Revista CARTA CAPITAL
Fonte: http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&a2=10&i=3889
O pop vintage
17/04/2009 18:53:56
Pedro Alexandre Sanches
É quase como se Francisco Alves voltasse a soltar o vozeirão, e o responsável
pelo prodígio é a famigerada “tecnologia”. Hoje, depois de o MP3 matar o CD que
matou a fita cassete e o LP de vinil, a gravadora Sony promete: será possível
encontrar de novo grandes discos de vinil nas melhores lojas do ramo. O projeto
se chama Meu Primeiro Disco e consiste em retornar ao formato antigo os
trabalhos de estreia de 30 artistas brasileiros. A primeira leva traz cinco
títulos e tem como principais destaques o primeiro disco (homônimo) de João
Bosco, editado originalmente em 1973, e Da Lama ao Caos (1994), de Chico
Science & Nação Zumbi, marco inicial do movimento mangue bit.
Fecham o primeiro pacote três discos vorazmente consumidos à época dos
lançamentos, Longe Demais das Capitais (1986), da banda gaúcha Engenheiros do
Hawaii, e as estreias homônimas do compositor Vinícius Cantuária (de 1982) e da
banda pop Inimigos do Rei. Deste último constam os infames hits instantâneos de
1989 Uma Barata Chamada Kafka e Adelaide (a “anã paraguaia”). Mas o perfil
popular das escolhas contrasta com o preço tipo “elite”. Cada título deverá
custar cerca de 90 reais nas lojas.
“O foco deste projeto não está no potencial de vendas”, afirma o diretor de
vendas e marketing da Sony, Marcus Fabrício. “Antes de tudo, é um projeto
conceitual. Claro que o sucesso comercial possibilitará o surgimento de novas
ações.” Parece paradoxal, mas é, antes, efeito colateral da voracidade com que
o formato virtual MP3 tem mastigado o plástico de que eram feitos os CDs. Se a
cultura (ilegal, segundo a indústria fonográfica) dos downloads trouxe de volta
uma infinidade de títulos fora de circulação, é assim, e com poder de fogo
limitado, que as gravadoras tentam correr atrás do prejuízo.
A exemplo do que já acontece há tempos lá fora, cada volume terá encartado,
além do vinil (e de letras, informações históricas e fac-símiles de reportagens
de época), uma cópia do mesmo conteúdo em CD. “Por causa da pouca oferta de
players no mercado, além do LP original, a série também traz o CD em formato de
minivinil, para atender à necessidade daqueles que não possuem toca-discos”,
explica o diretor.
Segundo a Sony, os outros 25 volumes chegarão, gradativamente, até o fim do
ano. O diretor cita, entre eles, as estreias discográficas de Maria Bethânia,
Zé Ramalho, Sergio Dias e Skank. “Claro que o sucesso comercial possibilitará o
surgimento de novas ações. Este é o primeiro passo”, diz.
Pergunta: as lojas de discos, as que restaram, terão prateleiras onde caibam os
discões de vinil?
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