Caríssimo Professor Walter.
Estou procurando o que substituir no seu texto, mas ainda não encontrei... acho
uma pena, pois isso indica que está irrepreensível. Lamento que a grande
Instituição à qual dedico meu tempo de trabalho, meu parco intelecto, e até
parte de minhas habilidades musicais e artísticas, tenha um comportamento tão
refratário (eis um adjetivo que pode ser substituído) às observações que podem
fazê-la melhor.
Lamento, porque muitos, como eu, querem que a Instituição seja melhor. Porém,
muitos outros, simplesmente não sabem o que é ser melhor. Alguns deles,
encastelados que estão nos círculos (podres) do Poder - ainda que pequeno poder
(ih, outros adjetivos!) - já se atrevem a desafiar até a boa Metodologia
Científica, que eu, na minha ingenuidade, acredito que existe.
Daí, Professor, eu não gosto do seu texto, porque ele tirou a roupa do rei e de
toda a Corte; porque ele demonstra que muita gente prepotente, autoritária e
tacanha está no lugar errado - pelo menos pra mim - que é o serviço público.
Mas não encontro nada que possa substituir o seu texto, ou que possa ser
substituído nele. Por isso, parabéns. DEssa vez eu não pude ir à palestra, mas
quero ir a uma próxima. Quem sabe eu aprenda a escrever como um Professor!
[]'s
Lut.
Citando Walter Del Picchia <[EMAIL PROTECTED]>:
> Considerações acerca do 'Debate sobre eleições eletrônicas', ocorrido
> dia
> 17/11/05, na OAPSP - Ordem dos Advogados do Brasil - São Paulo
>
>
> Dia 17/11/05 assisti ao 'Debate sobre eleições eletrônicas', na OAPSP -
> Ordem
> dos Advogados do Brasil - São Paulo. Foi mais uma exposição que um debate,
> pois os expositores, Augusto T.R.Marcacini (Adv., Presid.da Comissão de
> Informática Jurídica da OABSP), P.Henrique Amorim (Jornalista, escritor),
> Amilcar Brunazzo F.(Eng., do Fórum do Voto-e), Jorge Stolfi (Eng., Titular
> da
> Unicamp), todos eles criticaram, com competência, o inauditável sistema
> eleitoral brasileiro, tornando patentes as inverdades da propaganda oficial
> sobre a urna eletrônica.
>
> O Eng. Amilcar discorreu longamente sobre o acúmulo de poderes do TSE e
> as
> constantes rejeições a quaisquer ações, petições, sugestões, solicitações de
> testes. Teve o cuidado de documentar inúmeros casos em que a resposta mais
> educada foi 'Arquive-se', sem quaisquer explicações.
>
> O Eng.Oswaldo Catsumi, um dos responsáveis técnicos por esse sistema,
> lá
> compareceu e fez duas intervenções no final. Na primeira: 1) solicitou, por
> umas quatro vezes, a supressão dos adjetivos (todos?) das gravações das
> palestras e 2) negou os fatos documentados pelo Eng.Amilcar. Disse também que
> o
> TSE está aberto às nossas sugestões e as tem aproveitado (prefiro entender
> isso
> como uma declaração de intenções para o futuro por que, até hoje, nada disso
> ocorreu ...). Na segunda, bem menos clara que a primeira, criticou os que
> dão
> como exemplo o que se faz lá fora, dizendo (adaptação minha): 'Se vou ter
> por
> modelo algo francês, então deveríamos falar francês'(!!!). E praticamente
> confirmou que isso que está aí foi estudado exaustivamente e é o melhor que
> conseguiram fazer. Portanto, está mais do que ótimo, o que o deixa orgulhoso
> por participar de algo tão importante (só faltou dizer, qual o Cândido do
> Voltaire, que estamos no melhor dos mundos e que ganha bem por tal
> participação).
>
> Confesso que eu tinha muito a dizer em resposta ao Senhor Catsumi (sempre
> no
> nível das idéias; quando me refiro a pessoas é apenas acessoriamente). O
> Sr.
> aqui é em respeito a quem, embora mais novo, tem uma importância muitos
> graus
> acima da minha, pois faz parte do pequeníssimo e privilegiado círculo dos
> técnicos que têm o controle do sistema eleitoral inauditável brasileiro,
> tendo
> pois o poder até de decidir o futuro do país; além disso ele é (bem)
> remunerado
> pelo seu trabalho, e nós, que vivemos pensando nas soluções para as falhas
> deles, gastamos nosso tempo e dinheiro com pessoas surdas e prepotentes. Mas
> a
> ética mandou-me ficar mudo. Afinal, o Sr.Catsumi e sua acompanhante pareciam
> ser
> os únicos lá que acreditam (ou fingem acreditar) nesse sistema absurdo, e
> deviam
> lá estar por decisão alheia, a mando de seus superiores; afinal, temos que
> justificar nossos empregos... Duvido que, num caso inverso, eles tivessem a
> mesma atitude ética, pois sei dos truques, manobras, desinformações, falsas
> promessas que têm feito rotineiramente, muitas em público. Mas minha
> consciência
> fez-me calar. Porém, como suas afirmações não podem ficar sem réplica,
> resolvi
> colocar aqui o que gostaria de ter dito, enviando cópia para o Sr.Catsumi (e
> para outros interessados):
>
> 1. As duas intervenções, feitas claramente mais por obrigação do que
> por
> convicção, não fizeram jus a um formado pelo ITA. Conheci, acompanhei as
> carreiras ou convivi com amigos, orientados, colegas lá formados (C.Mammana,
> W.Setzer, Dion de M.T., C.Rocha, J.E.Ripper etc.etc.), todos eles de um
> brilhantismo à toda prova. Talvez o desânimo catsumiano seja por convicção
> contrária ao por ele desejado, por saber que os argumentos e documentos
> apresentados são irrespondíveis. Da próxima vez, por favor, esforce-se mais;
> acho que merecemos algo mais consistente.
>
> 2. Agradeço sua 'demagogia cordial', ao sugerir que nossas críticas são
> bem
> vindas, que podem ser aproveitadas. Demagogia cordial é como 'mentira
> piedosa',
> aquela que o médico impinge ao doente terminal ('Você vai ficar bom ...').
> Os
> expositores também a praticaram, quando disseram 'Não desconfiamos dos
> atuais
> 'donos' do sistema, mas quem garante os futuros?'. Detesto hipocrisia; por
> isso
> sugiro, de parte a parte: Sejamos sinceros. Admitam: vocês não desejam e não
> aceitam sugestões, tem medo e fogem dos debates que sugerimos e dos testes
> que
> solicitamos. E eu tenho o direito de desconfiar de todos os seres humanos,
> especialmente dos que detêm poder. Inspiro-me nada menos que em Lord Acton,
> eminente historiador inglês que abominava a concentração do poder, e para
> quem
> 'O poder corrompe e o poder absoluto corrompe de forma absoluta'. E o poder
> do
> TSE, apesar de suas negativas envergonhadas é, indiscutivelmente, absoluto.
> Seus componentes negam o que querem, fazem o que lhes interessa, são
> escandalosamente réus e juizes ao mesmo tempo, protelam, julgam-se,
> absolvem-se. Os que conheço, tenho-os como honestos. E os milhares que não
> conheço? Acrescente-se que, nos poucos casos nos quais aparenta dividir seu
> poder com o Congresso, o TSE age como um verdadeiro rolo compressor,
> aprovando
> o que desejar.
>
> 3. Quanto à solicitação da retirada dos adjetivos do que foi falado,
> estranhei
> no início, mas meus parcos conhecimentos de psicologia mataram a charada: o
> desejo do TSE e de seus técnicos é claro, querem calar toda e qualquer
> crítica.
> O pedido de cortar os adjetivos esconde o desejo de, a seguir, cortar os
> substantivos, os verbos e o que restasse. Ou seja, o que se aspira é a
> censura
> completa. É assim que se iniciam as ditaduras.
>
> 4. As negativas sobre as afirmações do Amilcar quanto à prepotência do
> TSE
> chocaram-me. Ele apresentou tantos documentos, com solicitações/respostas (e
> sei que o que foi relatado é verdadeiro, pois acompanhei o desenrolar de
> todos
> os casos), que só vejo duas alternativas, ambas inacreditáveis: ou o
> Sr.Catsumi
> está acusando o Amilcar de falsificador de documentos, ou comete uma agressão
> à
> inteligência dos presentes, afirmando que evidência não é evidência,
> documento
> não é documento, prova não é prova. Se essa atitude for endossada por seus
> colegas de trabalho, vou acreditar que o TSE, componente do Judiciário,
> última
> esperança da honestidade nacional, aprendeu a Novilíngua com os outros
> poderes
> e redefiniu o sentido das palavras. Vivi vinte anos com uma nissei muito
> gentil, dava-me muito bem com a sogra japonesa e sei da proverbial educação
> oriental; portanto, não acredito que ele, como bom descendente de orientais,
> cometesse tais indelicadezas creio que haja alguma outra explicação.
>
> 5. Quero que todos, o Sr.Catsumi incluso, pensem se tem algum sentido a
> expressão eleição inauditável. Basta raciocinar um pouco para notar a
> contradição explícita. Será que só os técnicos do TSE não percebem isso? E
> se
> percebem, por que insistem nessa aberração? Colaborar com tal absurdo não os
> incomoda? Que interesses há por trás que os fazem contrariar a lógica e a
> boa
> técnica? Por que negam explicações, evitam debates e o que fazem é apenas
> elogiar a si mesmos e tentar calar as críticas?
>
> 6. Quanto a copiar soluções de fora, além de pesquisador sou
> suficientemente
> nacionalista para dar valor às soluções nacionais, adequadas aos nossos
> problemas e não aos problemas do exterior. Prestigio os produtos nacionais
> sempre que possível. Mas, convenhamos, fecharmo-nos às soluções, às
> técnicas,
> às filosofias externas seria contra-senso. Aproveitemos o que eles têm de
> conveniente para nós, sem rejeitar o que nos serve. E pelo critério
> catsumiano,
> não poderíamos usar o sistema cartesiano e os tratados de harmonia franceses
> (base do aprendizado brasileiro na área) sem adotar a língua francesa, eu
> não
> poderia compor música dodecafônica sem adotar o alemão. E o futebol,
> poderemos
> joga-lo sem adotar o inglês? E o sushi, posso degusta-lo sem culpa?
>
> 7. Concordamos que a OABSP é um campo neutro, conveniente para
> conversarmos. Se
> é verdade que de agora em diante nossa colaboração será bem vinda pelos
> técnicos do TSE, por que não agendarmos na OABSP um seminário de alto nível,
> com especialistas em segurança de dados, em hardware e em software, aberta
> aos
> interessados que se inscreverem previamente? Sem posições pré-concebidas,
> sem
> subterfúgios e sem condições restritivas. Deixo aqui registrada oficialmente
> nossa proposta, em nome do Fórum do voto-eletrônico: podemos colaborar em
> sua
> organização e aguardamos resposta. Se isso os deixa mais tranqüilos, declaro
> também que não desejamos cargos, verbas, prestígio. O que nos revolta é, em
> nossa opinião, ver a sociedade ser enganada e a possibilidade de deixarmos
> para
> as futuras gerações um sistema, no estágio atual, altamente criticável e
> perigoso.
>
> 8. Não vejo motivos para vocês orgulharem-se desse sistema; tem méritos,
> isso é
> indiscutível, mas a insegurança para seus usuários, os eleitores, impede
> qualquer análise favorável. Do modo que está, é um grande perigo para nossa
> frágil democracia, e eu considero os técnicos do TSE como coniventes. Se
> realmente houve boa intenção por trás da implantação desse sistema, o
> correto
> seria explicar aos juízes responsáveis, leigos no assunto, todas as
> desvantagens envolvidas, em lugar de deixa-los orgulhosos mas iludidos. Em
> minha opinião, quanto antes essa atitude for tomada, melhor para nosso país
> e
> para o TSE. Afinal, qualquer dia a sociedade vai acordar e perceber o risco
> que
> está correndo.
>
> 9. Em suma: O rei está nu. Se não desejam ouvir críticas, cada vez
> mais
> contundentes, vistam o rei.
>
>
> Walter Del Picchia S.Paulo/SP
>
> (Obs.: Quem não apreciar esse texto, está autorizado a suprimir todos os
> adjetivos,
> para ver se melhora. De minha parte, recuso-me a suprimir ou substituir
> qualquer
> vocábulo.)
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>
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