Oi, turma:
 

 

Destaque para Beth Carvalho (Andança), João Nogueira (1972) e Elizaeth Cardoso 
(Momento de Amor, de 1968).

 

 

Besos. Sonia Palhares (BsB-DF)

 

 

 
Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20090212/not_imp322574,0.php
 

 

 

Discos raros pela primeira vez em CD
 

 

Pacote tem álbuns antológicos de Beth Carvalho, Elizeth Cardoso e Alaíde Costa

 

 


Lauro Lisboa Garcia
 
 
 



As grandes gravadoras deram uma brecada na recuperação de acervos, mas de vez 
em quando os colecionadores ainda são brindados com bons lotes, como o que a 
EMI distribui nas lojas na próxima semana. São dez títulos inéditos em CD de 
seu catálogo, incluindo LPs da Odeon e da Copacabana, de Beth Carvalho, Elizeth 
Cardoso, Rosinha de Valença, Alaíde Costa, João Nogueira, Taiguara, Paulo 
Sérgio, Cauby Peixoto, Ângela Maria e Dalva de Oliveira. Faltam fichas técnicas 
nos encartes, mas o som dos CDs tem ótima qualidade técnica. O projeto é do 
pesquisador e produtor Thiago Marques Luiz, que escreveu breves textos nas 
contracapas dos CDs, comentados a seguir.


ANDANÇA (1969)


Raro e ótimo álbum de estreia de Beth Carvalho, cuja faixa-título - composta 
por Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós -, em que divide os vocais 
com os Golden Boys, foi classificada no Festival Internacional da Canção de 
1968. Boa de samba ela sempre foi, mas neste álbum Beth revela os dotes de 
grande intérprete também de outros estilos, com arranjos dos maestros Gaya e 
Lyrio Panicali. Sua versão para a densa Sentinela (Milton Nascimento/Fernando 
Brant) é talvez a mais surpreendente nesse aspecto. O grupo Som Três divide com 
ela os vocais em outras faixas, como as antigas Estrela do Mar (Marino 
Pinto/Paulo Soledade) e Nunca (Lupicínio Rodrigues). Outros temas daquele 
ambiente de festival despontam em canções de Marcos e Paulo Sérgio Valle e mais 
duas de Paulinho Tapajós com parceiros. Cheia de bossa, ela canta duas pérolas 
de Baden Powell: Samba do Perdão (parceria com Paulo César Pinheiro) e a 
esquecida Um Amor em Cada Coração, com letra de Vinicius de Moraes.


ÂNGELA DE TODOS OS TEMAS (1970)


Quase simultaneamente a Cauby Peixoto em Superstar (leia abaixo), Ângela Maria 
mudou de rumos, ao requisitar a sofisticação de compositores contemporâneos 
como Caetano Veloso, Chico Buarque e Vinicius de Moraes (de quem imortalizou 
Gente Humilde, parceria com Garoto). Em grande forma vocal, ela se divide entre 
expoentes da segunda dentição da bossa nova (Marcos e Paulo Sérgio Valle, Edu 
Lobo) e a jovem-guardista Martinha. O título do disco é oportuno para 
justificar o ecletismo do repertório, que ainda tem clássicos de Noel Rosa e 
Dorival Caymmi, valsa, marcha-rancho, samba, tango, pop americano e balada de 
fonte erudita. Tudo misturado e com arranjos sem unidade, mas não 
necessariamente ruins, de Portinho.


CHEIRO DE MATO (1976)


Sofisticada violonista e compositora sensível, Rosinha de Valença (1941-2004) 
alternou com maestria temas instrumentais e canções delicadas e autorais, como 
Os Grilos São Astros, Usina de Prata e Madrinha Lua, predominantes na primeira 
metade deste lindo disco de acento naturalista. Na segunda parte ela se dedica 
mais a composições alheias, e não menos belas, de Waldir Azevedo e Sueli Costa, 
entre outros. É lamentável a ausência da ficha técnica no encarte. Sem receber 
crédito no CD, Miúcha dividiu com ela os vocais em Cabocla Jurema, Francis Hime 
assinou arranjos e tocou flauta. Entre outros, também participaram do disco 
Sueli Costa, Sivuca, João Donato e Celia Vaz.


CORAÇÃO (1976)


Foi Milton Nascimento quem tirou Alaíde Costa de um ostracismo de sete anos ao 
convidá-la para um dueto antológico em Me Deixa em Paz (Monsueto/Airton 
Amorim), no álbum Clube da Esquina, de 1972. Quatro anos depois, Milton se 
empenhou em produzir este que é um dos melhores discos da cantora. A requintada 
sessão musical conta com instrumentistas de primeira linha, como Novelli, 
Nelson Ângelo, Toninho Horta, Robertinho Silva (todos agregados do Clube da 
Esquina), além de João Donato (que fez as orquestrações) e Ivan Lins. Alaíde 
está em casa, cantando belamente preciosidades de Milton, Johnny Alf, Danilo 
Caymmi e Ana Terra, Sueli Costa e de alguns dos músicos citados acima.


DALVA (1958)


Disco mais antigo (e também o menos interessante) do pacote, este de Dalva de 
Oliveira (1917-1972) tem canções exclusivas de Humberto Teixeira, Lupicínio 
Rodrigues, Hervé Cordovil e Ciro Monteiro, entre outros. Léo Peracchi e Oswaldo 
Borba assinam os bons arranjos, mas a interpretação exacerbada de Dalva com 
forte conotação kitsch, excedendo nos vibratos, não cai bem em qualquer ouvido, 
principalmente hoje.


FOTOGRAFIA (1973)


Anterior à sua obra-prima Imyra, Tayra, Ipy (1976), no qual se uniu a Hermeto 
Pascoal, Fotografias é um marco importante da fase experimental de Taiguara 
(1945-1996) e o penúltimo da década em que gozou de maior popularidade. Com 
letras entre engajadas e amorosas, melodias intrincadas, canto contundente e 
arranjos sofisticados de Francis Hime e Eduardo Souto Neto, o disco abre com um 
de seus futuros clássicos, Que as Crianças Cantem Livres. Tibério Gaspar, Paulo 
Moura e Nivaldo Ornellas estão entre os músicos que o acompanharam em 13 
canções autorais, como a comovente Romina e Juliano (erroneamente identificada 
como "Romaina" no CD), o choro saudosista Cartinha pro Leblon e Não Tem Solução 
(Dorival Caymmi/Carlos Guinle).


JOÃO NOGUEIRA (1972)


No disco homônimo de estreia, João Nogueira (1941-2000) assina sozinho 7 das 12 
faixas, entre elas, Das 200 Para Lá, gravada antes por Eliana Pittman, e o belo 
samba-choro Mariana da Gente. Nas demais, destacam-se o samba clássico Heróis 
da Liberdade (Silas de Oliveira/Mano Décio da Viola/Manoel Ferreira), pérolas 
de Casquinha e Wilson Baptista e um surpreendente Egberto Gismonti (Pr?Um 
Samba). Ainda imaturo, Nogueira já revelava bom gosto na escolha do repertório 
e o potencial da voz, que se tornaria uma das maiores do samba de seu tempo.


ME AJUDE A MORRER (1980)


Penúltimo álbum de Paulo Sérgio (1944-1980), este disco tem uma aura mórbida, 
já que ele de fato morreu pouco tempo depois, de derrame cerebral, aos 36 anos. 
Emulando o estilo do ídolo Roberto Carlos, Paulo canta várias baladas que 
lembram os anos da já então distante jovem guarda. Apesar do título deprê, o 
disco também tem canções divertidas, como o rockinho Lagartinha (Rossini 
Pinto/Paulo Bruno), o charleston Eu Não Sou o Que Você Está Pensando e o 
samba-pop Minha Madrinha, ambas de Paulo com parceiros.


MOMENTO DE AMOR (1968)


Na contracapa deste LP, um dos imprescindíveis da vasta discografia de Elizeth 
Cardoso (1920-1990), Sérgio Porto escreveu que ela não mereceu impunemente o 
título de Primeira-Dama da Canção Brasileira. Depois de bons anos seguidos mais 
dedicada a dar voz à nova geração do samba, como lembra Porto, a Divina voltou 
"mais enluarada do que nunca". A derramar poesia em cada faixa - não por acaso 
o disco abre e fecha com Vinicius de Morais e Tom Jobim (Derradeira Primavera e 
Insensatez) -, Elizeth canta o então novato Chico Buarque (Lua Cheia e 
Carolina), Sílvio César, Geraldo Vandré, Edu Lobo e Torquato Neto, Eumir 
Deodato e Paulo Sérgio Valle. Arranjos de Ciro Pereira e Luiz Chaves (do Zimbo 
Trio) emolduram de luxo interpretações de cortar os pulsos.


SUPERSTAR (1972)


Em seu único disco na Odeon, Cauby deu uma mexida no repertório tido como 
"cafona", interpretando canções de autores mais sofisticados. Não que tenha 
deixado o romantismo de lado. Aqui ele empresta o vozeirão a Chico Buarque, Tom 
Jobim, Vinicius de Moraes, Caetano Veloso, Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. 
Com a mesma dedicação arrebatada, entrega-se a Roberto Carlos e Erasmo Carlos, 
aos clássicos da velha guarda Chão de Estrelas (Silvio Caldas/Orestes Barbosa) 
e Mulher (Custódio Mesquita/Sady Cabral) e outros menos cotados. Careta ou 
moderno, em tudo transborda o amor por arranjos um tanto modernosos. 
 
 

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