Hoje, no C'est si bon Crêperie, 408 sul, em Brasília, Roda de Choro sob
coordenação do Senhor José Américo, pai de o "Dois de Ouro" (Hamilton de
Holanda e Fernando César), com início previsto para as 20 horas e 30 minutos.
Produção da Naná Maris.
Logo abaixo, um interessante depoimento do Senhor José Américo.
Na roda de hoje, além do José Américo - violão 6 cordas, teremos as presenças
de: Fernando César - 7 cordas, Bruno - sax tenor e alto, Dudu Maia - bandolim,
Valerinho - cavaquinho e Júnior Viegas - pandeiro.
"Estes experientes músicos, sob a coordenação do Sr. Américo irão revitalizar
clássicos de choros, com a leveza e a descontração de uma Roda entre amigos.
Nesta reunião, a participação de cada músico é marcada pelo bom gosto,
virtuosismo e pela improvisação, mostrando bem a riqueza do choro através das
gerações. No repertório, compositores como Pixiguinha, Jacob do Bandolim,
Paulinho da Viola, Nelson Alves, Cartola, Waldir Azevedo, Nelson Cavaquinho e
Hamilton de Holanda, entre outros." - Naná Maris Produções.
Eis o anunciado relato do do Sr. Américo:
"Cheguei a Brasília no mês de fevereiro de 1977. Vinha do Rio com a família, e,
na bagagem, meu violão.
Como experiência no instrumento somava meu aprendizado auto didata e minhas
vivências com os amigos que ia encontrando nas serestas, como aconteceu em
Natal, onde vivi durante oito anos. Antonio Arapiraca foi um destes amigos.
Baiano, um excelente violonista, era da escola clássica. Aprendi muito com ele.
Foram muitas serenatas na década de 50, serestas e rodas de samba. Outros foram
os meus estimados amigos do quarteto 'Os Melodistas' . Um grupo vocal onde eu
fazia um dos violões com o Antonio Duarte, o Bila. Ewaldy e o Givaldo eram os
outros dois melodistas. Era um interessante quarteto vocal no qual todos
cantavam, e que se apresentou algumas vezes nas rádios potiguá.
A cidade de Natal - RN tinha a tradição de formar conjuntos vocais. Existiram
muitos grupos, o mais famoso é o 'Trio Irakitan', em atividade até hoje.
Agnaldo Rayol, antes de se tornar um cantor de sucesso internacional, fez parte
de um desses conjuntos, o "Trio Puracy" nos idos de 1954 a 1956. Meu caro amigo
Francisco Elion Caldas Nobre, ou apenas Chico Elion, poeta, músico e compositor
me convidou para fazer parte do seu conjunto instrumental entitulado 'ACAIÁCA',
mas ele queria para tocar o baixo acústico. E lá fui eu, pois quem toca o
violão de seis aprende rápido o contrabaixo, ainda mais que era para acompanhar
sambas-canção e boleros.
Tocávamos em clubes da capital potiguá e em cidades do interior. A sua formação
constava de piano, clarineta, guitarra, bateria, crooner, contrabaixo e
percussão.
Após uma dessas tocatas, uma pessoa na platéia, me procurou após o show e me
perguntou se eu poderia dar aula de violão para a sua filha, então com dez ou
onze anos. Dei as aulas por alguns meses, isso no início da década dos anos 60.
Mais de vinte anos se passaram e vim saber que aquela menina havia se
transformado na excelente cantora Jane Duboc, de renome nacional e
internacional.
Embora tenha chegado a Brasília em 1977, só fui conhecer o Clube do Choro em
1980. Fiquei realmente muito impressionado com o nível dos músicos e com a
música que estava escutando. Aquino na clarineta, Elias no cavaquinho (um
assombro), Luizinho no sax tenor, Pernambuco do pandeiro, Evandro no
cavaquinho, Dedé e Alencar no 7 cordas; Tio João no trombone e as vezes no
surdo; Bide na flauta. Bom demais! Nessa época existia a "Roda de Choro" que,
como se sabe, dá vez pra todo mundo tocar.
Com a chegada do Dr. Six na presidência, vieram alguns músicos do Rio de
Janeiro para se apresentarem no Clube do Choro. Lembro-me do Déo Rian, Luciana
Rabelo, Amélia Rabelo, entre outros grandes artistas choristas. Foi ainda com
nosso saudoso amigo Six na presidência que eu participei da Diretoria do Clube
como secretário, depois vice-presidente e por fim, presidente, numa ausência
prolongada do Dr. Assis - Six.
Aliás tenho no meu currículo o fato que me entristeceu bastante: ter fechado o
Clube do Choro. O modelo amador de funcionamento do Clube tinha se exaurido. Em
maio de 1986, devolvi a chave ao Dr. Assis, por ofício, no que ele passou muito
tempo me zoando, cantando 'quando o carteiro chegou ...'.
Mas antes disto acontecer, no sábado da tarde ensolarada de 5 de setembro de
1981, o 'Dois de Ouro' - Fernando César e Hamilton de Holanda, duas crianças,
estréiam, se apresentam no Clube do Choro pela primeira vez. Estavam lá, entre
outros, Pernambuco do Pandeiro, Valci, Tio João, Aquino, Evandro do cavaquinho,
Eli do cavaco, Dedé 7 cordas. Foi um assombro e muita emoção.
Dois anos depois eu estava com um razoável grupo de choro dentro de casa. Uma
maravilha! O mais foi ensaiar e ensaiar. Com o Dois de Ouro eu aprendi
bastante, viajei com eles, participei de várias gravações de CDs e de muitas
'rodas de choro'. Uma beleza!
No período de 1986 a 1991, fiz parte do tradicional grupo de choro, Choro
Livre. Foi uma fase muito positiva, pois era um grupo, digamos, forte e com
excelentes músicos. Henrique Filho - Reco do Bandolim, Alencar 7 cordas, com
quem aprendi muito, Fernando César, a partir de 89, no outro 6 cordas,
Pinheirinho no pandeiro e Chico de Assis no cavaquinho. Gravamos o primeiro
disco do grupo e fizemos uma memorável viagem nos apresentando em Montevidéu.
No início dos anos 90, participei de uma gravação de um LP chamado "Aos mestres
com Carinho", patrocinado pelo Banco do Brasil, e, em 1991, participei da
gravação de outro LP chamado "Chorando Calado 2", também patrocinado pelo BB,
ambos produzido por José Silas Xavier, que foi o responsável também pela
pesquisa.
A partir de 2003, com meu filho Hamilton morarando no Rio de Janeiro, tenho
participado de poucas tocatas; quando o Hamilton vem a Brasília fazer o show
anual da Abrace ou a convite do César, quando entro na roda com o meu seis
cordas ...
Ano passado, me foi concedido o título de Músico do Ano de 2008 pela Biblioteca
Demonstrativa de Brasília, coordenada pela dinâmica Conceição, através do
projeto que há treze anos vem laureando pessoas escolhidas pela direção da BDB
e pela Sociedade dos Amigos da BDB. A Biblioteca desenvolve outro projeto
musical, cujo propósito é a apresentação mensal de músicos, cantores e cantoras
da cidade." - José Américo.
Caio Tiburcio
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