
que acontece também nos dois duetos inéditos, entre Célia e um deslocado Jair 
Rodrigues ("Eu sei") e a imbatível Alaíde Costa com Zé Luís Mazziotti em "Não 
quero mais amar a ninguém".
 
A poesia de Cartola é ressaltada ainda por Beth Carvalho na releitura de 
"Camarim", uma de suas mais belas composições, e por Ney Matogrosso, que 
explora toda a dramaticidade contida em "O mundo e um moinho". Entre os muitos 
pontos altos, "Tempos idos" (em gravação do disco ao vivo de Toquinho e 
Paulinho da Viola), "Vem", na voz de Elizeth Cardoso, e "Garças pardas", com 
Clementina de Jesus, mostram como este antológico cancioneiro encontrou 
intérpretes à sua altura.
"Girando" - Anna Luisa/ Bom
 
E, no País em que cantoras surgem às dezenas a cada mês, o nome em evidência é 
Anna Luisa, que lança o terceiro disco pela Universal. A cantora segue trilha 
semelhante à de Roberta Sá, com músicas que transitam entre as raízes regionais 
e o universo pop, de autores como Edu Krieger ("Seu moço", em parceria com a 
autora) e Rodrigo Maranhão ("Baião digital"). A própria Roberta participa do 
coro de "Bailarina do mar", de autoria de Anna.
 
No entanto, a mistura de "Girando" vai um pouco além e inclui faixas como 
"Cachaça mecânica", tema da safra de Roberto e Erasmo na década de 70, e a 
releitura de "Os pingo da chuva", música da mesma época, do repertório dos 
Novos Baianos. O tom do álbum é de suavidade, ao tornar as canções mais 
radiofônicas, mas sem estilizá-las. A formação instrumental coloca a cantora em 
destaque e retira as "asperezas" que algumas composições do repertório têm.

"Recomeço" - Virgínia Rodrigues/ Muito bom
 
Por falar em cantoras, mais uma delas prova que o talento individual consegue 
tornar interessante um projeto com tudo para soar banal. Depois de um hiato de 
quatro anos sem gravar, Virginia Rodrigues selecionou canções de amor 
atemporais neste seu primeiro lançamento pela Biscoito Fino. 
O repertório tem momentos de obviedade em "Todo o sentimento" (Cristóvão 
Bastos/ Chico Buarque), "Beatriz" (Edu Lobo/ Chico Buarque) e "A noite do meu 
bem" (Dolores Duran). Ao mesmo tempo, reúne jóias como "Triste Baía de 
Guanabara" (Novelly / Cacaso) e "Boa noite, amor" (José Maria de Abreu/ 
Francisco Mattoso).
 
A voz marcante é conhecida pelo flerte com o canto lírico. Desta vez, os vocais 
da intérprete aparecem envolvidos apenas pelo virtuoso piano de Cristóvão 
Bastos. A interação entre canto e instrumento é um dos pontos altos. Uma sutil 
dramaticidade aparece pontuada nas faixas, valorizando tanto letra como melodia 
das canções do repertório.
 
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