Muito bom. Deu vontade de ir à Paris.
Chl.

Em 27 de fevereiro de 2010 15:29, Cláudia Magalhães de Oliveira <
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> Blog: www.teatroclaudiamagalhaes.blogspot.com
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> <http://4.bp.blogspot.com/_BrduIqUMN94/S4lWtNMcTMI/AAAAAAAAARc/PwlUtOAkHkQ/s1600-h/C.jpg>
>              *Amor em Paris**  *
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>                   *Cláudia Magalhães*
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>       Clara está no tempo dos amores mal curados, onde o gozo é controlado
> por um anjo ou demônio, e este ou aquele, deitado a seu lado, com a mão
> esquerda torna febril e trêmula a sua fenda e com a direita injeta em sua
> mente doces recordações do passado, paralisando-a por completo.
>       É meia-noite. Há horas, ela permanece imóvel em sua cama, lugar onde
> dormiu por seis anos com um amor que, por ingratidão e egoísmo, há uma
> semana não está mais ali. Algo difícil demais para se compreender e que
> tornam loucos os que andam pela terra.
>       Ela leva a sua mão em forma de concha até o sexo, pois é assim que
> rezamos para o amor, e sonhando com os míseros segundos em que tocaria as
> estrelas, tenta acariciar sua lua úmida até ela tornar-se, novamente, seca,
> fazendo girar mais rápido o mundo, mas as lembranças do passado estrangulam
> seus dedos, enchendo-os de verrugas e vergonha.
>       A enorme vontade de tê-lo, de possuí-lo, a faz perder o juízo. *Vou
> à Paris. Vou em busca de Vinícius!*, pensa. Segundos depois, ela enfrenta
> descalça as ruas desertas e o frio da madrugada, usando apenas seu vestido
> longo, florido e que, por vezes, usava como camisola. Seus gritos entram
> pelas frestas das portas e das janelas quebrando o silêncio que comanda a
> decência. Quando um ou outro a pergunta, *O que aconteceu, mulher*?, ela
> responde, *Vou à paris. Vou em busca de Vinícius!,* e segue andando pelas
> ruas do outro lado do mundo como se fosse a dona delas. Pergunta à todos os
> que cruzam seu caminho por um homem alto, barbudo e grisalho e diante do
> silêncio ela responde, *Ele está em Paris! Ele está me esperando em Paris!
> * E segue falando da importância das mãos, pois nelas moram as vontades
> mais urgentes, falando da imensidão do mundo e do desejo que tinha com o
> homem amado de morar na Cidade dos Sonhos, para novamente, falar das mãos e
> do desejo, repetindo incansavelmente as mesmas palavras. Tenta, por vezes,
> se calar e escutar as histórias sem pé nem cabeça dos homens, mas ela tem
> pressa em se livrar dos sofrimentos da vida e segue sem escolher o caminho e
> sem saber ao certo quem ela é, molhando os pés na lama acreditando que é o
> mar, vivendo de esmolas, bebendo cachaça ou conhaque, pedindo a benção a
> Deus que segurando-lhe o juízo não precisa fingir que lhe deu, até adormecer
> nos bancos das praças ou nas portas das igrejas e sonhar voando.
>       Uma hora depois que ela partiu, Vinícius, arrependido de mais uma vez
> tê-la abandonado, entra no apartamento. *Vou pedir perdão e milhões vezes
> milhões de vezes direi que a amo e nunca mais a farei chorar!,* pensa
> procurando-a com o peito sufocado pela saudade, mas é tarde demais.
>       Ele a encontra no quarto com a alma liberta. Ora caminhando como uma
> rainha, ora curvando-se e implorando coisas ao vento. Ela olha para ele mas
> nada vê. A sua carne está acorrentada pelas vontades de sua alma, que
> cansada de sofrer liberta-se de si mesma, vai à todas as partes do mundo e
> confunde-se com outras. Desatenta e livre, muda de vontade de uma hora para
> outra, se reinventa a todo instante. Ela é a dama, a mendiga, a poeta, a
> vítima, algoz, a que ri e chora ao mesmo tempo. Ela é Clara, a sua Clara!
> Ele observa a mulher que ama, que partiu sem volta para a cidade dos sonhos,
> deixando em seu peito uma chuva que nunca vai parar e os seus olhos
> enchem-se de lágrimas.
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