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Ernesto Joaquim Maria dos Santos
 5/4/1890 Rio de Janeiro, RJ
 25/8/1974 Rio de Janeiro, RJ

Por volta de 1913, passou a integrar o "Grupo do Caxangá", conjunto
organizado por João Pernambuco, de inspiração nordestina, tanto no
repertório, como na indumentária, onde cada integrante do conjunto adotava
para si um codinome sertanejo. Em sua primeira formação, o grupo reunia João
Pernambuco (Guajurema), Caninha (Mané Riachão), Raul Palmieri, Jacó Palmieri
(Zeca Lima), Pixinguinha (Chico Dunga), Henrique Manoel de Souza (Mané
Francisco), Manoel da Costa (Zé Porteira), Osmundo Pinto (Inácio da
Catingueira), Bonfiglio de Oliveira, Quincas Laranjeiras, Zé Fragoso, Lulu
Cavaquinho, Nelson Alves, José Correia Mesquita, Vidraça e Borboleta.

Usava nesse grupo o nome de "Zé Vicente". No carnaval de 1914, o Grupo do
Caxangá percorreu os principais pontos da Avenida Rio Branco, e "Cabocla de
Caxangá" tornou-se grande sucesso musical.

Uma de suas primeiras composições foi a modinha "Olhar de santa", seguida
por "Teus olhos dizem tudo", feita na mesma época e que receberia
posteriormente letra de David Nasser. Entrou definitivamente para a história
da música popular brasileira, por ter registrado na Biblioteca Nacional ( 27
de novembro de 1916) a partitura do "Pelo telefone", composição surgida numa
reunião de samba realizada na casa de Tia Ciata, onde também estavam João da
Baiana, Caninha, Sinhô, Pixinguinha, Mauro de Almeida, Buci Moreira, entre
outros. O "Pelo telefone" tornou-se uma das composições mais polêmicas de
todos os tempos. Desde o seu lançamento em dezembro de 1916, apareceram
vários pretendentes à sua autoria, devido à própria natureza da composição,
surgida numa roda de samba onde diversos participantes improvisavam versos e
melodia. Mauro de Almeida, que aparentemente nunca se preocupou em afirmar
sua participação na autoria, declarou em carta ao jornalista Arlequim ser
apenas o "arreglador" dos versos.

Em 1917, teve os sambas carnavalescos "O malhador", parceria com Pixinguinha
e Mauro de Almeida e "O veado à meia-noite", gravadas pelo cantor Baiano e
coro, na Odeon. Outro grande sucesso popular do grupo doCaxangá aconteceu no
carnaval de 1919 com o samba "Já te digo", de sua parceria com China,
lançado pelo Grupo de Caxangá em resposta ao samba "Quem são eles", de
Sinhô, que obteve sucesso no carnaval do ano anteiror. A polêmica começou,
na verdade, quando Sinhô compôs "O pé de anjo", seu primeiro sucesso para o
carnaval gravado por Chico Alves, que também estreava. A letra da marcha
refere-se com ironia aos pés avantajados de China. Passado o carnaval, Isaac
Frankel, gerente do Cinema Palais, solicitou a Pixinguinha que selecionasse
músicos para apresentação na sala de espera do cinema. Foi assim constituído
o conjunto "Os oito batutas", uma continuação com menos elementos do Grupo
Caxangá. Contratados com a finalidade de tocar na sala de espera do cinema,
o grupo tornou-se uma atração à parte, maior até que os próprios filmes.
Ernesto Nazareth, Rui Barbosa e Arnaldo Guinle eram seus admiradores. O povo
aglomerava-se na calçada só para ouvi-los. Conquistaram rapidamente a fama
de melhor conjunto típico da música brasileira, empreendendo excursões por
São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Pernambuco. Ainda em 1919, João
Pernambuco, notável violonista e compositor, foi incorporado ao conjunto, no
qual permaneceu até o fim de 1921. J. Thomaz, baterista, compositor e
maestro, substituiu Luiz Pinto da Silva em 1921. Em 1920, apresentaram-se em
um almoço oferecido ao rei Alberto, da Bélgica, que estava em visita ao
Brasil. Em 28 de janeiro de 1922, embarcaram para Paris, custeados por
Arnaldo Guinle, por sugestão do dançarino Duque, divulgador do maxixe no
exterior. Embarcaram apenas sete batutas, razão pela qual foram anunciados
como Os batutas, ou melhor, Les batutas. Eram eles: Pixinguinha, Donga,
China, Nelson Alves, José Alves de Lima, José Monteiro (voz e ritmo),
Sizenando Santos (Feniano-pandeiro). Os dois últimos, faziam substituição a
Raul e Jacó Palmieri. J. Thomaz, que não embarcou por motivo de doença, não
teve substituto. Estrearam em meados de fevereiro no Dancing Sheherazade. A
temporada prevista para apenas um mês prolongou-se até o final do mês de
julho. Retornam ao país em meados de agosto, para participar das
comemorações do centenário da independência do Brasil. Em agosto, foram
contratados por Mme. Rasimi, empresária da Companhia Ba-ta-clan, para atuar
na peça "V'la Paris", revista em dois atos e 31 quadros. A revista ficou em
cartaz por oito dias, seguindo para São Paulo. O grupo, porém, não seguiu
com a companhia francesa. O primeiro emprego do conjunto, após a volta ao
Brasil, foi no Assírio, onde já haviam atuado. Nas apresentações,
Pixinguinha por vezes trocava a flauta pelo saxtenor, presente que lhe foi
dado por Arnaldo Guinle quando ainda estavam em Paris.

Em dezembro do mesmo ano, embarcam para a Argentina, como Os oito batutas,
com os mesmos Pixinguinha, Donga, China, Nelson Alves, José A . de Lima,
J.Thomaz, e os novos integrantes Josué Barros ao violão, e J. Ribas ao
piano. Na Argentina, incorporaram Aristides Júlio de Oliveira (Julinho de
Oliveira) e convidaram conjuntos brasileiros para participar de suas
apresentações. Em 1923, gravaram para a Victor de Buenos Aires. Após a
gravação, divergências entre os integrantes do grupo, o trouxeram de volta
ao Brasil, juntamente com J.Thomaz e Julinho.

Em 1926, passou a integrar o "Carlito Jazz", grupo organizado pelo baterista
Carlito para acompanhar a companhia francesa de revistas "Bataclan" que se
exibia no Rio de Janeiro. Com esse conjunto viajou novamente à Europa.

Pouco depois, ao lado de Pixinguinha, organizou a Orquestra Típica
Pixinguinha - Donga, conjunto composto só de instrumentos de sopro, criado
para realizar gravações na Parlophon, e que acompanhava cantores como
Patrício Teixeira e Castro Barbosa.

Na Odeon, o grupo conservava o nome de Orquestra Típica dos Oito Batutas.

Em 1927, teve o samba "Dona Clara (Não te quero mais)", parceria com João da
Baiana, gravado por Patrício Teixeira na Odeon. Em 1928, já com o nome de
Jazz-Band Os Batutas, o grupo excursionou pelo sul do país, estreando em
Florianópolis no dia 28 de agosto. Em dezembro deste mesmo ano, a Orquestra
Típica Pixinguinha - Donga, gravou "Carinhoso", música que havia sido
composta cerca de dez anos antes e também gravada anteriormente. Ainda no
mesmo ano, teve o samba "Foram-se os malandros", gravado em dueto por
Francisco Alves e Gastão Formenti. Em 1929, formou a Orquestra Típica Donga,
com a qual gravou na Parlophon o maxixe "O meu tipo", de Pascoal Barros. No
mesmo ano, Afredo Albuquerque gravou a canção "Miss Brasil", parceria com De
Chocolat. Em1930, compôs com Luiz Peixoto e Marques Porto a "Canção dos
infelizes", gravada por Zaíra Cavalcânti. Em 1932, Patrício Teixeira gravou
seu samba "Ri melhor quem ri por último" e a marcha "Brasil vitorioso". Em
1932, integrou o Grupo da Velha Guarda, conjunto organizado por Pixinguinha
e que reuniu alguns dos maiores instrumentistas brasileiros da época, onde
executava cavaquinho, banjo e violão. O grupo realizou inúmeras gravações na
Victor, acompanhando também grandes cantores da época como Carmen Miranda,
Sílvio Caldas, Mário Reis, entre outros. Em fins de 1932, Pixinguinha
organizou na Victor a orquestra "Diabos do céu", com alguns dos integrantes
do Grupo da Velha Guarda, estreando e disco e acompanhando Carmen Miranda na
gravação de "Etc", samba de Assis Valente. No mesmo ano, a canção "No baile
de máscaras", parceria com Valdemar Viana, foi gravada por Gastão Formenti
na Victor. Em 1934, teve o samba "Metralhadora", parceria com Luis Menezes e
Haroldo Lobo, gravado por Aurora Miranda na Odeon e a canção "Felicidade que
eu não vi", parceria com Luni Montenegro, gravada por Gastão Formenti na
Victor. Em1935, Augusto Calheiros gravou a valsa canção "Coração das
plantas", parceria com P. Menezes e Moreira da Silva, a marcha "Depois de
você", com Eduardo de Almeida. Em 1936, teve duas composições gravadas por
Mário Reis, o samba "Esse meio não serve", parceria com Noel Rosa e a marcha
"Tira...tira", parceria com Simões. No mesmo ano, Francisco Alves gravou na
Victor a valsa "Pássaro urbano", parceria com Alberto Ribeiro.

Em 1938, gravou pela Odeon , com Seu Conjunto Regional, o samba "Pelo
telefone", de sua parceria com Mauro de Almeida e o tango brasileiro "O
corta-jaca", de Chiquinha Gonzaga. Em 1939, Neide Martins gravou duas
marchas de sua autoria, "Uma estrela brilhou", parceria com Sá Róris e
"Eterno sonho", parceria com Milton Amaral. Em 1940, Leopoldo Stokowski
solicitou a Villa-Lobos que selecionasse e reunisse os mais representativos
artistas de música popular brasileira, para gravação de músicas destinadas
ao Congresso Pan-Americano de Folclore. Villa-Lobos incluiu no grupo
escolhido a nata dos verdadeiros criadores nacionais de música: Pixinguinha,
Donga, Cartola, João da Baiana e Zé Espinguela. As gravações realizaram-se
na noite de 7 para 8 de agosto de 1940, a bordo do navio Uruguai atracado no
Armazém 4. Foram registradas quarenta músicas, e dessas quarenta apenas
dezesseis chegaram ao disco, reproduzidas nos Estados Unidos em dois álbuns
de quatro fonogramas cada um, sob o título "Columbia presents " Native
Brazilian Music" Leopold Stokowski". Nove composições de sua autoria foram
selecionadas: "Cantiga de festa", "Macumba de Oxóssi", "Macumba de Iansã", o
samba "Seu Mané Luís", as toadas "Passarinho bateu asas" e "Ranchinho
desfeito", o "Pelo telefone" "Bambo do bambu" e "Que querê". Ainda no mesmo
ano, compôs com David Nasser, a embolada "Na barra da tua saia" e o samba
"Romance de um índio", gravadas por Manezinho Araújo. Também no mesmo ano,
fez os arranjos para o motivo popular "Passarinho bateu asas", gravado por
Almirante, que no mesmo disco, gravou seu samba "Seu Mané Luiz", parceria
com Cícero de Almeida.

Em 1941, teve a marcha-rancho "Meu jardim", parceria com David Nasser,
gravada por Déo. Em 1954, Almirante organizou em São Paulo o I Festival da
Velha Guarda, reunindo vários músicos veteranos do choro. No segundo
Festival da Velha Guarda, a caravana carioca formou em caráter regular um
conjunto denominado Velha Guarda do qual faziam parte Pixinguinha, Donga,
João da Baiana, entre outros. Em 1955, alcançaram grande sucesso na Boate
Casablanca, constituindo a grande atração do show Zilco Ribeiro. Nesse mesmo
ano, o grupo gravou seu primeiro LP na Sinter "A Velha Guarda", seguido de
um outro "Carnaval da Velha Guarda". Ainda em 1955, Almirante gravou na
Sinter o partido alto "Patrão prenda seu gado", parceria com João da Baiana
e Pixinguinha e o samba "Nosso ranchinho", parceria com J. Cascata. Pouco
depois de sua morte, ocorrida em 1974, a gravadora Marcus Pereira lançou seu
único LP individual, em que interpretava várias de suas composições. O LP
registra ainda trechos do depoimento concedido ao MIS em maio de 1966,
gravação que obteve grande repercussão pública, já que foi a segunda feita
para a posteridade, dela sendo entrevistador o próprio diretor do museu,
Ricardo Cravo Albin.
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