Companheiros, vejam a bela matéria que o jornal Zero Hora, do Rio Grande do
Sul, publicou sobre um dos maiores nomes do choro daquele estado, Octávio
Dutra. A reportagem é de Daniel Feix.
Será que alguém sabe onde se enncontra músicas de Octavio Dutra para baixar ou
para ouvir?
um grande abraço!
“Memórias do choro
Longa-metragem recupera a história de Octávio Dutra, um dos precursores da
música popular urbana gaúcha do século 20
O ambiente foi cuidadosamente montado para lembrar um botequim do centro de
Porto Alegre da primeira metade do século 20 – com seu parquê de madeira nobre
sob as mesas surradas e as garrafas de cachaça barata. Quem desponta em meio a
esse cenário, no entanto, são dois exemplares gaúchos do que há de melhor na
música brasileira do século 21 – Yamandu Costa, 29 anos recém-completados, e
Pedro Franco, chorador que neste 2009 chegará aos... 18 anos de idade.
– Assume a música. Sem medo – dizia o mais velho, violão em punho, improvisando
sobre a valsa Diamantina, do lendário músico gaúcho Octávio Dutra (1884 –
1937). Em vez de falar, Franco respondia com o bandolim. Arrancava sorrisos de
satisfação de Yamandu.
Diamantina era o nome da mulher de Dutra, a quem o maestro, compositor e
violonista homenageou em diversas outras oportunidades (leia mais sobre ele na
página ao lado). Depois da canção de amor, os dois jovens virtuoses ainda
duelariam em Sai da Frente, outra de suas mais conhecidas músicas.Ambas,
Diamantina e Sai da Frente, foram as duas últimas, de um total de 16, a serem
gravadas por convidados para o longa-metragem Espia Só – entre eles, além de
Yamandu e Pedro Franco, Hique Gomez, Daniel Wolff e Plauto Cruz.
O filme, um documentário que intercala números musicais e depoimentos, foi
rodado pelo diretor Saturnino Rocha e os produtores Carlos Peralta e Vera Riet
(mesmo trio do média-metragem Tango – Uma Paixão, de 2008) durante o mês de
março, na Capital. O set montado em um pé-sujo da Duque de Caxias, localizado
entre a Marechal Floriano e o Viaduto Otávio Rocha, recebeu a última noite de
filmagens, terça-feira. O que explica os ruidosos aplausos ao fim de cada take
– além de presenciar um estimulante duo entre Yamandu e Pedro Franco, a equipe
estava celebrando o final de uma pequena maratona.
– Nossa ideia era fazer um média, como Tango. Mas as canções e as entrevistas
ficaram tão boas, e o Arthur de Faria (diretor musical) foi escrevendo novos
arranjos para mais e mais músicas, que acabamos estendendo o projeto – conta
Rocha. – O desafio, agora, é montar o filme em 70 ou 80 minutos sem passar
muito do orçamento inicial, de R$ 411 mil. Queremos mostrar como se pode fazer
um longa-metragem bem-produzido, gravado em vídeo digital de alta resolução,
com menos de R$ 500 mil.
“ZH teve acesso a imagens, ainda brutas, do material rodado nas noites
anteriores. E pôde atestar a qualidade da produção, do desenho de som de Kiko
Ferraz à fotografia de Jorge Henrique Boca, passando pela direção de arte de
Gilka Vargas e Iara Noemi. Sonora e visualmente, Espia Só, o filme, parece
estar à altura do requinte de Octávio Dutra.
– Suas músicas eram ricas, complexas. E tinham uma marca registrada – diz
Arthur de Faria. – Nos dias que antecederam sua participação no filme, Yamandu
chegou a me ligar dizendo que havia algo errado na partitura de uma canção.
Tive de explicar que era assim mesmo, que Dutra conjugava frases musicais às
vezes dissonantes entre si, à primeira vista de fato estranhas, mas que depois,
tocadas em conjunto, revelam-se altamente sofisticadas.
A ideia dos realizadores não é fazer o filme percorrer festivais – nem mesmo
lançá-lo quase simultaneamente em DVD, como ocorreu com Tango. Mesmo que a
distribuição nas locadoras já esteja praticamente acertada com a Versátil,
Espia Só deve, conforme o desejo de seus autores, ter ao menos um pouco mais de
chances no circuito das salas de cinema. Até onde, é claro, o mercado permitir.
Veja o vídeo de um chorinho de Octávio Dutra no blog de cinema de ZH:
www.zerohora.com/primeirafila”
“Pioneiro em várias frentes
"Era 1900. Em determinado momento do ano, o quase menino Octávio Dutra dava os
últimos retoques em sua primeira música, singelamente intitulada Valsa nº 1.
Uma valsa 100% brasileira, 100% gaúcha, 100% porto-alegrense. Sem que soubesse,
nesse exato instante, começava por estas plagas musicais, definitivo, o século
20."
É assim que Arthur de Faria abre seu “Um Século de Música no RS”, livro lançado
junto com uma coleção de cinco CDs que passam a limpo a produção musical até o
início dos anos 2000.
Octávio Dutra não foi apenas um adolescente – que naquele histórico 1900 tinha
15 anos – a compor o marco inicial do cancioneiro gaúcho no século passado.
Foi, e essa é uma afirmação unânime dos pesquisadores que se aventuram pelos
primórdios da música produzida no Rio Grande do Sul, “o” cara da época.
Registrou, número espantoso para seu tempo, quase 500 composições próprias,
sobretudo valsas e choros. Foi um mestre de quase todos os grandes músicos das
gerações seguintes à sua. E também o primeiro compositor local de jingles. Mais
que isso, foi o primeiro diretor musical da Rádio Gaúcha, o homem a comandar a
programação da emissora entre 1927 e 1934. E, ainda, um dos principais
vendedores de discos à época – não só no Estado, mas em todo o Brasil, como em
1913, quando a valsa “Celina” vendeu a extraordinária quantidade de 40 mil
bolachas.
Naquele mesmo ano, aliás, diz Arthur de Faria citando o jornal carioca A Noite
como fonte, Dutra bateu o recorde nacional de músicas gravadas – das 200
registradas no país em 1913, 30 eram suas. "Com isso (referência à quantidade
de gravações genuinamente brasileiras)", prossegue o texto do periódico (a
grafia é a da época), "vão sendo suplantadas as músicas importadas, que para
aqui eram trazidas nas peças “theatraes”. A música do “theatro” está sendo
desbancada pela do phonógrapho".
O que não impediu Dutra de compor para revistas teatrais. E de dirigir alguns
dos chamados cordões carnavalescos. E até de montar espetáculos musicais, como
uma – ousada – adaptação da ópera “O Guarani”, de Carlos Gomes, para orquestra
de violões, bandolins e cavaquinhos, que foi levada ao Theatro São Pedro.
Dutra nasceu em 3 de dezembro de 1884. Originário de uma família de posses,
conta seu biógrafo, Hardy Vedana, teve sólida formação erudita no Instituto de
Belas Artes. Dominava inúmeros instrumentos, especialmente os de cordas – e
mais especialmente ainda o violão. Seu quarteto Terror dos Facões, apontado
como um dos precursores do choro brasileiro, era o que o instrumento oferecia
de melhor no país à época – inclusive na comparação com o célebre Oito Batutas,
de Donga e Pixinguinha. O próprio nome (“facão” era gíria para o instrumentista
ruim) já deixava claro que quem não era de fato bom não conseguiria reproduzir
com eficiência a riqueza das melodias criadas pelos quatro violonistas – Dutra,
é claro, à frente deles.
O bandleader chegou a trabalhar como funcionário público, nos Correios. Mas,
sobretudo devido a dívidas familiares, morreu pobre, aos 53 anos, em 1937. Se
hoje é menos conhecido do que deveria, não é por falta de esforço de alguns
abnegados – como a equipe do documentário “Espia Só” (nome de uma de suas
canções mais conhecidas).
O que existe de Octávio Dutra em livro:
“Octávio Dutra na História da Música de Porto Alegre” é o título da biografia
que o maestro Hardy Vedana lançou em 2000. A edição é do próprio autor, com
financiamento do Fumproarte. São 168 páginas contando a história de Dutra
permeada por imagens raras – como a de partituras originais e manuscritos do
biografado. Outra obra que faz referência ao músico é a série de fascículos “O
Som do Sul – A História da Música do Rio Grande do Sul no Século 20”, escritos
por Henrique Mann e lançados em 2002.
O que existe sobre Octávio Dutra em CD:
Além das coletâneas, como “Um Século de Música no RS (2001)”, de Arthur de
Faria, e a série “Música Instrumental Brasileira – Primeiras Gravações”, do
Instituto Moreira Salles (2006), há um único CD disponível com algumas das suas
principais canções: “Espia Só – As Músicas de Octávio Dutra (2003)”. O disco,
que tem no total 15 faixas, foi lançado pelo duo Retrato Brasileiro (Márcio de
Souza e Nivaldo José), com financiamento do Fumproarte e distribuição do selo
Revivendo. O encarte traz um texto analítico de Márcio de Souza – que trabalha
numa tese de doutorado sobre Dutra.
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