George Orwell e o Big Brother da Amazon
Publicada em *21/07/2009* às 10h55m
Nelson Vasconcelos
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Comentários<http://oglobo.globo.com/tecnologia/mat/2009/07/21/george-orwell-o-big-brother-da-amazon-756903373.asp#coment>
RIO - E a simpática Amazon, de quem só costumamos ouvir boas notícias, andou
exercitando seu lado Big Brother. Isso porque um parceiro da grande loja
pontocom vendeu ilegalmente cópias digitais dos livros "1984" e "Animal
farm", ambos de George Orwell. A Amazon descobriu essa anormalidade graças
ao DRM, tecnologia que gerencia os direitos autorais em obras digitais.
Pelo que se constatou, essas edições eletrônicas dos livros de Orwell não
poderiam circular nos EUA. Por isso, o DRM "denunciou", digamos assim, que
as tais cópias baixadas através do site eram ilegais. A tecnologia cumpriu
seu papel. De quem foi a responsabilidade pela venda ilegal? Da livraria que
vendeu através da Amazon ou desta, que permitiu o negócio sem checar
questões relacionadas aos direitos autorais?
De qualquer maneira, o que fez, então, a Amazon? Simplesmente entrou
remotamente no leitor eletrônico dos seus clientes, o Kindle, e detonou as
tais cópias ilegais. Também anunciou que estaria reembolsando US$ 0,99 por
livro apagado. Foram centenas deles. Os clientes começaram a receber
comunicado de reembolso na última semana, sem explicação sobre o súbito
sumiço dos textos.
Mas o ponto principal é: será que a Amazon tinha o direito de fazer o que
fez? Não seria mais ou menos a mesma coisa que uma editora arrombar a porta
lá de casa e levar embora todos os livros que comprei em camelôs mundo
afora? Ou seria como uma gravadora entrar no meu computador e deletar todas
as músicas que eventualmente (oh, que surpresa) andei baixando da internet
nos últimos dez anos? Não foram poucas...
A discussão está esquentando nos fóruns especializados - como a ZDNet, onde
comecei a capturar essa história, que já se espalha por muitos sites, blogs
etc. A ideia geral é de que foi um abuso da Amazon. Mais do que isso,
mostrou que a empresa tem um poder grande sobre seus consumidores. Se, por
algum motivo, ela "decidir" que você não deve ler tal livro, ela
simplesmente vai apagá-lo do seu Kindle, sem maiores explicações.
Como se comentou em algum dos blogs, isso mostra que você não tem, não
possui, de fato, o tal livro no Kindle - a não ser que o transfira para o
computador...
Nunca se viu nada parecido. Por isso, também se levantou a hipótese de
livrarias e editoras parceiras começarem a perder confiança na Amazon, e
isso seria um péssimo negócio.
O que também é bastante curioso é o fato de tanto ruído ter sido causado
justamente a partir da obra do britânico George Orwell (1903-1950).
Para quem andava distraído: a literatura de Orwell é marcada pela discussão
de temas políticos, com especial implicância em relação a regimes
totalitários, daqueles que vão se metendo na vida particular do cidadão etc.
etc. E foi Orwell quem criou - ou previu? - o Big Brother, o Grande Irmão,
que se tornou símbolo da vigilância paranoica sobre os indivíduos.
Nada mais irônico, portanto, que esse episódio da Amazon envolva livros de
George Orwell. Se estivesse vivo, ele não hesitaria em declarar algo na
linha:
- Eu não disse que ia dar nisso?