Ricardo Barroso escreveu:
> Pessoal,
>
>            Queria comunicar a todos da comunidade que após três anos e meio
> afrente do projeto softlivre (Linux e Openoffice) no Tribunal de Contas do
> Ceará, estou me desligando dessa instituição por não concordar em voltar tudo
> para o Windows e Office, como sempre desejou o diretor de TI, conseguimos
> permanecer por todo esse periódo graças ao incentivo e espirito empreendedor 
> da
> Presidente que saiu Dra. Soraia Victor e passou  o bastão para um político
> (deputado) que assumiu decidido a apoiar a iniciativa do diretor de TI que não
> conseguiu após cursos e workshop realizados por mim assimilar as novas
> tecnológias, reiterando por diversas vêzes a sua preferência pela simplicidade
> do windows.
>            Quero desde já dizer que atitudes como essas não me desencoraja e
> nunca barrará minha luta pelo softlivre.
>
> Ricardo Henrique de P. Barroso
> Analista de Sistemas
> Usuário Linux desde 1991.
> ___________________________________________________________________________________
> Para fazer uma ligação DDD pra perto ou pra longe, faz um 21. A Embratel tem
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>
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>
>
>   
Caro Ricardo. Não vejo motivos para desânimo. Existe uma grande parcela
de pessoas que escolhem usar software proprietário, e uma outra parcela,
um pouco menor, que prefere usar software livre. A influência que a
Microsoft tem frente ao pessoal que trabalha com ela é muito grande, por
uma série de incentivos, e que promove a adaptação dessas pessoas à sua
tecnologia, e não pela tecnologia em si. É importante saber que o custo
de aquisição do software é um preço que pagamos para transferir nossa
responsabilidade de conhecer a fundo o que usamos, para a detentora ou
proprietária. Profissionais de TI capacitados para uso de software livre
compreendem a necessidade de conhecer a fundo suas aplicações, e esse
conhecimento, sem dúvida, é muito importante para uma flexibilidade de
ação frente aos novos desafios que surgem no gerenciamento empresarial.
Por outro lado, o profissional que usa software proprietário tem uma
"parceria" com a empresa que gerou o código. Esse profissional se adapta
à camada usuário/administrador proposta, e tende a difundir essa
cultura. O problema aí é que a cultura divulgada cria uma dependência,
que em algum momento será responsável pelo desembolso financeiro para
cobrir pontos falhos, e existe um ciclo pouco virtuoso aí. A empresa é
forçada a comprar hardware mais novo para usar software mais novo, e o
antigo não mais é disponibilizado, mesmo que se tenha pago por isso.
Enfim, a escolha por esse ciclo é uma opção. O "político" não é
necessariamente o responsável por isso, mas sim uma cultura implantada
nas origens da sociedade informatizada, e sobre a qual se criam mitos e
tabus. O "político" talvez seja uma ponta de iceberg de uma problema
maior, e que nos inviabiliza ao julgamento justo. É fácil dizer que o
"político é ruim", ou "bom". Difícil é organizar pessoas para uma ação
efetiva frente a toda essa cultura. Acompanhando a lista, vejo, por
exemplo, o pessoal do BrOffice: problemas até para compilar o software
na plataforma windows, pois seriam necessárias máquinas novas e
melhores, e algumas pessoas dedicadas exclusivamente a isso, afim de
prover agilidade nessa ponta final de consolidação da distribuição do
programa. E aí perguntamos: por que uma instituição como o Banco do
Brasil, que está usando maciçamente o BrOffice, não financia uma ação
assim? Não é necessário muito, não. Pessoas que conheci, como o Cláudio
Filho, o Noelson... Quanto desperdício deixar pessoas assim sem uma
equipe e um laboratório de consolidação... É a ponta de lança para
organizar o que é produzido pela comunidade de SL. E aí, quem é
responsável por esse detalhe? A resposta é: nós. Nós somos responsáveis
pela cultura estabelecida, e não nos engajamos muito para mudar isso. De
alguma forma, isso significa financiar, investir. É claro, quem não pode
investir financeiramente, tem doado seu tempo para alguma coisa:
programação, tradução, documentação, usuário relator de bugs. Porém, tem
muita gente que poderia investir nisso, e muitas empresas também... E só
o que vêem é o software livre como uma forma de "cortar gastos", de
aumentar "imediatamente" o lucro da empresa... Uma cultura como a da
Microsoft foi construída por pessoas que se comprometiam realmente com o
que estavam fazendo (Bill, Jobs, outros), mas o objetivo era uma empresa
lucrativa. E conseguiram. Se quisermos que o software livre seja uma
opção culturalmente adotada pela sociedade, precisamos investir em bons
projetos que sejam fiéis a essa cultura, até o fim. Olha só o que
aconteceu com o Direto no Rio Grande... Existem empresas ajudando
iniciativas de SL, mas a dispersão ainda é grande. Respeito muito o
trabalho do pessoal do BrOffice, pois é uma "luta" mesmo, todo dia.
Imagina se estivesse sendo adequadamente financiado? Mas, é aquela
história: "para investir, é necessário algo rentável, para vender"!
Hoje, é difícil encontrar alguém como Albert Schweitzer, que tenha
recursos e que esteja interessado em mudanças consistentes, a longo
prazo. Parabéns pelo relato.

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