Hilariante!
Sagaz e dicaz Mario Ivo mais uma vez produz uma pérola, mas o dificil - sei
sei, é tudo verdade mesmo! - é acreditar que as informações são críveis, aí
é onde está o busílis da questão: termos uma administração municipal tão
tacanha... é como dizem minhas filhotas adolescentes: 'sem noção, alface'!

Oswaldo

2009/12/16 Cefas Carvalho <[email protected]>

>
>
> www.marioivo.com.br
> Like a virgin: um auto apócrifo 15 de dezembro de 2009
> [image: Lindo, não?]
>
> Lindo, não?
>
> Vão me desculpando minha insistência sobre o tal *Natal em Natal* – é que
> desde que as 
> marmotas<http://www.marioivo.com.br/se-um-marciano-numa-noite-de-verao/>foram 
> dependuradas nas árvores (o sol emaconhado em primeiro plano), os
> duendes de jardim fincados nos canteiros centrais, e os anjos-trombeteiros
> recepcionando a peregrinação rodoviária de milhares de turistas que acorrem
> a esta Capital, que tenho tido pesadelos constantes.
>
> Esse vai ser realmente um Natal inesquecível.
>
> Além do mais, descobri que temos até um sítio (confira 
> aqui<http://www.natalemnatal.com/>),
> bem bonitinho, aliás, provando que o mundo virtual da *Cidade da Gente* é
> bem mais encantador que o real.
>
> Mas, enfim, pra quem acredita em Papai Noel, em trenós puxados por
> golfinhos e em promessas de fim-de-ano, tá tudo muito bom, muito bonito e
> arrumado.
>
> A boa nova é que o espetáculo *Auto do Natal 2009* tem como tema “Maria,
> José e o Menino Deus” e – reza o indefectível release – “é baseado no
> Proto-Evangelho de Tiago, considerado apócrifo, mas que traz importantes
> informações a respeito da vida de Cristo” [grifos meus].
>
> Não vou nem comentar a equipe, que tem muita gente boa, de competência
> profissional indiscutível.
>
> Mas afirmar que
>
> *“O Proto-Evangelho de Tiago traz importantes informações a respeito da
> vida de Cristo, preenchendo lacunas até então criadas pelos Evangelhos
> constantes da Bíblia. Ele conta a vida de Sant´Ana e Joaquim, que eram
> considerados estéreis, mas geraram a menina Maria, educada no Templo até a
> sua puberdade; conta também como se deu a escolha de seu futuro esposo,
> José, velho, viúvo e pai de seis filhos. Narra a concepção e a virgindade,
> que se manteve após Maria dar à luz o Salvador numa caverna. Fala da estrela
> misteriosa e radiante que guiou os magos até a caverna e da nuvem de luz que
> pairou sobre o local, na hora em que o Senhor Jesus nasceu. Narra, também, a
> participação da parteira que testemunhou a virgindade de Maria, após o
> nascimento do Senhor e cita o testemunho de uma outra parteira que constatou
> a virgindade de Maria.”*
>
> é demais, né não?
>
> Como os outros evangelhos “criaram lacunas” vamos recorrer a um *apócrifo*
> .
>
> (Ultimamente o que tem de apócrifo por estas ribeyras não está nem no gibi
> quanto mais nos evangelhos.)
>
> E, como uma só parteira não basta, vamos colocar duas, para testemunhar a
> virgindade de Maria.
>
> O melhor vem depois:
>
> *“Com tantas informações inéditas sobre Maria, José e Jesus, pouca coisa
> foi inventada para o texto dramático que será encenado numa narrativa
> linear, sem grandes arroubos literários ou extravagâncias poéticas.”*
>
> Informações inéditas? Mais extravagante só se botassem em cena uma drag
> queen encarnando  Madonna e cantando *Like a virgin*.
>
> ***
>
> Parece que o presidente da Funcarte achou os autos dos anos passados muito
> assim, livres, com muitas licenças poéticas – aliás, numa entrevista
> lendária <http://www.diariodenatal.com.br/2009/10/28/muito1_0.php> para
> Sérgio Vilar, Rodrigues Neto declarou-se “um crítico contundente dos autos
> anteriores” e citou até Newton Navarro como um dos autores que “fizeram
> coisas que fugiram à essência”.
>
> Na mesma entrevista, aliás, prometeu “um texto bíblico, baseado no texto do
> apóstolo Matheus” e não “uma adaptação esdrúxula”.
>
> Tá bom. Ele trocou de apóstolo, mas mudou de idéia quanto ao esdrúxulo.
>
> ***
>
> Pra botar lenha na fogueira, quero só ver o que vai dizer Laélio Ferreira
> quando souber que o release afirma que “em homenagem ao aniversário de 410
> anos da cidade será cantada também a música ‘*Serena* do Pescador’,
> conhecida como ‘Praieira’, de Eduardo Medeiros”.
>
> Tudo bem que esqueceram o “ta” de “Serenata”, mas esquecer do autor dos
> versos? Othoniel Menezes não merece. Ainda mais porque o príncipe dos poetas
> potyguares – e pai de Laélio – empresta seu nome para um prêmio literário da
> responsabilidade da própria Funcarte.
>
> Aqui pra nós, ninguém, aliás, merece.
>  
>

Responder a