O preço do livro - R$ 120,00 - está bastante salgado!!!

 

 

Sonia Palhares (BsB-DF)
 





 

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Date: Sat, 4 Sep 2010 16:11:03 -0300
Subject: [S-C] 'Pixinguinha na Pauta' destaca músico como arranjador (Estadão)






'Pixinguinha na Pauta' destaca músico como arranjador
Livro revela obras inéditas e seu estilo de arranjador, acrescentando cores às 
partituras alheias
 

04 de setembro de 2010 | 6h 00
 




Lucas Nobile - O Estado de S. Paulo
 
Alfredo da Rocha Viana (1897- 1973), um dos maiores músicos do País, conhecido 
como Pixinguinha, não tinha caráter. Levando-se em conta os cânones do choro, 
era isso o que diziam os críticos de plantão, nas primeiras décadas do século 
20. Na época, falava-se que um choro contendo apenas duas partes era um "choro 
sem caráter" - quando o convencional pregava que o ideal fossem três. Mais 
tarde, os detratores do compositor teriam de se curvar. Em 1937, os consagrados 
Francisco Alves e Carlos Galhardo recusaram gravar o tal do choro sem caráter 
de Pixinguinha. Com letra de João de Barro, o Braguinha, coube a Orlando Silva, 
o Cantor das Multidões, gravá-lo, com o título de Carinhoso, e eternizá-lo como 
o tema mais famoso do cancioneiro nacional até hoje. No lado B, de quebra, 
ainda tinha a não menos conhecida valsa Rosa. 



 
A faceta de compositor de Pixinguinha é venerada há tempos, não sendo novidade 
para mais ninguém. O que chama atenção, recentemente, é que a atuação do músico 
como arranjador vem sendo cada vez mais reconhecida. O último exemplo disso é o 
livro Pixinguinha na Pauta, organizado pelo Instituto Moreira Salles (IMS), com 
lançamento marcado para quinta-feira, no Rio.

A obra, em princípio, atende diretamente aos músicos e iniciados, mas não deixa 
de ser um exemplo de preservação do patrimônio cultural do País. O material, 
inédito até hoje, reúne 36 arranjos feitos por Pixinguinha para o programa O 
Pessoal da Velha Guarda, veiculado na Rádio Tupi de 1947 a 1952. Há ainda duas 
músicas inéditas do mestre, a polca Assim é que é e o samba Conversa Fiada.
 
Capitaneado pelo cantor e radialista Almirante, o programa durava cerca de 30 
minutos e traçava um verdadeiro retrato do que se produzia musicalmente de bom 
no fim do século 19 e da primeira metade do 20, com temas de Ernesto Nazareth, 
Chiquinha Gonzaga, Anacleto de Medeiros, Jacob do Bandolim e do próprio 
Pixinguinha. "Essas partituras são aliadas da história. Elas podem ser 
disseminadas. As gravações desse programa do Almirante não eram comerciais. O 
Pixinguinha deixou muitas coisas escritas. O acervo dele tem cerca de 320 
arranjos, é um tesouro", conta Bia Paes Leme, professora da Escola Portátil de 
Música, do Rio, organizadora do projeto e coordenadora do IMS.
 
Com um trabalho de pesquisa louvável, envolvendo uma equipe de 12 revisores 
debruçados em cima das grades feitas para orquestra, pode-se dizer que o 
suprassumo disso tudo vai muito além dos temas recuperados dos compositores 
consagrados e citados anteriormente. O interessante mesmo é ver reveladas 
composições de nomes quase anônimos na enciclopédia da música brasileira. As 
polcas-tangos A Mulher do Bode, de Cardoso de Meneses Filho, e Ai! Ai!, de 
Valério Vieira, o maxixe Bebê, de Paulino Sacramento, a valsa Buenos Dias, de 
Aurélio Cavalcanti, as polcas Da Urca ao Pão de Açúcar, de Amadeu Taborda, 
Fecha Carrança, de Aristóteles de Magalhães Pery, I Moretti, de Cesare 
Bonafous, Odalisca, de Flisberto Marques, e Morro da Favela, de Passos, Bornéu 
e Bernabé.
 
"Essas partituras revelam quatro elementos fundamentais que ele conseguiu unir: 
sua formação de banda; a atuação em cafés-concerto e pequenas orquestras, um 
lado mais camerístico; a vivência de chorão com os regionais; e o convívio nos 
morros aflorando a parte rítmica, a percussão. Sem contar que elas mostram toda 
a evolução do Pixinguinha em relação aos arranjos que ele já fazia para as 
marchas consagradas nos carnavais dos anos 1930", explica o violonista Paulo 
Aragão, um dos revisores e coordenadores do projeto.
 
E ainda há muito a ser revirado no baú de tesouros de Pixinguinha. Além dos 36 
arranjoso IMS pretende lançar até o ano que vem outros 108. Antes disso, em 
breve essas primeiras partituras devem ter o áudio das gravações disponível no 
site para que o público possa ouvir o que ainda só está no papel.
 
"Para mim, este trabalho é uma realização. Em 2001, fiz meu mestrado sobre os 
arranjos do Pixinguinha. Naquela época, tive acesso a algumas partituras, mas 
não estavam catalogadas e organizadas como hoje. Ter participado do projeto é 
como se um ciclo se fechasse para mim sobre a obra do Pixinguinha. Esse 
material é primordial para a formação futura de músicos de todo o Brasil", diz 
Aragão. "Temos a intenção de usar esses arranjos em palestras e audições 
dirigidas para que o público possa entender melhor. Isso vai ajudar a formatar 
a escola brasileira de arranjo", completa Bia Paes Leme.
 
Pixinguinha na Pauta - 36 Arranjos para o programa 'O Pessoal da Velha Guarda'
 
Textos: Bia Paes Leme, Anna Paes, Paulo Aragão e Pedro Aragão. Preço: R$ 120
 
O livro será lançado em show da Orquestra Pixinguinha na Pauta, comandada pelo 
maestro Pedro Aragão, com participação do cantor Pedro Miranda.
 
Data do lançamento: 9 de setembro, quinta, de 2010, às 20 h
 
Valor do ingresso: R$ 10 (inteira)/ R$ 5 (meia-entrada). Teatro Carlos Gomes 
(Praça Tiradentes, 19, centro, Rio de Janeiro).
 
 
Fonte: 
http://www.estadao.com.br/noticias/arteelazer,pixinguinha-na-pauta-destaca-musico-como-arranjador,604897,0.htm
                                          
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