Vamos deixar um carinho especial para Cazuza, Cassia Elen, e para quem não
conhece deve conhecer Gabriel- Pagode
da ouvidor. Escutem um dia.
From: [email protected]
To: [email protected]; [email protected]
Date: Fri, 9 Jul 2010 11:53:30 -0300
CC: [email protected]; [email protected]
Subject: Re: [S-C] O BRASIL NÃO PERDEU - RUBENS LEMOS
Entre a era Zico (inclua-se aí Maradona, Platini, Rumenigge, Matthaus e outros)
e a era Romário (não inclua-se aí ninguém, além do baixinho... nem Zidane), não
apareceu nenhum gênio no futebol. Depois de Romário também não. Tivemos bons
jogadores, alguns craques, mas gênios? Definitivamente não.
Na música brasileira, depois das gerações de 60 e 70 também não apareceu
ninguém. Tudo o que se faz hoje é cópia. Carolina tem razão em dizer que todas
se parecem. Parece que se estabeleceu um padrão, não sei se por imposição das
gravadoras, mas uma é pastiche da outra. E o pior, algumas são pastiches da
parte ruim, como essa tal de Roberta Sá que de cantora não tem nada. A
entitulada Nova MPB (Baleiro, César, Suzano, Lenine, Vander, Mosca) já tem mais
de 15 anos e além de não ser mais tão NOVA, era nitidamente uma
cópia-influência de Gil/Caetano/Chico/Tom.
Na minha opinião Teresa Cristina e Zélia Duncan são as únicas com alguma
identidade própria ou pelo menos disfarçam um pouco melhor o excesso de
influências!
Enfim, como se disse na época em que o Pelé pendurou as chuteiras, "vai levar
100 anos até que apareça outro Pelé". Vamos ter de esperar até 2074. Faltam só
64 anos, mas eu acho difícil que apareça um dia.
Quanto tempo levaria pra aparecer outro Tom, outra Elis, outra Elizeth, outro
Taiguara?
Eu acho que nunca mais e vamos ter de nos contentar só com os craques. Gênios,
nunca mais!
----- Original Message -----
From: Carolina
To: Phadha Phada
Cc: Leonardo Galvão ; Tribuna Samba-Choro
Sent: Thursday, July 08, 2010 4:47 PM
Subject: Re: [S-C] O BRASIL NÃO PERDEU - RUBENS LEMOS
Fábio você tocou no ponto principal da questão. O futebol, assim como a arte em
geral, a música, a música popular carecem atualmente dos grandes nomes. Nos
falta um Romário, assim como nos falta um Pixinguinha. É uma era de exaltação
da técnica que vem sendo sentida em vários segmentos. A música e o futebol são
reflexos desse momento. Fico pensando se não há algo de contextual nisso. Os
atuais contextos político, econômico e social não permitem a formação de
grandes ídolos. Na produção do samba de hoje, só para citar alguns exemplos
Maria Rita, Roberta Sá, Mariana Aydar, não se parecem todas? Nos faltam Claras,
Ivones Clementinas!!!
Abraços Carol.
Em 8 de julho de 2010 16:22, Phadha Phada <[email protected]> escreveu:
Eu nao entendo muito de futebol, so' acompanho um pouco na epoca da
copa mesmo. E o que mais me deixou triste foi perder um feriado na
terca feira a tarde.
Apesar da distancia do futebol, tenho uma certa nocao das
responsabilidades de um tecnico dentro de um time de futebol
- Seguir as metas tracadas pela direcao do clube em relacao aos
campeonatos que participa.
- Formar um time baseado nos recursos e orcamentos disponiveis.
- Desenhar o planejamento para alcancar objetivos definidos pela direcao
- Fazer com que seus recursos executem o planejamento desenhado.
Ou seja o papel do tecnico dentro de um time de futebol e' muito
parecido com o papel de um gerente de projetos numa empresa.
Apartir do momento que ele recebe e aceita a missao , torna-se o
agente responsavel pelas metas a serem buscadas.
Ficou nitido pra mim que a missao dada ao Dunga era
formar um time comprometido com a camisa da selecao brasileira.Depois
disso o que viesse era bonus.
Dunga cumpriu a missao e ainda obteve algumas conquistas.
Outro detalhe Dunga deixou claro que independente dos resultados da Copa,
o fim da sua funcao casava com o fim da participacao do Brasil neste mundial.
Ou seja 2014 o projeto e' outro, as metas sao outras o perfil do
tecnico teria que mudar.
Ja que alem da obrigacao do titulo, milhoes e milhoes de outras coisas
vao rolar.
Se a imagem da selecao ja era explorada imagine em 2014.
Ou seja tanto o tecnico, como aqueles que compoe o time precisam
simbolizar alguma coisa.
E nada melhor do que o simbolismo da renovacao, da juventude, de
descartar o velho e exaltar o novo, certo?
Eu acredito ate que nao convocar Ganso, Neymar, Pato e outros jovens
potencias fazia parte da estrategia.
Esses garotos de forma alguma poderiam ser queimados nessa copa.
Portanto, se existe um judas para malhar nesta campanha do Brasil,
esse judas e' o Sr. Ricardo Teixeira ele
e' quem define os rumos da selecao.
Quanto ao papo do futebol arte, das finguras lendarias, etc...etc... etc...
Isso Me faz lembrar de todas as discussoes sobre os desfiles de
escolas de samba que rolam aqui.
A perda de expontaniedade, do improviso, desfile cada vez mais
taticos, sem a magia
e sem as figuras lendarias de outrora.
Tudo coisa do seculo passado!!
att
fabio padilha(gangaz)
Em 08/07/10, Leonardo Galvão<[email protected]> escreveu:
>
>
>
> Boa tarde, caros tribuneiros,
>
>
> sei das regras da tribuna, sei também que o texto abaixo não fala de
> diretamente de samba e tampouco do choro, mas a licença poética nesse caso
> deve
> ser concedida.
>
> Grande abraço a todos.
> Léo - Natal
>
>
> O BRASIL NÃO PERDEU - 04.07.2010RUBENS LEMOS
>
>
> Em agosto do ano 2000,
> participei do Congresso Internacional de
> Jornalismo Luso-Brasileiro. Assisti, em Recife, ao auditório inteiro
> aplaudir de pé, a frase derradeira do mestre Ariano Suassuna, que
> defendia o papel como instrumento indestrutível diante do surgimento da
> internet.
>
>
>
> Ariano disse que não haveria riscos para o livro em formato original nem
> para o jornal impresso. “Literatura, é amor, vocação, prazer e festa. O
> que é feito com esses ingredientes é eterno”. O seu contendor, de
> cabelo cheio de gel, Matinas Suzuki Junior, adormecera a platéia com
> estatísticas e fórmulas científicas sobre a tendência da objetividade
> como grande vitoriosa da profissão. Ariano é o Brasil.
>
>
>
> Câmara Cascudo definiu o ser humano nacional com perfeição ao dizer que o
> melhor do Brasil é o brasileiro. Em seus livros, suas pesquisas, suas
> correspondências, suas reflexões ancoradas pelo Rio Potengi, Cascudo
> sempre priorizou as raízes de cada povo, suas características, manias,
> idiossincrasias e seus gingados, como patrimônio inalienável da cultura.
> Cascudo é o Brasil.
>
>
>
> Do poeta, romancista e tribuno conterrâneo François Silvestre, numa
> noite estrelada em Martins, de clima frio e inspirador, ouvi que se pode
> destruir um país com uma guerra, seu povo com armas e balas, seus
> monumentos com canhões. Mas sempre ressurgirá a sua face genuína no
> primeiro homem renascido. François é o Brasil.
>
>
>
> O Brasil não foi eliminado pela Holanda na Copa. O que foi
> desclassificado, para o bem do futebol, foi um arrogante e patético
> circo comandado por um soba que é a antítese de tudo o que o
> brasileirismo representa em quatro linhas de gramado.
>
>
>
> A Holanda derrotou o estilo pregado como eficiência e que nunca passou
> de contradição da lógica e subversiva, intuitiva e inventiva maneira de
> se jogar em solo pátrio.
>
>
>
> A feiúra defensiva, mecânica e embrutecida que contraria os shows de
> Djalma e Nilton Santos, Didi,Mané, Pelé, Gerson, Rivellino, Amarildo,
> Rivaldo, Romário e Ronaldo, os que desequilibraram pelo penta.
>
>
>
> Quem vê o futebol como arte e espetáculo, extrairá dos 2x1, a esperança
> de que conceitos burros e contrários à tradição dos campos de pelada,
> sejam definitivamente expulsos, não com a estupidez de um Felipe Melo,
> que é o lugar-tenente e caricatura de uma era de desgosto e truculência.
>
>
>
>
> Felipe Melo é o oposto de tudo o que significa futebol brasileiro. Ele é
> como um eslovaco jogando basquete com negros malabaristas numa esquina
> do Harlem. Ou um irlandês sambando na quadra da Mangueira.
>
>
>
> Felipe Melo é o alter ego de Dunga, muso de um padrão tosco, feio e
> expulso do teatro da bola pelos seus resultados práticos: Em quatro
> Copas, como jogador ou técnico,Dunga perdeu três, as três do seu jeito
> ridículo de ser. Em 90, Maradona deixou-o de bunda no chão. Em 98,
> Zidane fez dele o que não quis. Em 2010, virou farinha o seu casaco de
> general, derreteram suas teses que resultaram num segundo tempo de time
> de Série D.
>
>
>
> Mesmo quando ganhou, Dunga não deixou de Dungar, como se verbo de
> grosseria ele fosse. Ergueu a taça do tetra chamando jornalistas de
> “traíras” , desfigurando o gesto nobre de Bellini, Mauro, Carlos Alberto
> e Cafu.
>
>
>
> Dunga é a presença viva de um espírito que deve ser extirpado de nossas
> vidas pelo bem dos nossos filhos e netos.
>
>
>
> Aquela dissimulação vivaldina de que ganhar por ganhar é o que importa,
> vencer até passando por cima do cadáver do inimigo é sinal de
> competência, esperteza acima de tudo é que é importante, nunca a
> dignidade.
>
> O brasileiro de verdade é boa gente, solidário, receptivo e contente,
> não é mercantilista.
>
>
>
> Disseram que Dunga tem rompantes de Maquiavel. É mais parecido com
> Noriegas e Somozas que pontificaram como ditadores temporários de
> republiquetas famintas.
>
>
>
> Chorar a derrota para a Holanda é menos importante do que questionar o
> que foram fazer na Copa Felipe Melo, Michel Bastos, Gilberto, Josué,
> Kléberson, Grafite, Júlio Batista e, por ontem, Luis Fabiano.
>
>
>
> Os que defendiam Dunga diziam que levara seus homens de confiança. Mas
> que critério é esse num esporte em que o talento sempre prevaleceu sobre
> toda burrice?
>
>
>
> Por tal e asno raciocínio, legitimados estarão Al Capone, Lucky Luciano,
> Pablo Escobar, Uê, Sam da Cidade de Deus, Fernandinho Beira-Mar. Eles
> sempre estiveram ou estão com seus homens de confiança, seus
> caporegimes, seus soldados, seus asseclas, seus puxa-sacos.
>
>
>
> Crime de lesa-futebol deixar de fora Ganso, um meia que só é superado
> por Messi no futebol mundial, um criativo, um artesão com o pé canhoto,
> um brasileiro nato, um craque genial. Alex, ex-Cruzeiro,Hernandes do São
> Paulo, Ronaldinho Gaúcho, até Romário aos 44 anos, jogam mais do que os
> ungidos por Dunga e com ele, jogados na vala da mediocridade que está
> no subsolo da história.
>
>
>
> Kaká e Robinho, de verdade, juntaram-se em Sneijder, um brasileiro de
> camisa laranja que não tremeu, não amarelou, como todo o time que vestiu
> azul e recebeu bilhete de igual coloração. E tramou, com pés de carioca
> de morro, uma virada merecida.
>
>
>
> Quando perdemos em 1982, o futebol-arte foi condenado. Agora, a forca ou
> a injeção letal devem ser aplicadas no bagrismo ululante que não tem
> nada com o Brasil.
>
>
>
> O Brasil não perdeu. O Brasil nem foi à Copa.
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Beijos Carol.
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