Pessoal:
Não é difícil que o TSE use de novo um raciocínio parecido com o truque
que
usou quando fez uma 'experiência' de impressão de votos: sabotou o que pode,
colocando letrinhas miúdas (conforme me contaram) e não prevenindo os mesários
sobre cuidados para o papel não atolar. Resultado previsível (e provocado): o
Sr. Paulo Camarão, do TSE, saiu por aí dizendo que 'foi um desastre' (dele, é
claro...).
Agora, se os incompetentes da Diebold não sabem projetar um sistema que
funcione, culpa deles e não da solução (em tempo: a descrição 'isto não bate
com sso, que não bate com aquilo' está um tanto vaga, muito pouco científica -
em que condições foram feitas as experiências?) . Alternativas:
proponham/experimentem outro sistema de materialização do voto, com custo
compatível, ou voltem para o voto antigo, de papel mesmo - o que não podemos
aceitar é do jeito que está, inconferível, 100% inseguro e com possibilidade
de desvio do voto e da identificação do mesmo.
Abraço
Walter Del Picchia - S.Paulo/SP
====================================
Em Qua, Agosto 30, 2006 6:04 pm, Alessandro escreveu:
> Tudo bem!? Estrategicamente, porém, temo a distorção do trecho "(...)Em
> resumo, a
> recontagem de votos estava comprometida. Este fato parece derrubar a tese dos
> que
> defendem o mecanismo de emissão do voto de papel." pelo pessoal da JE para
> combater
> uma das principais propostas/sugestões do Fórum do Voto-E e do nosso
> "Manifesto"...
> Falácia, pois o relatório só derruba a tese de que as urninhas Diebold são
> seguras/confiáveis e atrai atenção para a necessidade de ativa fiscalização
> por
> parte dos interessados (desde as fases de projeto e licitação...) para
> garantir a
> qualidade das impressões e de conscientizar os eleitores sobre a importância
> de
> conferir o voto que foi impresso!
>
> Beth Osuch <[EMAIL PROTECTED]> wrote: O importante é que está havendo uma
> movimentação em relação ao assunto,
> bastante positiva. Segundo o autor, vamos ter mais novidades nas próximas
> semana, na imprensa americana.
>
> Beth
>
>
> 2006/8/30, Roger Chadel
> :
>>
>> Finalmente começam a aparecer pessoas que questionam a urna sem ser do
>> nosso grupo. Não há novidade no texto, mas gostei da última frase: "O
>> Brasil foi o primeiro a privatizar o seu sistema de votação". É um
>> argumento interessante, no qual não havia pensado.
>>
>> Chadel
>>
>> A respeito de [Voto Seguro] As urnas da Diebold - dinamitadas e adoradas,
>> em 30/08/2006, 16:50, Beth Osuch escreveu:
>>
>> BO> As urnas da Diebold dinamitadas e adoradas
>>
>> BO>
>> BO> *Por José Rodrigues Filho **
>> BO> **
>> BO> No início da semana que passou a empresa Diebold, fabricante de nossas
>> urnas
>> BO> eletrônicas, foi dinamitada com um relatório resultante de uma
>> pesquisa
>> BO> produzida pelo Instituto de Ciência Eleitoral, da Califórnia, USA, que
>> BO> demonstrou, mais uma vez, a fragilidade e insegurança do voto
>> eletrônico.
>>
>> BO> A mídia americana não pára de emitir comentários sobre o assunto. O
>> sistema
>> BO> de votação estudado dispunha de mecanismo de impressão do voto do
>> eleitor,
>> BO> ou seja, a máquina de votar era acoplada a uma impressora que emitia o
>> BO> registro do voto. Mesmo assim, o relatório mostrou que, no caso de uma
>> BO> recontagem de votos, cerca de dez por cento (10%) das provas do
>> sistema de
>> BO> verificação e emissão de votos eram ilegíveis, foram destruídos,
>> BO> desapareceram ou estavam comprometidos. Em resumo, a recontagem de
>> votos
>> BO> estava comprometida. Este fato parece derrubar a tese dos que defendem
>> o
>> BO> mecanismo de emissão do voto de papel.
>>
>> BO> Além disto, o estudo constatou que em cerca de cinqüenta por cento
>> (50%) dos
>> BO> locais de votação houve uma discrepância entre o que estava registrado
>> e
>> BO> armazenado na máquina e a emissão do voto de papel. A média de
>> discrepância
>> BO> foi de 25 votos por local de votação, embora se tenha registrado uma
>> BO> discrepância de mais de 200 votos num único local. Resumindo, o que se
>> BO> constatou foi que a verificação e impressão de votos não batiam com o
>> que
>> BO> estava armazenado na máquina de votar; o que estava registrado na
>> memória da
>> BO> máquina não batia com os cartões de memória; que também não batia com
>> a
>> BO> emissão de votos.
>>
>> BO> Um fato curioso apontado na pesquisa e comentado pela imprensa foi o
>> de que
>> BO> 24 urnas utilizadas na eleição não continham nenhum voto registrado.
>> Diante
>> BO> destas e outras irregularidades, o relatório concluiu que confiar num
>> BO> sistema de votação eletrônico no estado atual é um risco calculado,
>> pois
>> BO> embora se tenha o resultado de uma eleição que seja aceitável, existe
>> um
>> BO> elevado risco de custo inaceitável. Não estamos falando de fraudes,
>> mas de
>> BO> erros ocorridos nas urnas eletrônicas.
>>
>> BO> O relatório foi o resultado de uma pesquisa que custou trezentos e
>> quarenta
>> BO> e um mil dólares (US$ 341,000), ou seja, quase um bilhão de reais,
>> gastos
>> BO> num período de três meses pelo distrito de Cuyahoga, município de
>> Cleveland,
>> BO> no Estado do Ohio, envolvendo um batalhão de pesquisadores das áreas
>> de
>> BO> computação, engenharia de sistemas, ciência política, estatística e
>> gestão
>> BO> organizacional. Trata-se de um documento completo e rico de
>> informações, de
>> BO> mais de 200 páginas e que estudou minuciosamente 467 urnas no
>> distrito. O
>> BO> relatório pode ter suas falhas, mas não se trata de um documento
>> falso.
>>
>> BO> A empresa Diebold tentou desqualificar o relatório do Instituto de
>> Ciência
>> BO> Eleitoral, alegando que as discrepâncias encontradas não eram
>> discrepâncias,
>> BO> atribuindo os erros aos mesários que não tinham o devido treinamento
>> para
>> BO> cuidar de uma eleição. Nos últimos dias desta semana, a administração
>> BO> municipal tentou assumir os erros, pois seria até injusto atribuir
>> todos
>> BO> eles à Diebold e suas máquinas. Neste caso, tanto a Diebold como o
>> relatório
>> BO> da pesquisa chegou a uma conclusão mais ou menos idêntica: uma eleição
>> só
>> BO> pode ser segura e confiável se a administração humana do sistema da
>> eleição
>> BO> estiver devidamente preparado para conduzi-la. Mesmo assim, fica
>> BO> demonstrado, neste caso, que existiram falhas das máquinas, falhas das
>> BO> impressoras e falhas humanas. Daí a necessidade de se continuar
>> BO> desenvolvendo pesquisas para se encontrar o sistema mais eficiente e
>> BO> confiável.
>>
>> BO> Os Estados Unidos vão realizar eleições no mês de novembro próximo,
>> tendo
>> BO> investido bastante em urnas eletrônicas, com a intenção de que mais de
>> BO> cinqüenta por cento (50%) dos votos sejam computados por elas. Mesmo
>> assim,
>> BO> desde o mês de julho próximo passado que a imprensa, quase que
>> diariamente,
>> BO> detona comentários contra a utilização das urnas eletrônicas,
>> existindo
>> BO> ações judiciais para que elas não sejam utilizadas em vários Estados.
>> Isto
>> BO> sem falar no fato de que alguns Estados não pretendem utilizá-las..
>>
>> BO> No Brasil, neste período eleitoral, com raríssimas exceções, parece
>> não
>> BO> haver interesse da imprensa de tratar das fragilidades das urnas da
>> Diebold,
>> BO> que são utilizadas nas nossas eleições. Aliás, quando se fala em urnas
>> BO> eletrônicas é incrível como muitos brasileiros parecem sentir seu ego
>> sendo
>> BO> massageado, acreditando que se trata de uma tecnologia brasileira e
>> que o
>> BO> mundo está com inveja do Brasil.
>>
>> BO> Não há dúvidas que o Brasil foi o primeiro país do mundo a decidir
>> usar, de
>> BO> forma precipitada, urnas eletrônicas para uma eleição em larga escala.
>> BO> Contudo, as urnas sempre foram adquiridas da empresa Diebold, ou seja,
>> BO> sempre foi uma tecnologia lá de fora e, ao que tudo indica,
>> investimentos
>> BO> obscenos foram realizados em urnas eletrônicas, comprometendo outras
>> BO> necessidades básicas e maiores de nossa população. Não se pode
>> continuar,
>> BO> neste país, reciclando velhas iniqüidades, com o único propósito de se
>> ter,
>> BO> com rapidez, o resultado de uma eleição e mostrar ao mundo que somos
>> BO> tecnologicamente avançados, embora pagando muito caro pela tecnologia
>> BO> utilizada.
>>
>> BO> Não somos contra a tecnologia, mas devemos primeiramente saber se o
>> país tem
>> BO> as condições econômicas de utilizá-la, pois se trata de um elevado
>> BO> investimento. Há poucos anos a empresa Diebold comemorou ter alcançado
>> o
>> BO> maior faturamento de um único pedido em seus 141 anos de história,
>> BO> equivalente a mais de cem milhões de dólares, ao vender urnas
>> eletrônicas ao
>> BO> Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A questão que se faz é a seguinte:
>> o que
>> BO> a nossa democracia ganhou com isto? O que estamos assistindo é uma
>> divisão
>> BO> digital neste país por conta de investimentos obscenos em urnas
>> eletrônicas,
>> BO> sem a condição de se criar nenhuma capacidade tecnológica nesta área.
>> BO> Enquanto o TSE investe maciçamente na aquisição de urnas eletrônicas
>> BO> sofisticadas, correndo o risco de não utilizar toda a sua capacidade
>> durante
>> BO> as eleições deste ano, nega, por outro lado, a pagar irrisórias
>> despesas de
>> BO> viagens e hospedagens de um ou outro pesquisador brasileiro
>> interessado em
>> BO> comparecer, neste início de setembro, à cerimônia de lacre destas
>> urnas para
>> BO> as próximas eleições. O TSE deveria inicialmente investir em pesquisas
>> para
>> BO> depois decidir sobre a aquisição de compra de máquinas de votar.. É
>> assim que
>> BO> acontece em outros países.
>>
>> BO> Enquanto a comunidade acadêmica dos países desenvolvidos dinamita as
>> urnas
>> BO> da Diebold, com resultados bastante consistentes, no Brasil estes
>> artefatos
>> BO> são adorados, devendo a comunidade acadêmica se manter distante para
>> não
>> BO> conhecê-los. Nós, pesquisadores, eleitores e cidadãos somos tratados
>> como
>> BO> pagãos, que temos a necessidade de sermos salvos no altar da máquina
>> de
>> BO> votar da Diebold. Como seres humanos, somos imperfeitos, sujeitos ao
>> pecado
>> BO> e temos de ser perdoados, porém as urnas são infalíveis. Pior ainda:
>> ninguém
>> BO> pode se atrever a interferir no sermão da contagem de votos.
>>
>>
>> BO> O Brasil é um país com experiência na utilização das urnas da Diebold,
>> porém
>> BO> não existe um só estudo demonstrando a sua robustez, como afirma o
>> TSE. Pior
>> BO> ainda, qualquer comentário contrário às urnas da Diebold é desmentido
>> e
>> BO> desqualificado por técnicos do TSE. Não se avalia tecnologia de
>> informação
>> BO> neste país. As urnas já alcançaram o status de religião e o cultor não
>> pode
>> BO> questionar o dogma. No dia primeiro de outubro vamos à igreja da
>> democracia
>> BO> fazer a nossa genuflexão perante as novas sacerdotisas das máquinas de
>> BO> votar, considerando que elas são as mais altas autoridades num país
>> que,
>> BO> realmente, foi o primeiro a privatizar o seu sistema de votação.
>>
>> BO> * José Rodrigues Filho foi pesquisador nas Universidades de Harvard e
>> Johns
>> BO> Hopkins. Atualmente é professor da Universidade Federal da Paraíba e
>> BO> desenvolve pesquisa sobre governo eletrônico e democracia eletrônica.
>>
>>
>>
>>
>>
>> Grande abraço,
>>
>> Roger Chadel
>>
>> //// O TSE deve voltar a ser um tribunal
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