"Gêmeo" do AI-5, bar Bip Bip comemora 40 anos neste sábado
Marcelo Migliaccio, Jornal do Brasil
RIO - No próximo sábado, o Ato Institucional número 5, que em 1968 acabou com 
os últimos resquícios de liberdade no Brasil, completa 40 anos. O que pouca 
gente sabe é que no mesmo dia surgia em Copacabana um espaço minúsculo, mas 
libertário, que se tornaria um dos templos da boemia e da cultura cariocas, o 
boteco Bip Bip.
– É o melhor e o pior bar do mundo – define a sambista Beth Carvalho, uma das 
freqüentadoras. – Tem que ter o espírito carioca para entender. Você mesmo se 
serve, o caderno de penduras é escrito a lápis e o dono dá bronca nos fregueses.
Parece incrível, mas é verdade. O dono atual atende por Alfredinho e quase 
sempre é mais um freguês a jogar conversa fora e curtir as rodas de samba. Ele 
comprou o ponto e a loja em 1984. Por esta última, pagou parte em dinheiro e 
parte em doses de uísque ao proprietário, um dos muitos bebedores habituais do 
boteco.
– O mais interessante aqui é que a turma se renova. Os mais velhos vão 
morrendo, parando de beber por recomendação médica, mas vem uma rapaziada jovem 
ótima – conta Alfredinho, 65, que só lamenta a obrigação de fechar a casa à 1h, 
por força de lei municipal.
Nesse grupo dos que abandonaram o álcool obrigados pelos médicos, está o 
sambista Walter Alfaiate, que reconhece o incentivo de Alfredinho como 
fundamental para o lançamento de seu primeiro disco, em 1998.
– É um lugar que me deixa muito feliz por encontrar uma rapaziada nova que está 
abraçando o samba – comenta Walter, que garante presença na festa deste sábado, 
na Rua Almirante Gonçalves, 50.
Alfredinho assume a informalidade e diz que o bar não tem cozinheiro, nem 
garçom.
– A gente mesmo joga os bolinhos, os kibes no forno. Também tem salaminho e 
cerveja gelada.
Uma das histórias que mais o diverte é a de duas peruas paulistas que entraram 
no bar torcendo o nariz e perguntaram se o Bip Bip do qual ouviram falar era 
"só" aquele espaço – onde cabem 10, mas entram 40 em dias de animadas roda de 
samba.
Alfredinho não perdou e disse a elas que o piano bar era em cima. As peruas 
subiram uma estreita escada e desceram em seguida, decepcionadas por terem dado 
de cara com um depósito escuro e cheio de engradados de cerveja. Saúde!

http://jbonline.terra.com.br/extra/2008/12/10/e101211190.html
_______________________________________________
Para CANCELAR sua assinatura:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/cancela
Para ASSINAR esta lista:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/assina
Antes de escrever, leia  as regras de ETIQUETA:
        http://www.samba-choro.com.br/tribuna/netiqueta

Responder a