Ao ler este artigo você pode achar que se trata do Brasil. Mas não, é a Holanda!
Roger Chadel
Desvio do voto eletrônico: a Europa estaria tão vulnerável quanto os Estados Unidos?
Michel Monette - 10 de outubro de 2006
As más notícias sobre o voto eletrônico vêm normalmente dos Estados Unidos. Desta vez, entretanto, é um relatório arrasador para as máquinas holandesas Nedap ES3B que acaba de ser publicado. Este modelo é responsável por mais de 90% das máquinas de votar nos Países Baixos. Estas mesmas máquinas são usadas na França e na Alemanha.
Assim como a máquina Diebold hackeada pelo professor Ed Felton e seus auxiliares da Universidade de Princeton, qualquer pessoa que tenha um breve acesso ao conteúdo da máquina ES3B pode introduzir linhas de código indetectáveis, e assim modificar o voto em segredo. A facilidade de acesso aos componentes da máquina é desconcertante.
Já que não há meios de verificar os resultados (registro direto do voto na memória da máquina, sem comprovante em papel), a dúvida paira sobre os resultados eleitorais nos locais onde este tipo de máquina é usado. Mas não é só isso. Os autores do relatório revelam a existência de uma brecha no segredo da cabine: eles puderam descobrir à distância, graças às ondas de rádio emitidas pela máquina, em quem o eleitor votava.
Qualquer especialista em segurança militar lhe dirá que qualquer computador emite ondas que podem ser captadas à distância. Com um espectrômetro, os autores do relatório puderam determinar a quem era atribuído o voto. Precauções mínimas poderiam ter sido tomadas pela Nedap para impedir isso.
Três máquinas foram obtidas em dois municípios holandeses pelos autores do relatório com o objetivo de testar sua vulnerabilidade. Uma das máquinas foi emprestada, e ela vai ser novamente usada numa próxima eleição municipal. As duas outras não poderão mais causar danos, já que pertencem aos autores do relatório. Eles demonstraram mais uma vez que ao recusarem de colocar suas máquinas para testes, as empresas ficam vulneráveis.
O calcanhar de Aquiles do voto eletrônico é o segredo comercial e a vontade das empresas que desenvolvem as máquinas de votar de confiar num princípio obsoleto em matéria de segurança: a segurança pelo obscurantismo. A recusa em divulgar o código-fonte é sustentada por este princípio, enquanto que as vulnerabilidades que tentam esconder são cada vez mais descobertas e exploradas.
Numerosos especialistas de informática, especialistas em segurança e simples cidadãos exigem o fim do segredo do código-fonte das máquinas de votar eletrônicas, assim como a inclusão de uma prova de cada voto em papel que poderia servir em caso de contestação dos resultados.
Robert McMillan, ComputerWorld, Flaws found in European machines.
Nedap/Groenendaal ES3B voting computer a security analysis (pdf)
Ed Felton (Freedom to Tinker), Dutch E-Voting System Has Problems Similar to Diebold’s.
Tradução: Roger Chadel
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Grande abraço,
Roger Chadel
//// O TSE deve voltar a ser um tribunal
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