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De: DIRETO DA GELADEIRA <[email protected]>
Data: 12 de janeiro de 2011 00:40
Assunto: [DIRETO DA GELADEIRA] Será que começou assim?
Para: [email protected]


Bira da Vila

Já faz tempo que começou a experiência que culminou no nosso samba atual.
Para contar essa história vamos ter que voltar ao final do século XIX quando
Chiquinha Gonzaga começa a misturar os batuques das senzalas com os ritmos
europeus.

Dessa mistura nasce das mãos de Chiquinha Gonzaga o primeiro ritmo
brasileiro, e porque não dizer “carioca”, o maxixe, que é a levada dos
batuques da senzala se fundindo com o piano de Chiquinha, com influências
européia e latina. O chorinho e a marcha rancho pode-se dizer que é o
processo evolutivo dessa experiência.

Vamos ver que “Pelo telefone” foi o primeiro samba gravado, que na realidade
era um maxixe, com letra assinada por Donga e Mauro de Almeida em dezembro
de 1916/17.

A primeira marcha rancho de sucesso é “Ó abre alas” que foi composto por
Chiquinha em 1899, ou seja, a marcha rancho na realidade é o primeiro gênero
musical genuinamente brasileiro a virar sucesso nacional e que nas próximas
décadas influenciaria e revelaria grandes nomes da nossa música como
Braguinha, Noel Rosa, Zé Keti, João Roberto Kelly e tantos outros,
perpetuando assim o gênero cantado até hoje nos bailes de carnaval e nos
blocos de embalo.

Chiquinha não foi importante só como artista. Além de enfrentar o
preconceito de ser a primeira mulher a viver profissionalmente da musica,
foi integrante do primeiro grupo de chorinho do Brasil com o flautista
Joaquim Antônio Callado e se preocupou em organizar e fundar a primeira
sociedade para cuidar dos direitos autorais dos artistas daquela época
(SBAT) onde foi sócia até o fim de sua vida.

Hoje eu dedico esta coluna a Chiquinha Gonzaga, que para mim, é a
progenitora do primeiro movimento organizado, que deu origem a esse samba
que veneramos e defendemos, obra essa, de tantos mestres e gênios que
engrandecem a musica brasileira que tanto nos orgulha.

É uma pena que a maior parte dos sambistas que sempre fizeram a roda girar,
que criam, que tocam e muitos que cantam, gerem tanta renda, mas ainda não
usufruam dignamente dela por falta de “reconhecimento”. O samba hoje é
consumido e pesquisado pela sua importância e grandeza no contexto histórico
cultural do nosso país, já esta na hora de a classe se organizar para viver
dignamente de sua arte.

Nós artistas da Baixada Fluminense estamos tentando incorporar o espírito
organizacional de Chiquinha Gonzaga para tornar o gênero musical que nasce
no Rio de Janeiro e está arraigado e idolatrado em todos os estados
brasileiro, e que resiste, a mais de cem anos, em algo grande que encha de
orgulho os sambistas que lutaram e sofreram para que o samba chegasse onde
chegou, e mostrar que o sambista tem sim, conhecimento e consciência do
valor de sua arte.

Valeu galera, até a próxima...
Bira da Vila é cantor, compositor e pesquisador. Acaba de lançar o cd ”O
Canto da Baixada”, que conta a história do samba da Baixada da década de
quarenta para cá. Um trabalho que contempla compositores de quase todos os
municípios da nossa Baixada, e que está sendo apontado como um dos melhores
discos de samba do ano. Também desenvolve um projeto, com um grupo de
amigos, que leva o mesmo nome do cd - "O Canto da Baixada” - cuja principal
função é discutir a valorização da cultura da Baixada Fluminense.

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Postado por DIRETO DA GELADEIRA no DIRETO DA
GELADEIRA<http://diretodageladeira.blogspot.com/2011/01/sera-que-comecou-assim.html>em
1/12/2011 12:40:00 AM



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