Petry, vc já assistiu o documentário de Jorge Pacoa e o livro de Roberto Mendes 
sobre a chula? São excelentes. Sua dissertação não poderia ter um tema melhor. 
Gostaria de receber informações sobre ela após sua publicação.
Obrigado

Abs
Marcelo Neder




> Camaradas,
> 
>  
> 
> Esse debate o que tem de interessante, tem de complexo,
> pois a discussão sobre a Cultura (Brasileira, Nacional,
> Negra, Popular, Erudita, Letrada, Dominante, de Massa, etc.)
> traz, para além da polissemia do termo Cultura, uma série
> de ambiguidades e contradições que historicamente tem sido
> aceitas, interiorizadas, reproduzidas, transformadas, no
> interior de uma sociedade composta por classes sociais
> distintas, dotadas de sentidos e significados antagônicos,
> com estratégias e táticas diferenciadas de resistirem no
> terreno da hegemonia.   
> 
> Foi o discurso do "tipicamente nacional", por
> exemplo, utilizado por diversos setores da classe dominante,
> que fizeram da feijoada, do samba, do futebol, do
> cristianismo, símbolos de adoração do "povo
> brasileiro", negando, silenciando, manipulando,
> matrizes e referências fundamentais na constituição
> destas expressões. A própria "miscigenação",
> foi alimentada em um determinado momento histórico,
> inclusive com o favorecimento dos imigrantes europeus e
> asiáticos,  para "enbranquecer" a sociedade que
> se queria "civilizada", fosse no seio das
> relações materias ou sexuais de reprodução.
> 
> Gostaria de dispor de mais tempo para participar deste bate
> tecla, no entanto, envolvido com a produção de uma
> dissertação de mestrado sobre o Samba Chula do Recôncavo
> da Bahia, deixo esse comentário para sambar nessa roda
> virtual.
> 
> Sobre as referências solicitadas por Luís acerca dos
> sambas, sugiro o trabalho de Edison Carneiro (Samba de
> Umbigada. Rio de Laneiro: MEC, 1961) que, embora não trate
> de forma aprofundada, é uma das mais importantes
> referências acerca das variedades de samba no Brasil.
> 
> Vibra-sons...
> 
> Petry Lordelo
> 
>  
> 
> > Date: Sat, 21 Feb 2009 01:28:00 -0300
> > From: [email protected]
> > To: [email protected]
> > Subject: Re: [S-C] cultura!?! brasileira?!?
> > CC: [email protected]
> > 
> > Luis, desde já quero desobrigá-lo a responder,
> porque não sei se o
> > farei. Mas já que estou...
> > 
> > Quero a seu pedido explicar: Lambada é o nome da
> dança. Merengue o nome
> > do rítmo que se dança lambada. Não é baião e
> forró...
> > Quanto a forró vir de for all ou forrobodó, o fato
> é que não existe um
> > rítmo nordestino com esse nome. Anula-se,
> característica,
> > história/origens, região em que formou-se cada um,
> num genérico "forró".
> > 
> > "Interessante também comentar que nas festas no
> Nordeste, se ouvia,
> > dependendo da época, schotishs, polca, foxes músicas
> que foram
> > incorporadas à nossa cultura, na forma de choros,
> sambas, xotes,
> > frevos..."
> > 
> > Agora quem não entendeu fui eu. A origem do samba, do
> frevo e do choro
> > são polca e foxes que aliás conheço como afoxé?
> (não confundir com o
> > instrumento)
> > Concordo apenas com schotish que resultou no nosso
> xote com algumas
> > mudanças.
> > 
> > "Quanto a: "Ao mesmo tempo destróem duas
> fontes de cultura negra,
> > identidade
> > sensibilizadora e formadora crítica de toda a
> América.", tomando como
> > exemplo
> > o carnaval carioca e suas influências (festas de
> colheita, corsos,
> > grandes
> > sociedades, desfiles e músicas marciais, danças de
> corte, Zé Pereira,
> > entrudo, bandas regionais, o choro, danças africanas,
> músicas e
> > sapateados
> > indígenas...), pergunto se podemos dizer sem medo de
> errar que alguma
> > manifestação cultural brasileira seja exclusivamente
> de um país, uma
> > região
> > ou um continente?
> > (Acredito que influências diversas, nos compõem, e
> que é muitíssimo
> > descuidado, declarar que uma manifestação cultural
> BRASILEIRA vem
> > desse ou daquele grupo. E que no dia que nos olharmos
> como uma nação
> > MISTURADA,
> > respeitando nossos antepassados, sejam eles negros,
> brancos,
> > indígenas...
> > Seremos mais felizes, fortes e respeitados, pois no
> mundo nenhum
> > país possui a nossa quantidade, qualidade e variedade
> em termos de
> > cultura.)"
> > 
> > ... e aqui coloco o pensamento completo:
> > Assim, enfiaram no reduto do samba, o tecno e chamaram
> de funk. Ao mesmo
> > tempo destróem duas fontes de cultura negra,
> identidade sensibilizadora
> > formadora crítica de toda a América.
> > 
> > Para confirmar o que você disse sobre povo misturado,
> lembro da parte
> > africana.
> > 
> > Se o foxe e polca foram "incorporados à nossa
> cultura na forma de samba,
> > choro, frevo", qual a influência que semba e
> jongo tiveram sobre o
> > samba. Aliás devo também lembrar que o choro foi um
> genérico do século
> > XIX formado por polca, modinha e samba.
> > 
> > Digo sem medo de errar que nossas músicas, nossos
> rítmos são só nossos.
> > Se sofreram influências, tranformaram-se aqui, no
> nosso solo, nosso
> > clima, nossa pluviosidade, fluviosidade, relêvo.
> Brasileiro tem cara de
> > brasileiro. Já fui identificado como brasileiro fora
> do Brasil, sem
> > falar, por quem nunca esteve aqui. Pergunte ao João
> Ubaldo Ribeiro como
> > é.
> > Lembro-lhes que nas primeiras formações orquestrais
> européias era usada
> > a percussão turca, que muito influenciou a rítmica
> clássica ocidental.
> > Nem por isso citamos clássicos europeus como
> turco/europeus. Aliás o
> > Brasil tem disso. Europeu é patriota, brasileiro é
> xenófobo.
> > 
> > Quando citei os americanos falava de funk-soul, estilo
> americano, muito
> > bom por sinal. Não citei pejorativamente. Só para
> lembrar que o que
> > chamam de funk é técno-music, também americano.
> > Funk é Tim Maia, Cruzaders. Já ouviram Funk Como Le
> Gusta, banda
> > paulistana?
> > Lá na América, como dizia Monteiro Lobato, é
> verdade, existe a tal gota
> > de sangue negra ou índia. È declarado. Por isso
> Obama é considerado
> > negro lá. Aqui isso não existe. Temos aqui o racismo
> velado, aquele que
> > ninguém diz que é, temos o negro de alma branca, as
> negras louras, de
> > cabelo liso pra ficar "mais bonita", os
> narizes diminuidos à bisturí...
> > 
> > De um miscigenado brasileiríssimo que ama o Brasil e
> sabe que é maioria,
> > apesar do IBGE e da tv.
> > 
> > Abraços,
> > 
> > Iberê Roza.
> > 
> > 
> > 
> > > Mensagem Original:
> > > Data: 20:54:49 20/02/2009
> > > De: LF - listas <[email protected]>
> > > Assunto: Re: [S-C] cultura!?! brasileira?!?
> > 
> > > Ô Joel, beleza de comentários, do tipo merece
> todo respeito.
> > > Concordo com a parte de fazer o que se gosta cada
> vez melhor e concentrar esforços nisso. Eventualmente temas
> se misturam como já vimos aqui (samba e futebol,
> política...) e acho que devemos deixar espaço para algumas
> janelas - não boicotar temas paralelos, apenas deixar fluir
> que o assunto logo volta à se concentrar no bom e velho
> samba.
> > > Não concordo, no entanto, que o fuque seja uma
> via em que a turma marginalizada se expressa e manifesta
> seus desencantos. Tenho um vizinho que toca todo dia e não
> ouvi uma sequer que tenha sido manifestação de desencanto.
> O que tenho "acesso" é só violência e
> pornografia.
> > > Bem, voltemos ao samba: estou pesquisado as
> danças chamadas samba, se os companheiros puderem me
> ajudar, agradeceria muito.
> > > Atenciosamente,
> > > Luís Florião
> > >
> > >
> > > ----- Original Message -----
> > > From: JOEL
> > > To: LF - listas
> > > Sent: Friday, February 20, 2009 9:45 AM
> > > Subject: Re: [S-C] cultura!?! brasileira?!?
> > >
> > >
> > > Alô pessoal,
> > > Eu acho que a melhor forma de combater o que não
> nos agrada é fazermos bem e cada vez melhor o que nos
> agrada. Por exemplo: se a invés de estarmos falando do fank
> (tem lá suas virtudes por ser a via em que a turma
> marginalizada se expressa e manifesta seus desencantos)
> devíamso estar falando dos grande sambas, reproduzindo
> letras e espaços para conhecermos, ouvirmos, lermos as
> letras do bom samba. Ou seja, descontruir nem sempre
> constrói.
> > > Outra coisa que precisamos verificar é que,
> quando o movimento marginal se solidifica, mundam-se o(a)s
> personagens na miserável telinha e os criadores ou
> incentivadores ou precursores ficam de fora. na Bahia a
> negritude é maioria absoluta mas quem faz sucesso são as
> lourinhas, não é mesmo? O que fazer? Produzirmos,
> apoiarmos a base apra que ela não seja tragada pelso
> interesses da mídia padronizada em tudo.
> > > Meu negócio é samba!!!
> > > Quanto aos demais gêneros... respeito.
> > > Joel
> > > Brasília/DF
> > >
> > >
> > > 2009/2/19 LF - listas <[email protected]>
> > >
> > > Olá companheiros de lista,
> > >
> > >
> > > Acompanho frequentemente as conversas, mas sem me
> dar o direito de
> > > escrever, para não ficar na obrigação de
> responder aos que comentarem sobre as minhas idéias e
> opiniões (ou me
> > > xingarem rs) . É que estou envolvido em alguns
> projetos que me ocupam todo o tempo que
> > > estou acordado..
> > >
> > > Nesse caso resolvi abrir uma exceção, pois são
> três temas juntos que me
> > > mobilizam muito: as danças de salão, o samba no
> pé e o fuque (funk).
> > >
> > > Pensemos pelo lado positivo da coisa, melhor a
> Joelma no Galo da Madrugada que a vovó
> > > Tati Quebra Barraco (rs).
> > >
> > > Iberê, você pode explicar o que você quis
> dizer com "Lambada é uma dança,
> > > o nome do ritmo é merengue."?
> > >
> > > Quanto ao forró, gostaria de considerar...
> > >
> > > A palavra forró vem de forrobodó (seguem
> algumas informações para os
> > > interessados no fim dessa mensagem), não de for
> all. (Creio que a música For
> > > All foi mais importante para a difusão dessa
> lenda que o filme com o mesmo
> > > nome.) Como sabemos, uma mentira contada mil
> vezes torna-se verdade.
> > >
> > > Outra informação relevante é que quem começou
> a usar o termo forró, que desde muito
> > > tempo designa baile, para um tipo de música, foi
> o Luiz Gonzaga - segundo ele, um tipo de baião com mais
> molho.
> > >
> > > Interessante também comentar que nas festas no
> Nordeste, se ouvia,
> > > dependendo da época, schotishs, polca, foxes
> músicas que foram
> > > incorporadas à nossa cultura, na forma de
> choros, sambas, xotes, frevos...
> > >
> > > Outro ponto, o fuque.
> > >
> > > Fico realmente muito triste quando a Tati é
> contratada pelo (des)governo brasileiro para representar a
> mulher brasileira na
> > > Europa e quando não se prende (pela Maria da
> Penha) os responsáveis pelas
> > > músicas que incitam a violência contra a mulher
> (sem falar nas outras
> > > atrocidades que sou obrigado a ouvir sem querer).
> > >
> > > Odiei saber que teve fuque no Caldeirão junto
> com o samba no pé, mas essa
> > > mistura não é novidade, já soube da presença
> do "Cão" diversas vezes nas
> > > quadras, na avenida, na região dos lagos, até
> em Porto Seguro soube que toca
> > > fuque. Felizmente proibiram o axé e o fuque em
> algumas cidades de Minas,
> > > preservando as marchinhas, o samba...
> > >
> > > Aproveito para colocar uma lenha das grandes para
> o período de Momo:
> > > Quanto à "Ao mesmo tempo destróem duas
> fontes de cultura negra, identidade
> > > sensibilizadora e formadora crítica de toda a
> América.", tomando como exemplo
> > > o carnaval carioca e suas influências (festas de
> colheita, corsos, grandes
> > > sociedades, desfiles e músicas marciais, danças
> de corte, Zé Pereira,
> > > entrudo, bandas regionais, o choro, danças
> africanas, músicas e sapateados
> > > indígenas...), pergunto se podemos dizer sem
> medo de errar que alguma
> > > manifestação cultural brasileira seja
> exclusivamente de um país, uma região
> > > ou um continente?
> > >
> > > (Acredito que influências diversas, nos
> compõem, e que é muitíssimo
> > > descuidado, declarar que uma manifestação
> cultural BRASILEIRA vem desse ou
> > > daquele grupo. E que no dia que nos olharmos como
> uma nação MISTURADA,
> > > respeitando nossos antepassados, sejam eles
> negros, brancos, indígenas...
> > > Seremos mais felizes, fortes e respeitados, pois
> no mundo nenhum país possui
> > > a nossa quantidade, qualidade e variedade em
> termos de cultura.)
> > >
> > > Outra lenha: porque reclamamos tanto da pressão
> exercida pelo poder
> > > econômico dos Estados Unidos e passamos todo o
> tempo copiando os mesmos e
> > > colaborando para que eles tenham mais sucesso?
> > > Que tal iniciarmos uma campanha que inclui coisas
> simples como:
> > > 1. Parar de falar "os americanos" para
> denominar os estadunidenses, pois os latino americanos e os
> canadenses também são;
> > > 2. Buscar ouvir e tocar em festas que promovamos
> prioritariamente as "nossas músicas";
> > > 3. Oferecer em projetos destinados à comunidades
> mais carentes (economicamente)
> > > samba, forró, frevo e outras músicas, já
> consideradas brasileiras, em troca
> > > do Hip-Hop, por exemplo;
> > > 4. Evitar ao máximo comprar produtos dos Estados
> Unidos, dinheiro esse que vira
> > > arma, eternamente apontada para o resto do mundo
> (nos esforçar,
> > > especialmente, para comprar produtos
> brasileiros);
> > > 5. Passar férias no Brasil - evitando a maçã
> (NY), por exemplo;
> > > 6. Parar de chamar o Obama de primeiro presidente
> negro, já que ele é também 50%
> > > branco. (Não chamar nem mesmo de afro
> descendente, a não ser que chamemos,
> > > para sermos minimamente coerentes, de
> afroeurodescendente) (estaríamos
> > > corroborando com uma idéia estúpida e racista
> dos estadunidenses (brancos e
> > > negros) onde uma gota de sangue negro, indígena,
> latino... transforma a
> > > pessoa em negro), ;
> > > 7. Evitar falar e escrever com estrangeirismos:
> como já disse um filósofo contemporâneo:
> > > halloween é o cacete!
> > >
> > > Abraços polêmicos a todos.
> > >
> > > Luís Florião
> > >
> > > ps.: Alguém tem alguma informação (livros,
> teses, imagens antigas...) sobre
> > > os distintos tipos de samba no pé? (samba duro,
> samba de coco, samba
> > > espanhol, sambas latino americanos, samba dos
> Cariris, samba de passista
> > > masculino, samba de passista feminino, samba de
> mestre sala, miudinho...)
> > >
> > >
> > > ----- Original Message -----
> > > From: "Caio Tibúrcio"
> <[email protected]>
> > > To: "iroza" <[email protected]>
> > > Cc: "tribuna"
> <[email protected]>
> > > Sent: Wednesday, February 18, 2009 7:10 AM
> > > Subject: Re: [S-C] Fw: Portela no Caldeirão.....
> > >
> > >
> > > !!!
> > >
> > > Caio Tiburcio
> > >
> > >
> > > De:[email protected]
> > >
> > > Para:"Caio Pontual-Globo"
> [email protected]
> > >
> > > Cópia:"Tribuna"
> [email protected],"Gabriel Sousa"
> > > [email protected]
> > >
> > > Data:Tue, 17 Feb 2009 23:57:50 -0300
> > >
> > > Assunto:Re: [S-C] Fw: Portela no Caldeirão.....
> > >
> > > > Pior que isso tudo é que não é funk, que
> vem do movimento funk-soul
> > > > americano, que é a expressão negra do rock
> americano, ou seja o rock com
> > > > balanço que influenciou os americanos.
> Eles, globalizantes banqueiros
> > > > néo-liberais (tudo o que puderem fazer para
> acabar com as
> > > > culturas-nações do mundo), querem enfiar
> no Brasil o rock inglês, que é
> > > > o duro, sem graça (não sensibiliza, não
> torna criativo, crítico. Só
> > > > política panfletaria, qdo não é pura
> lavagem cerebral). Aliás a intenção
> > > > e deturpar tudo que é cultura (querem que
> todos acreditemos que só
> > > > existe dinheiro, o único valor, justamente
> o que não se calça, não se
> > > > come, não se mora, não se anda). O nome é
> tecno e milhões de dólares
> > > > fizeram ele chegar até nossos morros
> (existe um jornal do Paraguai
> > > > denunciando isso). Lambada é uma dança, o
> nome do rítmo é merengue.
> > > > Forró é um baile, for all, inventado para
> descaracterizar os ritmos
> > > > nordestinos, baião, xote, frevo, maracatú
> de baque solto, maracatú de
> > > > baque virado, boi da ilha, boi de matraca,
> tambor de crioula, num
> > > > genérico forró. A imprensa é deles. Os
> políticos ou são seus testas ou
> > > > não querem perder a mamata, ou estão
> fazendo o que podem contra tudo e
> > > > contra todos.
> > > > Assim enfiaram no reduto do samba o tecno e
> chamaram de funk. Ao mesmo
> > > > tempo destróem duas fontes de cultura
> negra, identidade sensibilizadora
> > > > e formadora crítica de toda a América.
> > > > Abraços,
> > > > Iberê Roza.
> > > >
> > > >
> > > >
> > > >
> > > >
> > > > > Mensagem Original:
> > > > > Data: 10:06:48 16/02/2009
> > > > > De: Caio Pontual-Globo
> > > > > Assunto: Re: [S-C] Fw: Portela no
> Caldeirão.....
> > > >
> > > > > Gabriel, minha questão não está
> focada na questão do funk em si, isso já
> > > > > é outra discussão, mas na questão de
> se querer modificar e impor uma
> > > > > relação estético/artística que não
> existe, de querer misturar coisas que
> > > > > não são naturalmente misturáveis, ou
> seja, em suma, forçar a barra,
> > > > > deturpar algo que já está bastante
> atingido por influências alienígenas
> > > > > que só prejudicam e não acrescentam
> nada ....
> > > > >
> > > > > Um abraço.
> > > > > Caio Pontual
> > > > > ----- Original Message -----
> > > > > From: Gabriel Sousa
> > > > > To: Caio Pontual-Globo
> > > > > Sent: Sunday, February 15, 2009 1:28 PM
> > > > > Subject: Re: [S-C] Fw: Portela no
> Caldeirão.....
> > > > >
> > > > >
> > > > > Agora respondendo só pra você.
> > > > >
> > > > >
> > > > > É Caio, a Globo sempre faz e sempre
> fez o que quer. Mas a verdade é que
> > > > > existem certas "invasões"
> culturais que são inevitáveis. Eu já fui muito
> > > > > radical contra o funk, hoje não mais.
> Não por achar que existe alto
> > > > > nível cultural em suas letras, ou por
> achar que é mais uma grande
> > > > > criação da musica brasileira, mas
> simplesmente por ver que existe uma
> > > > > realidade de vida que eu não entendo,
> mas que é fato que cada um desses
> > > > > funkeiros vivem diariamente.
> > > > >
> > > > >
> > > > > Todos nós cantamos o nosso dia-a-dia.
> Cantamos situações que passamos,
> > > > > seja amor, seja ódio. E essas letras
> vulgares ou não, sempre descrevem
> > > > > exatamente o que eles pensam
> diariamente, pois basta parar 
> > > pra conversar
> > > > > com um e parece que as letras dessas
> músicas são os únicos assuntos que
> > > > > eles tem para falar. É mais uma
> deficiência social do que qualquer outra
> > > > > coisa e é importante entendermos isto.
> Eu venho de Bangu, zona oeste do
> > > > > Rio, não moro mais lá, mas tenho
> grandes amigos de infância que
> > > > > demonstram exatamente isso para mim.
> > > > >
> > > > >
> > > > > No fundo concordo sobre essa mania da
> Globo de querer enfiar idéias na
> > > > > guela do povo.
> > > > >
> > > > >
> > > > > forte abraço.
> > > > >
> > > > >
> > > > > 2009/2/15 Caio Pontual-Globo
> > > > >
> > > > > Não acho que eu deva deixar o funk em
> paz ..... eu estou criticando a
> > > > > Globo por fazer uma inserção de um
> rítmo que não tem nada a ver com
> > > > > carnaval e ficou uma coisa muito
> forçada...... é o mesmo que alguns
> > > > > estão tentando fazer por aqui de botar
> o rock no meio do povão para
> > > > > atrair metaleiro para uma festa que tem
> e deve ter uma tradição, com
> > > > > seus rítmos próprios, folguedos que
> se originam de uma cultura realmente
> > > > > popular. É o mesmo que botar como
> fizeram por aqui no Galo da Madrugada,
> > > > > colocar a Banda Calypso (?) e dizer que
> eles vão tocar e cantar frevo,
> > > > > isso é jogada e eu não concordo com
> essas figuras que forçam a barra
> > > > > para aproveitar uma "onda" e
> distorcer as coisas que já são boas e belas
> > > > > como são......
> > > > >
> > > > > Abs.
> > > > > Caio Pontual
> > > > > ----- Original Message -----
> > > > > From: Gabriel Sousa
> > > > > To: Caio Pontual-Globo
> > > > > Cc: Tribuna
> > > > > Sent: Saturday, February 14, 2009 6:32
> PM
> > > > > Subject: Re: [S-C] Fw: Portela no
> Caldeirão.....
> > > > >
> > > > >
> > > > > Caio,
> > > > >
> > > > >
> > > > > Não sei se você sabe, mas no Rio de
> Janeiro já faz anos, anos que o funk
> > > > > está sim presente em todo o Carnaval,
> muito presente até :D
> > > > >
> > > > >
> > > > > De qualquer forma, estamos aqui para
> falar de samba, pois somos
> > > > > amantes de samba. Vamos deixar o funk
> em paz...
> > > > >
> > > > >
> > > > > Abraços,
> > > > >
> > > > >
> > > > > 2009/2/14 Caio Pontual-Globo
> > > > >
> > > > >
> > > > >
> > > > >
> > > > > Portela deu um banho de beleza e samba
> no Caldeirão do Hulk (nem sei se
> > > > > é assim que se escreve) com uma
> passista que é um verdadeiro
> > > > > monumento...... só que sem mais nem
> menos ele (o Luciano) "inventa" de
> > > > > meter um funk na história ... tô pra
> ver forçação(?) de barra maior ....
> > > > > quis dar a entender que esse rítmo
> agora é considerado rítmo de
> > > > > carnaval, dá pra engolir isso? Mais
> uma do plim plim ........
> > > > >
> > > > > Abs.
> > > > > Caio Pontual
> > >
> > > DOIS DEDOS DE PROSA SOBRE O FORRÓ
> > >
> > >
> > >
> > > Forró - A Música
> > > Para definir as bases do forró temos que falar
> um pouco do baião. A palavra
> > > baião que pode significar baiano, bailão ou
> bailar, designava,
> > > originalmente, uma introdução, um
> "aquecimento" que dois ou mais cantores
> > > faziam para esperar a inspiração e só então
> começar a cantar para valer,
> > > revezando-se em repentes e músicas regionais
> para animar as festas e
> > > encontros.
> > > O grande Luiz Gonzaga foi o responsável por
> fazer do baião um gênero
> > > musical, ao desenvolver aquela introdução,
> criando, gravando e difundindo o
> > > baião, já como música inteira, não mais
> limitada ao som da viola do
> > > cantador, mas com letra, arranjo e toda
> orquestração sertaneja.
> > > Foi também Luiz Gonzaga quem desenvolveu o
> estilo musical que hoje
> > > conhecemos como forró quando deu molho, balanço
> e tornou o ritmo do baião -
> > > que é mais quadrado - mais picado e acelerado.
> > >
> > >
> > >
> > > Forró - A Festa
> > > Se você for convidado para ir a um forró, vá!
> Todo mundo sabe que ir ao
> > > forró é ir a um local onde acontece um baile
> com música, dança e muita
> > > alegria. Mas por que forró?
> > > "Foi o maior forrobodó" - significava
> ter sido a maior bagunça, desordem...
> > > Alguns historiadores afirmam que a palavra forró
> veio de forrobodó,
> > > demonstram ainda que a palavra forrobodó era
> usada antes do final do século
> > > XVIII (*1) como designação de baile ou festa
> com danças e cantorias.
> > > Importantes etimólogos acrescentam que a palavra
> forró veio do francês
> > > faux-bourdon e que depois de algumas corruptelas
> resultou em forbodó, termo
> > > usado na Galícia e em Portugal para designar um
> tipo de baile sem graça,
> > > assim, para estes a palavra teria origem
> pejorativa, como também acontece
> > > com "gafieira" que designava um local
> onde se cometem gafes.
> > > Geraldo Azevedo difundiu, na sua música
> "For All Para Todos", que a
> > > denominação forró surgiu quando da
> inauguração da primeira estrada de ferro
> > > brasileira, por ter a Great Western promovido uma
> festa com livre 
> > > acesso a
> > > todos - em inglês "for all" - e que o
> povo acabou mudando a pronúncia.
> > > No filme brasileiro "For All" a versão
> acima foi contestada, já que o termo
> > > teria surgido no tempo da Segunda Guerra Mundial,
> quando uma base militar
> > > americana instalada no Brasil promovia as festas
> "for all".
> > > Importantes historiadores afirmam que estas duas
> versões são histórias
> > > interessantes, porém pura fantasia. Dizem que se
> esse fosse o caso as
> > > pessoas tenderiam a falar foral, ou até foró,
> mas não forró que tem
> > > pronúncia mais elaborada.
> > > Independente de quem está com a razão, é certo
> que pelos forrós do Brasil
> > > dançou-se muita mazurca, polca, xote, xaxado e
> coco e mais modernamente o
> > > baião e o forró encontraram também seu apogeu
> nesses democráticos espaços.
> > >
> > >
> > >
> > > Forró - A Dança
> > > De um grande leque de danças chamadas forró,
> como o estilizado, o de Itaúnas
> > > e o universitário e/ou dançadas ao som de
> músicas chamadas forró como o
> > > miudinho, o xote bragantino e o rastapé,
> ressalto o forró tradicional que
> > > conheci sendo dançado no nordeste e que
> posteriormente observei também em
> > > algumas escolas de Dança de Salão no sudeste e
> centro-oeste. O tradicional é
> > > sensual e alegre, caracteriza-se por movimentos
> muito marcados, 
> > > fortes, bem
> > > definidos que lembram, em alguns momentos,
> danças indígenas. Foi
> > > influenciado por diversos folguedos e danças
> populares, tais como o xaxado,
> > > o xote, o frevo e o baião, sendo que,
> interessantemente sua base principal
> > > (o pisa o milho) é muito semelhante ao carimbó.
> > > Recentemente jovens passaram a dançar ao som do
> forró "pé de serra" (que
> > > geralmente é tocado com zabumba, triângulo e
> sanfona) o forró universitário:
> > > uma mistura de estilos que muito tem a ver com a
> salsa e o "soltinho".
> > > Por outro lado, com o surgimento do forrock -
> forró executado com
> > > aparelhagem de som eletrônica e sintetizador, em
> cidades como Fortaleza e
> > > Recife passou-se a dançar o que seria o
> "forró estilizado" e que é muito
> > > mais próximo da lambada moderna. Esses dois
> últimos fenômenos têm sua
> > > importância na medida que atraíram os jovens
> para os salões e fizeram uma
> > > nova difusão do forró.
> > > Por todo Brasil encontramos danças praticadas ao
> som do forró ou
> > > influenciadas pela dança do forró. Algumas
> tornam-se tão diferentes da
> > > original que acabam ganhando outro nome ou
> terminação.
> > >
> > >
> > >
> > > Espera-se que a renovação, o desenvolvimento e
> a evolução de qualquer
> > > manifestação artística respeite suas bases e
> raízes. Só assim se mantém a
> > > tradição e a cultura de um povo. A dança, por
> ser uma arte de movimento
> > > exige especial atenção na sua preservação. O
> problema não está na
> > > continuação e nas mudanças, mas na ruptura, no
> aprendizado errado das
> > > características de cada modalidade. Isso sim
> pode e costuma causar
> > > distorções maléficas.
> > >
> > >
> > >
> > > Luís Florião
> > >
> > >
> > >
> > > *1 - registrado no dicionário de Cândido
> Figueiredo, de 1899, que a define
> > > como "baile reles". A forma reduzida
> 'forró' aparece menos de vinte anos
> > > depois, em 1913, como sinônimo de forrobodó.
> > >
> > >
> > >
> > >
> > > Bibliografia:
> > > A origem curiosa das palavras - Márcio Bueno;
> > > O Forró - Gilberto Gil;
> > > Novo Dicionário da Língua Portuguesa - Aurélio
> Buarque de Holanda;
> > > A festa que virou gênero musical - Tárik de
> Souza;
> > > A História do forró - Revista Forró Mania;
> > >
> > >
> > >
> > > Entrevistas e pesquisas de campo também ajudaram
> a construir esse trabalho.
> > >
> > >
> > >
> > > Interessantes fontes que devem ser consultadas
> por aqueles que 
> > > queiram saber
> > > mais, sendo que também serviram para a
> elaboração deste trabalho: Dicionário
> > > do Folclore Brasileiro de Câmara Cascudo e os
> trabalhos dos pesquisadores
> > > Eleuda de Carvalho e Alberto Ikeda.
> > >
> > >
> > >
> > >
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