Encaminhando artigo sobre a eleição eletrônica. Por que o Economista Adriano Benayon sabe que foi roubado... .
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-------------------------------- Mensagem Original
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Assunto: Experiencia candidato
De: "Adriano Benayon" <[EMAIL PROTECTED]>
Data: Qua, Novembro 22, 2006 5:24 pm
Para: Josué Borges <[EMAIL PROTECTED]>
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Publicado em "a nova democracia" nº 32, dezembro 2006
A farsa do sufrágio universal
Experiências de um candidato
Adriano Benayon*
1. Por que fui candidato?
De há muito, não tenho ilusão quanto ao fato de estar o sistema político
controlado
por oligarcas estrangeiros e de que nem 10% do Congresso resistem a esse poder.
Meu
objetivo é mais espaço para elevar o nível de consciência de nossos
compatriotas. Há
30 anos escrevo artigos demonstrando como o modelo econômico dominado pelas
empresas
transnacionais leva o Brasil a investir pouco e mal, causando desemprego em
massa no
País que tem o potencial mais favorável para o desenvolvimento econômico e
social,
em todo o Planeta.
Publiquei em 1998 o livro Globalização versus Desenvolvimento, (2ª edição 2005
editora Escrituras, São Paulo), no qual sustento ser incompatível com o
desenvolvimento a globalização comandada pelo poder mundial. Ali mostro, com
base em
extensa documentação e bibliografia, que só houve desenvolvimento durante certo
tempo e em certos países, quando e onde o Estado liderou o processo e atuou para
fortalecer empresas nacionais, estatais e privadas.
Contrario sensu, foi abortado o progresso dos países que, como o Brasil, abriram
suas portas ao investimento direto estrangeiro - e pior - o favoreceram por
meio de
subsídios e incentivos. A política econômica foi transformada em instrumento
implacável para destruir as empresas de capital nacional. Isso porque, quanto
mais
se concentra o poder do capital estrangeiro sobre os mercados, cada vez mais ele
controla as instituições políticas e os ocupantes da máquina do Estado.
São essas as realidades que discuto nas palestras e em outros trabalhos. Durante
anos, fiz consultoria para o Dr. Enéas, do PRONA - Partido da Reedificação da
Ordem
Nacional, tendo sido convidado a ser candidato a deputado federal por São Paulo.
Comecei a campanha, divulgando-a em folheto eletrônico, do qual imprimi 80 mil
exemplares. Eis seu conteúdo:
Lema: "Vamos nacionalizar o Brasil". "Adriano Benayon, diplomata e consultor
legislativo na área de economia, é autor de Globalização versus
Desenvolvimento, São
Paulo, 2005 - editora Escrituras. Dele diz o Dr. Enéas: "Desde 2002, quando fui
eleito deputado federal, tenho tido sua colaboração exercendo um trabalho que,
muito
mais do que consultoria na área econômica, é constante fonte de aprendizado para
todos que o cercam e o admiram, círculo ao qual eu tenho a honra e a alegria de
pertencer."
Benayon quer que o PRONA seja o reduto da resistência nacional na Câmara dos
Deputados. Quer conscientizar os brasileiros para nos libertarmos do saqueio que
sofremos.
Adriano Benayon elaborou o Projeto de Lei 3.960/2004, para, em 10 anos,
substituir a
gasolina e o óleo diesel pelo álcool e por óleos vegetais. Isso dará enorme
ganho
econômico, fará melhorar o meio-ambiente e a saúde em cidades como São Paulo,
além
de gerar 12 milhões de empregos.
Basta investir 4 bilhões de reais por ano: menos de 1% dos gastos inúteis do
País
com juros.
Propostas
1. Dívida pública: renegociar a externa, como fez a Argentina, descontando 65%
do
valor dos títulos. Eliminar em 10 anos a dívida interna (hoje acima de R$ 1
trilhão), limitando a taxa real de juros a 3% aa.
2. Gerar 20 milhões de empregos, fazendo o governo federal investir 10% do PIB
em
infra-estrutura econômica e social. Isso fará triplicar os investimentos
produtivos
das empresas.
3. Deter a entrega da Amazônia a grupos estrangeiros. Reequipar as Forças
Armadas e
aumentar seus efetivos para 1 milhão. Valorizar servidores civis e militares.
Fortalecer a Polícia Federal, as Polícias militares e as demais forças de
segurança
interna.
4. Assegurar às empresas de capital nacional condições de competir e desenvolver
tecnologia. Tudo isso elevará o emprego, os direitos dos trabalhadores e os
salários, derrubados em 50% nos últimos 8 anos. Revogar as "reformas" da
previdência
e proibir o desvio de suas verbas para os juros da dívida.
5. Reformular o sistema bancário e monetário. Estabelecer controles de capitais
e de
câmbio. Retirar o fardo tributário das costas da classe média. Anular as
privatizações da Vale do Rio Doce, das siderúrgicas, dos sistemas de
eletricidade e
de telecomunicações. Terminar com a extração das jazidas de petróleo dadas de
graça
a mega-empresas estrangeiras."
2. Campanha e resultado
Expus minhas posições em entrevistas às emissoras Art-TV e Rede Brasil de
Tecnologia
RBT. Gravei inserções. Tive apoio de pessoas que conhecem meu livro e os
artigos.
Repetiram mensagens eletrônicas, enviaram folhetos ou divulgaram-nos
pessoalmente.
Fiz novos amigos, que se engajaram na campanha. As chances de eleição dependiam
dos
votos do Dr. Enéas, suficientes em 2002 para eleger seis deputados. Desta vez
só se
reelegeu. As chances dependiam também de eu me classificar entre os primeiros do
Partido, em cuja lista de 10, quase todos dispunham de escassos meios e são
pouco
conhecidos. Entretanto, fiquei longe de ser eleito.
Não estou em má companhia, já que tiveram votações inesperadamente baixas outros
candidatos nacionalistas, como o Deputado Sérgio Miranda (PDT, ex-PC do B) em
Minas
Gerais e a Dra. Clair (PT) no Paraná, Também ficaram longe de ser eleitos: o
Brigadeiro Ércio Braga (PDT),a economista Ceci Juruá (PDT), e Wagner
Vasconcellos
(PRONA), no Rio de Janeiro.
3. A urna eletrônica
Sob o sistema totalitário - que se auto-intitula democrático - os que se
tornaram
escravos ignoram sua condição, manifestada nas taxas de juros, nas tarifas dos
serviços públicos privatizados e em outras modalidades de saqueio. Imaginam
eleger
candidatos aos cargos públicos, desconhecendo que nada garante que o voto
digitado
na urna eletrônica vá para o candidato cujo nome e cuja foto escolheram na tela.
Pelo padrão da minha votação, há indícios de interferência na urna eletrônica.
Para
encontrar no CD do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) os resultados de cada
Seção,
contei com a ajuda de perito em informática. A compilação do CD não segue as
normas
de organização da informação, aglomerando diferentes grupos de dados, o que
obriga o
pesquisador a acessar cada dado manualmente. As dificuldades técnicas e a demora
fazem com que poucos realizem a tarefa.
--------------------------------------------------------------------------------
O único modo possível de auditar as urnas seria o voto impresso, para conferir
com a
totalização por amostragem ou denúncia, mas ele foi suprimido em 2003
--------------------------------------------------------------------------------
Tive votos em 688 Seções Eleitorais, mas só 728 votos. Em 656 delas, portanto em
95,3%, apenas um voto por Seção. Essa distribuição afigura-se altamente
improvável,
para não dizer impossível. Ainda mais, porque houve, em algumas Zonas, trabalho
concentrado de amigos e partidários, implicando boa chance de número
significativo
de votos nas Seções.
No total, apareceram 4 votos por Seção só em 2 Seções, além de 3 por Seção em 4
e de
2 por Seção em 26, aleatoriamente, sem correlação com as Zonas onde fiz
campanha, e
nas quais voluntários nela atuavam com intensidade, como Cotia, onde tive 40
votos.
Em Diadema recebi 50, sem conhecer lá ninguém, nem lá ter ido.
4. A urna e as eleições
O processo é aberto a fraude em várias etapas. O software de controle de urnas
vem
do Tribunal Superior Eleitoral TSE, passa pelo TRE e pode ser alterado também
nos
Cartórios das Zonas Eleitorais. O alegado meio de segurança é a seqüência de
códigos
verificadores hash**, também modificáveis a cada etapa. O próprio software
gerado no
TSE só seria analisável em um ano, e nunca foi disponibilizado senão poucos dias
antes da eleição.
O único modo possível de auditar as urnas seria o voto impresso, para conferir
com a
totalização por amostragem ou denúncia, mas ele foi suprimido em 2003, quando a
Lei
foi modificada mediante coação sobre os líderes de partidos.
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Quem controla ou obtém acesso ao banco de dados da totalização (inclusive pelas
portas dos fundos para manutenção) pode eleger a bancada legislativa que quiser
--------------------------------------------------------------------------------
Não bastasse isso, na eleição de 2006, o TRE de São Paulo determinou aos
presidentes
de Seções não fornecer boletins de urna aos partidos, contrariando a Lei
9.504/97 e
a Resolução nº 22.332, do TSE, baixada pelo Ministro Marco Aurélio, em agosto de
2006.
A decisão do TRE-SP baseou-se em proposta de sua Secretaria de Tecnologia da
Informação. Esta alegou não ser suficiente a bobina de papel para imprimir os
oito
boletins de urnas para os partidos. Ora, pelo ofício 4.429, de 04.07.2006, o
diretor-geral do TSE respondeu consulta do Engenheiro Amílcar Brunazo,
esclarecendo
que a bobina tem 80 metros de comprimento, tamanho mais que bastante para a
impressão dos resultados das Seções em dez vias. (Pormenores no Memorando nº
695 da
STI do Tribunal, de 29.06.2006).
A comunicação do TRE-SP foi feita na semana da eleição, e só um partido, à
última
hora, pediu ao TSE fosse cumprida a Resolução 22.336 - impressão de 10 boletins
(oito para os partidos). A ordem do TSE só saiu às 21 horas da véspera da
eleição.
Escusado dizer que a maioria dos presidentes das Mesas negou os boletins de
urnas
aos fiscais dos partidos.
Posso dizê-lo, porque montei esquema de fiscalização, credenciando delegados e
fiscais, após tê-los instruído, conforme as orientações do Prof. Amílcar Brunazo
Filho e da advogada Maria Aparecida Cortiz, autores do livro Fraudes e Defesas
no
Voto Eletrônico, SP 2006.
No resultado oficial, os votos nulos e brancos para deputado federal em SP
foram só
15%. Menos que na eleição de 2002, apesar de: 1) a campanha pelo voto nulo,
tanto
pela Internet, como por ativistas; 2) a descrença do povo em políticos, face aos
escândalos da corrupção de varejo - a que a mídia relata; 3) o fato de 70% dos
eleitores não terem candidato a deputado federal, até pouco antes da eleição.
Não foram reeleitos deputados renomados, que costumam comprar votos pelo método
tradicional, com grana para cabos eleitorais e líderes locais. Nem se fale em
renovação ou em listas de mensaleiros ou de sanguessugas, pois esses deputados
não
estavam nelas e são bem falados pela mídia. Mas gente de pouca expressão
elegeu-se e
reelegeu-se, com votações espetaculares. Como?
Para entender as falcatruas possíveis com a urna eletrônica sem voto impresso,
recomendam-se os artigos dos especialistas no site do Grupo Voto Seguro:
www.votoseguro.org
O objetivo do Grupo é a transparência no processo eleitoral do Brasil e alertar
para
a vulnerabilidade da urna eletrônica. Como diz Brunazo, os políticos em geral
intimidam-se diante desse problema. Vale transcrever de seu artigo publicado
poucos
dias antes da eleição:
"Com isso a Resolução 22.336, obtida graças à ação de Brunazo e da Dra. Cortiz,
pensávamos ter resolvido um grande problema, pois a fraude eleitoral no banco de
dados, possível de ser feita por quem a ele tenha acesso legítimo ou ilegítimo,
só
dá para ser descoberta e provada pelos partidos com a coleta dos Boletins de
Urnas
impressos nas seções eleitorais para posterior conferência com os resultados
oficiais.
O Ministério Público nunca recolheu Boletins de Urnas nas seções eleitorais. E
não
vai recolher. A imprensa não se organiza para isso (não basta recolher o
Boletins de
Urnas; há que conferi-lo contra os resultados oficiais) e nem tem função de
fiscal
das eleições. Ninguém vai conseguir fiscalizar as eleições em São Paulo.
Vou dar o mapa da mina em São Paulo. Quem controla ou obtém acesso ao banco de
dados
da totalização (inclusive pelas portas dos fundos para manutenção) pode eleger a
bancada legislativa que quiser e, dentro das margens das pesquisas, desviar
votos
brancos, nulos ou válidos ...
Depois fica fácil dizer que 'nenhuma prova de fraude foi apontada nas eleições
informatizadas'. Claro que não. A própria Justiça Eleitoral impede que provas
sejam
produzidas .... A imprensa não acha esse papo de transparência eleitoral
importante
e quase só republica as notas dos tribunais ("é impossível fraudar nosso banco
de
dados"), os partidos não entendem o que está acontecendo e os juízes são
enrolados
pelos argumentos tecnóides dos funcionários encastelados. Deixem as eleições
serem
tratadas como videogame. Votem e depois corram para a TV para assistir o show da
apuração mais rápida do mundo."
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* [EMAIL PROTECTED] Doutor em Economia. Autor de Globalização versus
Desenvolvimento. Editora Escrituras: www.escrituras.com.br
** "Em ciência da computação a tabela hash (de hashing, no inglês), também
conhecida
por tabela de espalhamento, é uma estrutura de dados especial, que associa
chaves de
pesquisa (hash) a valores. Seu objetivo é, a partir de uma chave simples, fazer
uma
busca rápida e obter o valor desejado. É algumas vezes traduzida como tabela de
escrutínio". http://pt.wikipedia.org/wiki/Tabelas_hash
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Publicado em a nova democracia nº 32, dezembro
2006 A farsa do sufrágio universal Experiências de um candidato Adriano Benayon* 1. Por que fui candidato? De há muito, não tenho ilusão quanto ao fato de estar o sistema
político controlado por oligarcas estrangeiros e de que nem 10% do Congresso
resistem a esse poder. Meu objetivo é mais espaço para elevar o nível de
consciência de nossos compatriotas. Há 30 anos escrevo artigos demonstrando como
o modelo econômico dominado pelas empresas transnacionais leva o Brasil a
investir pouco e mal, causando desemprego em massa no País que tem o potencial
mais favorável para o desenvolvimento econômico e social, em todo o Planeta.
Publiquei em 1998 o livro Globalização versus
Desenvolvimento, (2ª edição 2005 editora Escrituras, São Paulo), no qual
sustento ser incompatível com o desenvolvimento a globalização comandada pelo
poder mundial. Ali mostro, com base em extensa documentação e bibliografia, que
só houve desenvolvimento durante certo tempo e em certos países, quando e onde o
Estado liderou o processo e atuou para fortalecer empresas nacionais, estatais e
privadas. Contrario sensu, foi abortado o progresso dos países que, como o
Brasil, abriram suas portas ao investimento direto estrangeiro e pior o
favoreceram por meio de subsídios e incentivos. A política econômica foi
transformada em instrumento implacável para destruir as empresas de capital
nacional. Isso porque, quanto mais se concentra o poder do capital estrangeiro
sobre os mercados, cada vez mais ele controla as instituições políticas e os
ocupantes da máquina do Estado. São essas as realidades que discuto nas palestras e em outros
trabalhos. Durante anos, fiz consultoria para o Dr. Enéas, do PRONA - Partido da
Reedificação da Ordem Nacional, tendo sido convidado a ser candidato a deputado
federal por São Paulo. Comecei a campanha, divulgando-a em folheto eletrônico,
do qual imprimi 80 mil exemplares. Eis seu conteúdo:
Lema: Vamos nacionalizar o Brasil. Adriano Benayon,
diplomata e consultor legislativo na área de economia, é autor de
Globalização versus Desenvolvimento, São Paulo, 2005 editora
Escrituras. Dele diz o Dr. Enéas: Desde 2002, quando fui eleito deputado
federal, tenho tido sua colaboração exercendo um trabalho que, muito mais do que
consultoria na área econômica, é constante fonte de aprendizado para todos que o
cercam e o admiram, círculo ao qual eu tenho a honra e a alegria de pertencer.
Benayon quer que o PRONA seja o reduto da resistência nacional na
Câmara dos Deputados. Quer conscientizar os brasileiros para nos libertarmos do
saqueio que sofremos. Adriano Benayon elaborou o Projeto de Lei 3.960/2004, para, em 10
anos, substituir a gasolina e o óleo diesel pelo álcool e por óleos vegetais.
Isso dará enorme ganho econômico, fará melhorar o meio-ambiente e a saúde em
cidades como São Paulo, além de gerar 12 milhões de empregos.
Basta investir 4 bilhões de reais por ano: menos de 1% dos gastos
inúteis do País com juros. Propostas 1.
Dívida
pública: renegociar a externa, como fez a Argentina, descontando 65% do valor
dos títulos. Eliminar em 10 anos a dívida interna (hoje acima de R$ 1 trilhão),
limitando a taxa real de juros a 3% aa. 2.
Gerar
20 milhões de empregos, fazendo o governo federal investir 10% do PIB em
infra-estrutura econômica e social. Isso fará triplicar os investimentos
produtivos das empresas. 3.
Deter
a entrega da Amazônia a grupos estrangeiros. Reequipar as Forças Armadas e
aumentar seus efetivos para 1 milhão. Valorizar servidores civis e militares.
Fortalecer a Polícia Federal, as Polícias militares e as demais forças de
segurança interna. 4.
Assegurar
às empresas de capital nacional condições de competir e desenvolver tecnologia.
Tudo isso elevará o emprego, os direitos dos trabalhadores e os salários,
derrubados em 50% nos últimos 8 anos. Revogar as reformas da previdência e
proibir o desvio de suas verbas para os juros da dívida.
5.
Reformular
o sistema bancário e monetário. Estabelecer controles de capitais e de câmbio.
Retirar o fardo tributário das costas da classe média. Anular as privatizações
da Vale do Rio Doce, das siderúrgicas, dos sistemas de eletricidade e de
telecomunicações. Terminar com a extração das jazidas de petróleo dadas de graça
a mega-empresas estrangeiras. 2. Campanha e resultado Expus minhas posições em entrevistas às emissoras Art-TV e Rede
Brasil de Tecnologia RBT. Gravei inserções. Tive apoio de pessoas que conhecem
meu livro e os artigos. Repetiram mensagens eletrônicas, enviaram folhetos ou
divulgaram-nos pessoalmente. Fiz novos amigos, que se engajaram na campanha. As
chances de eleição dependiam dos votos do Dr. Enéas, suficientes em 2002 para
eleger seis deputados. Desta vez só se reelegeu. As chances dependiam também de
eu me classificar entre os primeiros do Partido, em cuja lista de 10, quase
todos dispunham de escassos meios e são pouco conhecidos. Entretanto, fiquei
longe de ser eleito. Não
estou em má companhia, já que tiveram votações inesperadamente baixas outros
candidatos nacionalistas, como o Deputado Sérgio Miranda (PDT, ex-PC do B) em
Minas Gerais e a Dra. Clair (PT) no Paraná, Também ficaram longe de ser eleitos:
o Brigadeiro Ércio Braga (PDT),a economista Ceci Juruá (PDT), e Wagner
Vasconcellos (PRONA), no Rio de Janeiro. 3. A urna eletrônica Sob o sistema totalitário que se auto-intitula democrático os
que se tornaram escravos ignoram sua condição, manifestada nas taxas de juros,
nas tarifas dos serviços públicos privatizados e em outras modalidades de
saqueio. Imaginam eleger candidatos aos cargos públicos, desconhecendo que nada
garante que o voto digitado na urna eletrônica vá para o candidato cujo nome e
cuja foto escolheram na tela. Pelo
padrão da minha votação, há indícios de interferência na urna eletrônica. Para
encontrar no CD do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) os resultados de cada
Seção, contei com a ajuda de perito em informática. A compilação do CD não segue
as normas de organização da informação, aglomerando diferentes grupos de dados,
o que obriga o pesquisador a acessar cada dado manualmente. As dificuldades
técnicas e a demora fazem com que poucos realizem a tarefa.
O único modo possível de auditar as urnas seria o voto impresso,
para conferir com a totalização por amostragem ou denúncia, mas ele foi
suprimido em 2003 Tive votos em 688 Seções Eleitorais, mas só 728 votos. Em 656
delas, portanto em 95,3%, apenas um voto por Seção. Essa distribuição afigura-se
altamente improvável, para não dizer impossível. Ainda mais, porque houve, em
algumas Zonas, trabalho concentrado de amigos e partidários, implicando boa
chance de número significativo de votos nas Seções.
No total, apareceram 4 votos por Seção só em 2 Seções, além de 3
por Seção em 4 e de 2 por Seção em 26, aleatoriamente, sem correlação com as
Zonas onde fiz campanha, e nas quais voluntários nela atuavam com intensidade,
como Cotia, onde tive 40 votos. Em Diadema recebi 50, sem conhecer lá ninguém,
nem lá ter ido. 4. A urna e as eleições O processo é aberto a fraude em várias etapas. O software de
controle de urnas vem do Tribunal Superior Eleitoral TSE, passa pelo TRE e pode
ser alterado também nos Cartórios das Zonas Eleitorais. O alegado meio de
segurança é a seqüência de códigos verificadores hash**, também modificáveis a
cada etapa. O próprio software gerado no TSE só seria analisável em um ano, e
nunca foi disponibilizado senão poucos dias antes da eleição.
O único modo possível de auditar as urnas seria o voto impresso,
para conferir com a totalização por amostragem ou denúncia, mas ele foi
suprimido em 2003, quando a Lei foi modificada mediante coação sobre os líderes
de partidos. Quem controla ou obtém acesso ao banco de dados da totalização
(inclusive pelas portas dos fundos para manutenção) pode eleger a bancada
legislativa que quiser Não bastasse isso, na eleição de 2006, o TRE de São Paulo
determinou aos presidentes de Seções não fornecer boletins de urna aos partidos,
contrariando a Lei 9.504/97 e a Resolução nº 22.332, do TSE, baixada pelo
Ministro Marco Aurélio, em agosto de 2006. A decisão do TRE-SP baseou-se em proposta de sua Secretaria de
Tecnologia da Informação. Esta alegou não ser suficiente a bobina de papel para
imprimir os oito boletins de urnas para os partidos. Ora, pelo ofício 4.429, de
04.07.2006, o diretor-geral do TSE respondeu consulta do Engenheiro Amílcar
Brunazo, esclarecendo que a bobina tem 80 metros de comprimento, tamanho mais
que bastante para a impressão dos resultados das Seções em dez vias. (Pormenores
no Memorando nº 695 da STI do Tribunal, de 29.06.2006).
A comunicação do TRE-SP foi feita na semana da eleição, e só um
partido, à última hora, pediu ao TSE fosse cumprida a Resolução 22.336
impressão de 10 boletins (oito para os partidos). A ordem do TSE só saiu às 21
horas da véspera da eleição. Escusado dizer que a maioria dos presidentes das
Mesas negou os boletins de urnas aos fiscais dos partidos.
Posso dizê-lo, porque montei esquema de fiscalização, credenciando
delegados e fiscais, após tê-los instruído, conforme as orientações do Prof.
Amílcar Brunazo Filho e da advogada Maria Aparecida Cortiz, autores do livro
Fraudes e Defesas no Voto Eletrônico, SP 2006. No resultado oficial, os votos nulos e brancos para deputado
federal em SP foram só 15%. Menos que na eleição de 2002, apesar de: 1) a
campanha pelo voto nulo, tanto pela Internet, como por ativistas; 2) a descrença
do povo em políticos, face aos escândalos da corrupção de varejo a que a mídia
relata; 3) o fato de 70% dos eleitores não terem candidato a deputado federal,
até pouco antes da eleição. Não foram reeleitos deputados renomados, que costumam comprar votos
pelo método tradicional, com grana para cabos eleitorais e líderes locais. Nem
se fale em renovação ou em listas de mensaleiros ou de sanguessugas, pois esses
deputados não estavam nelas e são bem falados pela mídia. Mas gente de pouca
expressão elegeu-se e reelegeu-se, com votações espetaculares. Como?
Para entender as falcatruas possíveis com a urna eletrônica sem
voto impresso, recomendam-se os artigos dos especialistas no site do Grupo Voto
Seguro: www.votoseguro.org.
O objetivo do Grupo é a transparência no processo eleitoral do
Brasil e alertar para a vulnerabilidade da urna eletrônica. Como diz Brunazo, os
políticos em geral intimidam-se diante desse problema. Vale transcrever de seu
artigo publicado poucos dias antes da eleição: Com isso a Resolução 22.336, obtida graças à ação de Brunazo e da
Dra. Cortiz, pensávamos ter resolvido um grande problema, pois a fraude
eleitoral no banco de dados, possível de ser feita por quem a ele tenha acesso
legítimo ou ilegítimo, só dá para ser descoberta e provada pelos partidos com a
coleta dos Boletins de Urnas impressos nas seções eleitorais para posterior
conferência com os resultados oficiais. O Ministério Público nunca recolheu Boletins de Urnas nas seções
eleitorais. E não vai recolher. A imprensa não se organiza para isso (não basta
recolher o Boletins de Urnas; há que conferi-lo contra os resultados oficiais) e
nem tem função de fiscal das eleições. Ninguém vai conseguir fiscalizar as
eleições em São Paulo. Vou dar o mapa da mina em São Paulo. Quem controla ou obtém acesso
ao banco de dados da totalização (inclusive pelas portas dos fundos para
manutenção) pode eleger a bancada legislativa que quiser e, dentro das margens
das pesquisas, desviar votos brancos, nulos ou válidos ...
Depois fica fácil dizer que nenhuma prova de fraude foi apontada
nas eleições informatizadas'. Claro que não. A própria Justiça Eleitoral impede
que provas sejam produzidas .... A imprensa não acha esse papo de transparência
eleitoral importante e quase só republica as notas dos tribunais (é impossível
fraudar nosso banco de dados), os partidos não entendem o que está acontecendo
e os juízes são enrolados pelos argumentos tecnóides dos funcionários
encastelados. Deixem as eleições serem tratadas como videogame. Votem e depois
corram para a TV para assistir o show da apuração mais rápida do mundo.
* [EMAIL PROTECTED] Doutor em Economia. Autor de
Globalização versus Desenvolvimento. Editora Escrituras: www.escrituras.com.br
** Em ciência da computação a tabela hash (de hashing, no
inglês), também conhecida por tabela de espalhamento, é uma estrutura de
dados especial, que associa chaves de pesquisa (hash) a valores. Seu objetivo é,
a partir de uma chave simples, fazer uma busca rápida e obter o valor desejado.
É algumas vezes traduzida como tabela de escrutínio. http://pt.wikipedia.org/wiki/Tabelas_hash
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