Predio que funcionou Cine Nordeste pode ser demolido

OBRA - Faixa informa que em breve o prédio será um estacionamento

17/04/2008 - Tribuna do Norte 

Um dos primeiros símbolos da arquitetura moderna da cidade poderá ser demolido 
a qualquer momento. O prédio que funcionou nas décadas de 50 até 90 o Cine 
Nordeste, ao lado da praça Padre João Maria, carrega hoje em sua fachada uma 
faixa os dizeres pintados em vermelho e letras garrafais "Em Breve 
Estacionamento 24h". 

A obra está revoltando arquitetos, urbanistas e historiadores que se preocupam 
com a preservação do patrimônio arquitetônico da capital. Na visão do professor 
e arquiteto Paulo Nobre, o que está acontecendo em Natal é um absurdo. "No 
mesmo momento que sentimos a esperança de ter o Centro Histórico em processo de 
tombamento, passamos na rua João Pessoa e nos deparamos com a faixa amarela. 
Imagine você ceder o espaço de uma arquitetura modernista para um 
estacionamento, um vazio cultural e histórico terrível", desabafa Paulo.

Na década de 50 o edifício ainda abrigou a Escola Técnica do Comércio de Natal, 
sendo demolido e construído a Rádio Nordeste. Logo depois o local passou a 
abrigar o Cine Nordeste, ainda na década de 60. Esse processo de anos de 
história não está sendo respeitado pelo novo proprietário do local. A 
reportagem do VIVER buscou informações sobre o nome do proprietário, mas os 
pedreiros que se econtravam na obra trabalhando, disseram não ter autorização 
para oferecer informações.  "O proprietário não autoriza fotos aqui não. Nem 
vou dar informações de nada", disse um dos pedreiros que não quis se 
identificar. Na porta do prédio um aviso amarelo da Prefeitura de Natal informa 
que a "Obra não é licenciada", com intimação datada do dia 09 de abril desse 
ano. 

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Meio Ambiente 
e Urbanismo (Semurb), nenhuma alteração na construção foi autorizada, 
informando ainda que o proprietário não possui documentação para reformar o 
local. 

A destruição do prédio representa a perda de uma parte da história 
arquitetônica da Cidade Alta - em vias de tombamento pelo Iphan -, sendo parte 
importante da segunda metade do século XX. As construções da primeira parte, 
aliás, já foram praticamente destruídas, sobrando apenas o Palácio Felipe 
Camarão e o Palácio Potengi,  além de poucas casas. 

Para a diretora do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional-IPHAN, Jeane 
Nesi, é necessário agora um pedido de tombamento urgente do prédio. "Como ele 
está na área de tombamento do Centro Histórico, sugerimos ao presidente da 
Fundação José Augusto Crispiniano Neto um tombamento de emergência", disse 
Jeane, acrescentando que esse é um sentimento de perda muito grande para o 
Estado. "Mais uma perda enorme para nós", disse.

O Presidente da Fundação José Augusto falou com a reportagem da TN que quando 
foi avisado da demolição, o prédio já estava num processo avançado e não havia 
como fazer nada. "Infelizmente fomos pegos de surpresa. É uma perda muito 
grande para o Estado, pois é um dos primeiros prédios de arquitetura 
modernista. Lamento demais. É uma falta de sensibilidade, não tem cabimento um 
negócio desse. Se tivermos ainda o que fazer iremos tentar sim", disse 
Crispiniano Neto.  

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