Carlos Fialho - [email protected]
Sei lá! Mil Coisas
Escritor, autor dos livros "Verão Veraneio - Crônicas de uma cidade ensolarada"
e "É Tudo Mentira!". Seu estilo é o de textos curtos, humor fácil, cotidiano,
simples e certeiro.
Patricinha Cultural – parte 2
segunda-feira, 10/novembro/2008
Já alertamos aqui a população masculina da cidade a respeito dessa ameaça de
saias longas e estampadas que é a nefasta figura da patricinha cultural. É
necessário, porém, fazer um novo alerta aos desatentos e indefesos homens
natalenses, vulneráveis às ações venais dessas dissimuladas e cínicas mulheres,
sempre de olho em vítimas potenciais. Como um vírus em constante mutação, as
paty-cults já passaram a apresentar diversas variáveis e escudar-se delas se
torna mais difícil a cada dia.
Uma outra categoria que tem despontado ultimamente é a da patricinha
pseudo-interessante ou a “eclética”. Ela banca a alternativa para as amigas
patricinhas, pois faz parte de sua persona cuidadosamente construída parecer
uma típica “paty loquita”. É a forma que ela encontra de se destacar em meio a
um mundo pasteurizado, medíocre e todo igualzinho, cheio de futilidades,
consumismo e, aparentemente, culto. Para as amigas e amebas que freqüentam o
seu círculo social, habituadas aos mesmos lugares da moda que ela, tem uma
frase feita na ponta da língua: “Mulher, seja eclética!” É assim que ela
justifica sua “estranha” mania em ouvir um som “muito louco”, como O Rappa ou
Capital Inicial. Vez por outra, chegam com uma novidade: “Mulher, acabo de
descobrir uma super novidade. É o Mundo Livre. É tudo na vida ponto com ponto
bê erre!”
É nessa atuação meio canastrona que ela pode acabar enganando-o, meu amigo. Se
você estiver distraído, acaba realmente acreditando que a moça parece ser paty,
mas até que é interessante. Não se engane. Esse fingimento é a isca, e você, a
presa.
O que você precisa saber é que ela apenas faz gênero. O que ela gosta mesmo é
de freqüentar camarotes. Adoram a Ivete, o Biquíni, o Chiclete e amam camisetas
VIPs e pulseirinhas de acesso a camarotes. Aliás, elas amam camarotes. Até em
festivais de rock, elas vão a camarotes. Camisetas VIP e pulseirinhas
exclusivas dão a elas uma sensação de poder e realização que nunca alcançarão
por méritos próprios, pelo talento ou pela proeminência intelectual. Os
camarotes exclusivos são o mais longe que elas podem chegar. São os limites de
seu mundinho. Currais cheios de rostinhos conhecidos (sempre os mesmos),
sorrisos falsos e roupas de marca. Freqüentar currais, aliás, é bem apropriado
para aquela classe ruminante de status, guiada pela moda, feito gado. São
tangidas rumo às “últimas tendências”. É o rebanho da mediocridade.
Agora andam numa de eletrônica. É rave em Parnamirim, rave em Macaíba, rave em
Pipa. É bate-estaca até não poder mais. De vez em quando, arriscam uma idazinha
à Nalva e se acham muito loucas por freqüentarem o Sargent Peppers, UHUUUU!!!
Elas não têm escrúpulos em dizer que gostam de tudo, de qualquer ritmo, do pop
mais safado ao axé mais rasteiro, do eletrônico mais cosmopolita ao sertanejo
mais interiorano. Mix é a palavra da vez entre elas. “Viva a diferença!”,
repetem sem parar. Nesse momento, você até concorda e dá graças a Deus por ser
diferente delas. Seja eclético, mas não medíocre.
Não ligue se você passar por mal-humorado. Você não é obrigado a se divertir
numa festa que toca Tati-quebra-barraco e Asa de águia. Tudo bem se você acha o
carnatal uma bosta e tem vontade de vomitar cada vez que ouve pagode romântico.
Não há nada de errado com você se não gostar dessas bandas de forró que deixam
um único empresário babaca milionário às custas do trabalho escravo dos músicos
e operários. Está tudo bem. Eu conheço várias pessoas que são como você.
Ser eclético para as patricinhas culturais é justificar a falta de
personalidade. Quem diz que gosta de tudo, na verdade, não gosta de nada. E a
maior manifestação do nada em toda sua falta de elementos pode ser observada no
oco de suas cabecinhas
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