Tribuneiros,
 O jornal Correio Braziliense de ontem, quarta, 14 de outubro, traz 
excelente matéria sobre o pianista Alexandre Dias e acerca da obra
do Erneto Nazareth, matéria assinada pela Nahima Maciel .
 Alexandre passou os últimos 10 anos debruçado sobre as 211 obras
do compositor Erneto Nazareth; dessas, 37 obras nunca foram
publicadas.
 Encontrei, na rede, um site onde estão 53 músicas do Erneto
Nazareth, tocadas pelo Alexandre Dias: 
http://www.radio.uol.com.br/artista/alexandre-dias/78266 [1]  .
 A matéria cita, ainda, o endereço  http://www.choromusic.com/ [2] 
.
 Caio Tiburcio

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 CORREIO BRAZILIENSE
 Brasília, quinta-feira, 14 de outubro de 2009
 100% Ernesto Nazareth
 Pianista brasiliense quer aprender todas as 211 músicas do
compositor, pai do chorinho, para tocá-las em recitais na cidade
        Nahima Maciel
 Alexandre Dias é um rapaz inquieto. Estuda piano desde os 6 anos,
fez graduação em biologia, emendou com o mestrado e agora, aos 25
anos, já está mergulhado no doutorado. Pesquisa o canto dos
pássaros, mas é do compositor Ernesto Nazareth que gosta mesmo de
falar. “Ele era meio genial, a obra dele me impactou muito”,
explica. Agora, é a vez de Dias impactar a obra de Nazareth.
Compulsivo, ele passou os últimos 10 anos debruçado sobre
partituras e gravações das músicas do compositor. A obsessão
acabou conhecida no meio musical e, no início do ano, Dias recebeu
um telefonema da cravista Rosana Lanzelotte e um convite. A musicista
queria o pianista brasiliense no Projeto Nazareth. 
 Rosana sabia que Dias desenvolvia pesquisa minuciosa sobre as
partituras do compositor e uma das propostas do projeto era
disponibilizar tudo na internet. Com patrocínio de uma empresa de
cosméticos e muita determinação, Dias reuniu 211 partituras,
revisou uma por uma, de acordo com manuscritos originais disponíveis
na Biblioteca Nacional e edições antigas, e padronizou o conjunto.
Todas as partituras estão disponíveis no site
www.ernestonazareth.com.br. 
 A felicidade maior do pianista brasiliense está no fato de tornar
acessível a obra de Nazareth e, principalmente, poder corrigir uma
série de erros perpetrados em sucessivas edições ao longo dos
últimos 130 anos. “Há várias categorias de erros, desde notas
erradas até omissão de termos e indicações musicais. Alguns
pianistas corrigiram. O problema é com os músicos estrangeiros.
Querendo ser fiéis à partitura, gravaram os erros”, conta Dias.
“Por isso, para revisar utilizei edições do início do século,
as primeiras, que são mais confiáveis. Fora isso, comparei com as
115 cópias dos manuscritos originais. Odeon, por exemplo, é tocada
errada até pelos pianistas brasileiros.” 
 Padronização
 Outro detalhe que Dias comemora é a revelação de partituras
inéditas. Das 211 compostas por Nazareth, 37 nunca haviam sido
publicadas. “Agora, qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo pode
tocar”, garante. “Esse projeto vem suprir uma carência
histórica. É a primeira vez que a obra de Ernesto Nazareth está
disponível em um lugar somente, com uma edição revisada e
padronizada. E de graça.” 
 A parceria com Rosana Lanzelotte se encerra no site, mas a pesquisa
de Dias é infinita. Enquanto trabalha no doutorado em biologia, ele
também coleciona gravações raras das composições de Nazareth.
Já catalogou 2.100 gravações, das quais reuniu 1.900. O garimpo
conta com a internet e com amigos que adotaram a causa. Dias já
conseguiu, inclusive, gravações do próprio compositor. “Hoje,
comercialmente, só metade da obra dele está disponível”,
lamenta. O sonho não acaba na pesquisa. A divulgação é uma das
partes mais importantes. É para tal que o pianista estuda
incansavelmente as partituras. Quer aprender todas as 211 músicas de
cor e realizar, em Brasília, um ciclo de recitais dedicados à obra
completa de Ernesto Nazareth. “Pianistas tocam a obra integral de
(Fréderic) Chopin. Se Chopin merece, por que Nazareth não? Ele é
do mesmo nível. Os tangos brasileiros do Nazareth são como as
Mazurkas de Chopin. São peças urbanas com leitura pianística
rebuscadas. E tenho a intenção de gravar tudo também!” 
 O número
 211
 Número de músicas compostas por Nazareth 
 O número
 37
 Total de músicas que nunca haviam sido publicadas 
 Quem foi…
 A rua se encontra com o erudito 
 Ernesto Nazareth começou a compor em 1877, aos 14 anos.
Transformava em música erudita os sons populares vindos das ruas.
Acabou por se tornar um dos pilares do choro, ou tango brasileiro,
como era chamado na época do compositor. 
 Nazareth sonhava em ter sua obra reconhecida como música de
concerto, mas o teor popular era uma barreira para o mundo da
composição erudita e o talentoso pianista acabava confinado a
salões de festa, restaurantes e salas de cinema. Estas últimas
inspiraram sua mais famosa composição, Odeon, uma homenagem ao Cine
Odeon, onde tocava durante as sessões de filmes mudos. Nessas
ocasiões, Nazareth também aproveitava para executar suas próprias
peças, o que ajudou na popularização da obra. Criava apenas para
piano — eventualmente acompanhado de voz. No entanto, a
apropriação pelos grandes chorões da história da música
brasileira fez com que muitas das composições acabassem conhecidas
em instrumentos como bandolim e cavaquinho. 
 No fim de 2008, Alexandre Dias gravou um disco com obras raras de
Ernesto Nazareth e disponibilizou para venda no site
http://www.choromusic.com/ [3]  (Foto)

http://www2.correiobraziliense.com.br/cbonline/cultura/cadc_mat_1.htm
[4]  BODY { font-family:Arial, Helvetica, sans-serif;font-size:12px; }
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