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Jovem põe em livro a história das escolas de samba Estudante que nunca pisou
em uma quadra promete agora realizar o sonho de desfilar pela agremiação de
coração, a Mangueira
05 de janeiro de 2011 | 0h 00
Roberta Pennafort - O Estado de S.Paulo

Para uma parcela pequena dos cariocas, o carnaval começa lá pelo meio do
ano, com a escolha dos sambas-enredo nas quadras das escolas. Pega fogo em
dezembro e agora em janeiro, com os ensaios técnicos no Sambódromo, e tem
seu clímax em fevereiro - ou março, como em 2011, capricho do calendário que
só faz estender o prazer pré-festa.
[image: Fabio Motta/AE]
Fabio Motta/AE
João Bastos. 'Sou um nerd sambista', afirma o rapaz

Aos 17 anos, o estudante João Bastos não está entre esses fanáticos. Ainda
assim, dedicou-se ao tema nos últimos três anos e escreveu Acadêmicos,
Unidos e Tantos Mais - Entendendo os desfiles e como tudo começou (Editora
Folha Seca), em que trata das raízes das escolas, detalha o significado de
cada quesito sob julgamento e lista os resultados obtidos pelas escolas
desde 1932, com seus enredos, carnavalescos e curiosidades.

Não que o garoto, filho da classe média fluminense, seja um completo neófito
no universo do samba carioca. É verdade que ele nunca desfilou, nem sequer
pisou, numa quadra e só foi assistir ao espetáculo duas vezes (a família
prefere passar o carnaval no fresquinho de Teresópolis, na região serrana).
E ainda tem dúvidas se o carnaval é mesmo a melhor época do ano - compete
com o Natal.

Desde os 5 anos, no entanto, por influência de uma babá e posterior
incentivo dos pais e do padrinho, ele acompanha tudo pela televisão. E se
mantém bem informado, a ponto de escrutinar os carnavalescos - "Paulo Barros
é o mais criativo, mas Renato Lage é o mais completo e versátil" - e os
jurados - "acho que a maioria não gosta tanto de carnaval" - e definir os
melhores desfiles de todos os tempos - "Acho que Peguei o Ita no Norte (do
Salgueiro, em 1993, aquele do refrão Explode Coração na maior felicidade, um
dos sambas-enredo mais famosos) nunca mais vai se repetir."

Curiosamente, 1993 é o ano de seu nascimento. Este é mais um dos desfiles
que ele só viu em DVD (tem uma coleção de antigos carnavais). João mora em
Botafogo com os pais e a irmã, se formou no tradicional colégio Santo Inácio
e a partir deste ano será estudante da PUC (vai cursar Economia). Pouco
antes de dar início à vida universitária, ele fará sua estreia na Sapucaí,
por sua Mangueira, com a mãe e uma prima.

"Eu pensava: quando passar no vestibular, vou me dar esse presente. Chegou a
hora! Sempre fiquei até de manhã vendo na TV", conta o rapaz, que selecionou
também fotos de cenas memoráveis, da Xica da Silva do Salgueiro de 1963, na
Avenida Presidente Vargas, ao segredo da Unidos da Tijuca de 2010.

A ideia do livro surgiu há três anos. O projeto ganhou espaço na Editora
Folha Seca e mais força com o endosso do historiador do samba Sérgio Cabral,
pai, jornalista que escreve sobre as escolas desde a década de 1960, e a
quem João chegou por meio de seu avô: os dois senhores se conheceram em uma
academia de ginástica.

Paixão. Cabral assina a orelha e elogia o garoto: "O melhor da história é
que João Bastos está apenas começando", louva. "O fato de um menino de 17
anos estar escrevendo sobre escolas de samba revela que hoje há mais
interesse pelo assunto", diz Cabral, cujas pesquisas tomam por base fontes
primárias (fundadores, componentes e compositores históricos).

"Sou um nerd sambista. Não gosto de ficção científica nem entendo muito de
computador", brinca João. "Os livros do Cabral, do Hiram Araújo, do Alberto
Mussa e do Luiz Antonio Simas (em que pesquisou) são brilhantes. Não tenho
pretensão com o meu. Tem gente que diz: você viveu muito pouco. Mas o que eu
quero é que a geração que está crescendo comigo saiba que o mais importante
da escola de samba não é o carnavalesco, é quem trabalha nos barracões, quem
é apaixonado por aquilo."


*PARA LEMBRAR*

*Sambódromo passará por reforma*

O Sambódromo será reformado neste ano para resgatar o projeto original,
feito há 30 anos pelo arquiteto Oscar Niemeyer. O projeto foi apresentado no
dia 14 e prevê a construção de novas arquibancadas, camarotes e frisas,
banheiros, áreas de serviço e de atendimento médico.
Com a nova estrutura, o Sambódromo vai ganhar mais 15 mil lugares e servirá,
também, para competições esportivas, como as provas de tiro com arco na
Olimpíada de 2016. As obras estão orçadas em R$ 30 milhões e serão custeadas
pela Companhia de Bebidas das Américas (Ambev), dona dos antigos prédios no
local que pertenceram à Cervejaria Brahma e deverão ser derrubados.

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[[]]
Luiz Pattoli
www.churrascogrego.com.br
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