Colegas,
Qualquer pensamento, inten��o, fal�cia, improp�rio, contum�lia, enc�mio,
suspiro, gemido ou s�laba de Bill
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Assim seja.
Bernardo
Citando "R H Barchilon (Master)" <[EMAIL PROTECTED]>:
> A guerra come�ou h� muito tempo.
>
> Em 1984, sob a Presid�ncia do General Jo�o Figueiredo, �ltimo do g�nero, o
> Brasil decretou a reserva de inform�tica.
>
> Pouca gente sabe que esse foi um dos poucos pontos em que a direita e as
> esquerdas mais radicais da �poca concordavam em g�nero, n�mero e grau.
>
> Sabiam que essa tecnologia representava uma potencial coloniza��o
> equivalente � cl�ssica invas�o de territ�rio e, como os militares sempre
> estiveram no poder, n�o foi dif�cil controlar imediatamente a situa��o com
> um decreto.
>
> N�o vou me estender em citar exemplos de como outros pa�ses lidaram com essa
> mesma preocupa��o e analisar o resultado que obtiveram depois das muitas
> reviravoltas da tecnologia, mas agora, vinte anos depois, continuo achando
> que foi um desastre a pol�tica de me transformar em contrabandista.
>
> Naquela �poca, com meus vinte e poucos anos, me sentia mesmo um pirata.
>
> Essa besteira de tentar se proteger fechando o mercado nacional
> especialmente a essas m�quinas importadas acabou mutilando uma inteira
> gera��o de pessoas que, a partir do fim da reserva e da abertura
> generalizada das importa��es em 1990, viram-na chegar como um tsunami,
> trazendo modos e meios que eram completamente desconhecidos, sucateando tudo
> o que existia de uma hora pra outra, destruindo empresas, varrendo postos e
> empregos.
>
> Agora, com o Governo Lula estamos assumindo uma postura francamente hostil
> ao novo imperialismo representado pelo monop�lio Microsoft, depois de termos
> com FHC feito a primeira emenda � Constitui��o de 1988, justamente para
> reconhecer aos estrangeiros patentes at� de medicamentos, que muitas vezes
> s�o produzidos em seus princ�pios ativos atrav�s da pesquisa em plantas das
> nossas pr�prias florestas.
>
> Depois disso, os E.U.A. aumentaram o prazo dessas patentes e direitos
> autorais com Clinton e, depois, com Bush, a ponto de chegar hoje aos 90
> anos.
>
> Se essas s�o as regras do jogo; se temos que respeitar patentes e direitos
> autorais, regulados atrav�s de tratados e conven��es internacionais, o
> Governo procura alternativas leg�timas como a do software livre e o
> alinhamento com pa�ses como a China, que n�o respeita essas patentes e tem
> se mostrado capaz de copiar qualquer coisa em muito pouco tempo. N�s at� j�
> os reconhecemos como pa�s com "economia de mercado", que � pra facilitar a
> legitima��o das trocas com base nas regras do tratado que criou a OMC,
> apesar do trabalho escravo e de outros problemas jur�dicos que afetam
> diretamente o seu enquadramento.
>
> � brincadeira: o futuro que os militares mais temiam na �poca da reserva era
> um alinhamento com Moscou...
>
> De qualquer forma, o Brasil �, e ainda por muito tempo ser�, cliente da
> Microsoft, por milhares de m�quinas que se encontram instaladas e em
> funcionamento.
>
> � natural, portanto, que um cliente como esse receba a visita do pr�prio
> Presidente da companhia, que quer lhe vender coisas que alcan�am cifras de
> mais de um bilh�o anuais, se computadas as empresas estatais.
>
> N�o importa se eles v�o se encontrar na Su��a ou na Cochinchina. Temos que
> negociar um pre�o. No m�nimo, com essa postura, Lula est� estimulando Gates
> a abaixar os pre�os nas vendas para o governo brasileiro. Alguns pa�ses da
> Europa conseguiram reduzir substancialmente o pre�o dessas licen�as. Espero
> que consigamos algo bem melhor, comparativamente falando, em d�lar, � claro.
>
> Estamos acompanhando e aguardando o fim dessa negocia��o, inclusive porque a
> forma concorrencial como vinha se desenvolvendo essa aquisi��o acabou sendo
> desmantelada por for�a de decis�o judicial no caso da TBA.
>
> O assunto � urgente para Bill Gates e seus acionistas.
>
> H� um consenso no discurso da m�dia de que um novo presidente pode fazer
> pouca coisa em rela��o �s coisas que encontra erradas quando assume o
> governo, mas esse exemplo do software livre mostra o quanto um presidente
> pode trazer em novo futuro com uma s� penada.
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