http://independenciasulamericana.com.br/2011/04/dilma-globaliza-chorinho-na-china/ Dilma globaliza chorinho na China Cesar Fonseca em 12/04/2011 Reco do Bandolim não é apenas um craque desse maravilhoso instrumento, mas um animador e empreendedor cultural de primeiríssima linha. Popularizou o Choro, artes genuinamente brasileira, na capital da República, criando, junto com outros artistas, o Clube do Choro. Com perseverança e, também, apoio, na Era Lula, do Banco do Brasil e da Petrobrás, que se renderam à proposta, abriu as portas para o gênero mais autenticamente nacional, a fim de expandi-lo nas fronteiras internacionais. A programação do Clube, que homenageia os grandes artistas brasileiros, ao longo do ano, virou agenda obrigatório do bom gosto geral. Imperdível. A construção da nova sede e toda uma mística que se criou , com a Escola Rafael Rabello, atraem as atenções de uma juventude que se encanta com as possibilidades do desenvolvimento artístico, como chave da expansão dos relacionamentos sociais mais extraordinários. As portas da Europa e dos Estados Unidos já estavam se escancarando. Com a incorporação da China ao universo cultural do chorinho, pelas mãos de Dilma Rousseff, criam-se oportunidades artísticas e comerciais que tenderão a expandir-se significatamente ao longo do século 21, colocando Brasília no centro da cena cultural global. Clube do Choro de Brasília e de várias cidades brasileiras viram negócio da China. Pode ser considerada a maior tacada comercial cultural de todos os tempos para a música popular brasileira. A presidente Dilma Rousseff, em viagem de seis dias à China, colocou na sua delegação o Clube do Choro, comandado pelo grande Reco do Bandolim, para animar, com o charme nacional, as relações comerciais que ela pretende incrementar nos seis de viagem na terra de Mao Tse Tung. Evidentemente, os chineses, nos intervalos das negociações, nos jantares e almoços programados na agenda presidencial, babarão de prazer com o balanço da meninada que se formou e está se formando no Clube do Choro em Brasília, grande fonte geradora de cultura, talvez, uma das maiores da América do Sul, ampliando-se para o mundo, visto que atrai fãs internacionais de diversos países. Começa virar febre nacional, ampliando-se para outras praças, além, claro, do Rio de Janeiro, onde o gênero nasceu e ganhou dimensão. O movimento cultural musical nacional passa a ter diante de si o maior mercado consumidor do mundo. A China já é, atualmente, principal parceira comercial do Brasil. Trata-se de uma onda de comércio bilateral na casa dos quase 60 bilhões de dólares por ano, em que o saldo comercial favorável ao nosso país aproxima-se dos 4 bilhões. Quanto pode esse comércio aumentar nos próximos anos, se a produção da música popular verdadeiramente brasileira disseminar em território chinês, um mercado de mais de três bilhões de almas, curtindo, de agora em diante, o maravilhoso chorinho, marca registrada do Brasil, nascida, no final do século 19, com a utilização dos instrumentos de corda, substituindo os pianos e as músicas européias, como ocorre, nos Estados Unidos, com o jazz? As possibilidades são incomensuráveis. Suponha-se que cada chinês compre, por ano, um CD de choro, pagando 2 dólares? São 6 bilhões de dólares de exportações. Exagero? Que seja a metade: 3 bilhões de dólares. Ou, apenas, 1 bilhão de dólares. Já seria a maior receita da história para a cultura nacional, com amplas possibilidades de expansão em todo o mundo oriental. As oportunidades que serão abertas para que os músicos se apresentem em shows, abrindo chances para realização de festivais etc, são outras iniciativas espetaculares de negócios que, certamente, os diligentes empresários brasileiros, ávidos por lucratividade, saberão explorar, convenientemente, colocando nas vitrines do mundo asiático o produto cultural que originalmente tiveram a embalá-lo os geniais Pixinguinha, João da Baiana, Donga, Chiquinha Gonzaga e tantos outros que geraram pelos tempos afora uma marca genuinamente nacional. Dilma Rousseff possibilita a expansão cultural brasileira no mundo globalizado. Ou melhor, globaliza a cultura, tornando-a, para valer, produto comercial. Ao lado das vendas de minério de ferro, commodities sem valor agregado, bem como expor-se o Brasil , suas terras agricultáveis e férteis, ao capital chinês, de olho na monumental biodiversidade brasileira, que o poder nacional negligenciou como fábrica de fazer dinheiro em escala global, a presidente brasileira, que , parece, conseguirá abrir mercado da China à carne suína, como , também, aos aviões da Embraer, coloca, igualmente, em cena, a cultura. Trata-se de impulso formidável, estímulo considerável para a emulação infinita de jovens a se lançarem no mercado musical, para explorar as potencialidades globais, com impulso governamental decisivo. Comércio nas asas da arte Os Oito Batutas, comandados por Pixinguinha, fizeram a cabeça dos europeus, no início do século 20, quando as rodas de músicos autenticamente populares abriram-se à criatividade para os instrumentos de corda, assegurando variedades espetaculares ao maxixe, ao lundu etc, como alternativa à importação cultural importada da Europa. Durante todo o século passado, as conquistas do Choro, como gênero autenticamente brasileiro, avançaram para encantar o mundo. Mas, até então, nas delegações presidenciais, ainda, não havia sido tomada decisão de incorporar esses artistas, os embaixadores da arte e da beleza, para embalar as manufaturas nacionais a serem vendidas aos mercados globais. Com Dilma, o panorama muda de figura. É vender avião, suínos e commodities, embaladas pelo chorinho, que, também, vira produto altamente comercial, abrindo, em larga escala, a formação de um espetacular mercado de trabalho. Pinxiguina deve estar exultante com o trabalho de Reco do Bandolim. No ambiente de desenvolvimento exponencial da ciência e da tecnologia colocados a serviço da produção de bens e serviços, o tempo de trabalho tende a estreitar-se e o lazer a ampliar-se, abrindo-se à cultura como possibilidades de sobrevivência do trabalho como fonte de prazer. Por isso, os trabalhadores organizados em todo o mundo diminuem, com a força da organização social, as horas trabalhadas. O que, no século passado, requeria oito horas de jornada de trabalho, hoje, com a metade desse tempo, alcança-se a mesma produtividade. O lucro empresarial, no capitalismo, está, diretamente, associado à apropriação do trabalho não pago, já que , no mercado livre, a tendência, no compasso do aumento da produtividade, é a de os preços caírem, elevando a oferta em relação à demanda, afetada pela exploração capitalista. O lucro capitalista advém não da circulação das mercadorias, mas da força de trabalho devidamente explorada. Se, no ambiente da produtividade em alta, que derruba os preços, levando as economias às deflações destrutivas, torna-se dispensável oito horas de trabalho, sendo necessárias não mais do que quatro horas para alcançar resultados equivalentes, o que fazer com as outras quatro horas, que, antes – e ainda hoje – são apropriados pelo capitalista como salário não pago? Vai sobrar, claro, tempo para o lazer. Lazer significa estímulo à cultura. Por que não dispor o país de um plano estratégico para a cultura, a ser desenvolvida no século 21, com a redução da jornada de trabalho, que amplia renda e consumo disponível para o produto cultural? Esse é o jogo. Quanto menor a jornada de trabalho, a ser alcançada pelas lutas trabalhistas, ao longo dos próximos anos, como resultado da imensa produtividade, responsável por elevar a oferta relativamente à demanda, maiores serão as possibilidades da cultura. O tempo de trabalho não remunerado, no sistema capitalista, transforma-se em dinheiro , no processo de desenvolvimento das potencialidades culturais, que serão, certamente, colocadas a serviço da riqueza nacional. O Clube do Choro, em Brasília, criado por uma legião de sonhadores, que tem em Reco do Bandolim seu principal animador e empreendedor cultural, nos últimos anos, já se transforma numa escola de atração internacional, em ambiente mágico, no qual os jovens se soltam, para aprender uma profissão, enquanto se divertem, porque a diversão cultural estará associada, obrigatoriamente, à libertação do homem do excesso de trabalho que a ciência e a tecnologia, empregadas nas atividades produtivas, vão proporcionando, definitivamente. Luiz Gutemberg, jornalista e escritor, com sua visão onírica e poética da realidade brasiliense, disse certa vez que o grande mercado de trabalho, na capital da República, seria, a partir de determinado tempo, a cultura. Teatros, museus, espaços culturais, escolas etc, tudo teria que estar associado a um projeto cultural, coordenado por uma política direcionada, capaz de dimensionar as potencialidades espetaculares do espírito humano, pelo trabalho, que é valor que se valoriza. O governador Agnelo Queiróz está atento a essa fonte infinita de riqueza? Dilma Rousseff, a primeira mulher presidente do Brasil, leva os louros históricos por abrir as comportas desse potencial para a criação da riqueza, lançando-a no maior mercado do mundo. Não se pode dizer que os seus antecessores desconsideraram a cultura como potencial econômico. Há diferença fundamental entre pensar, falar e fazer. Pensar só não adianta. Igualmente, pensar e falar, idem. A diferença é dada pela ação. Ao colocar Reco do Bandolim e sua turma maravilhosa na delegação rumo à China, Dilma faz a diferença. Vem muita riqueza, alegria e poesia por aí nos próximos anos. O Ministério da Cultura jamais esteve diante de potencialidades tão largas. A titular do Planalto joga a cultura no centro da problemática nacional como saída econômica de peso nas relações comerciais do Brasil com seus parceiros internacionais. Categoria: (Cultura, Economia, Política)
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