Repassando...

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>O senador José Agripino e o Regime Militar
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>>O senador José Agripino concedeu uma entrevista ao jornalista Bruno Barreto, 
>>editor político do jornal “O Mossoroense”, jornal matutino da cidade de 
>>Mossoró-RN. Ele foi indagado se tinha se arrependido de ter apoiado o Regime 
>>Militar, Agripino respondeu: “Eu não apoiei o Regime Militar. Nunca apoiei o 
>>Regime Militar. Pelo contrario. Eu fui prefeito no final do Regime Militar. 
>>Eu teria razões para me orgulhar de ter sido artífice da transição e da 
>>redemocratização. Ao romper com o meu partido, passando a apoiar, no Colégio 
>>Eleitoral, o nome de Tancredo Neves para presidente da república, do ponto de 
>>vista político e administrativo paguei um preço alto, na época eu era 
>>governador e muito do que estava comprometido de verbas para a minha ação no 
>>governo, foi cortada. Além do desgaste político de apoiar o mesmo candidato 
>>do meu adversário Aluízio Alves”.
>>Essa é a versão do senador José Agripino Maia. Mas, a verdade é outra, 
>>existem alguns equívocos ou inverdades nessa história contata pelo senador, 
>>vamos aos fatos.
>>José Agripino foi escolhido, pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do 
>>Norte, prefeito de Natal em 1979, portando em pleno Regime Militar e não no 
>>final como ele diz na entrevista.
>>O nome de José Agripino foi encaminhado para ser homologado pela Assembleia 
>>Legislativa como prefeito da capital por Lavoisier Maia, seu primo e 
>>substituto do governador Tarcisio Maia, pai de Agripino. Vale salientar que 
>>Tarcisio e Lavoisier foram nomeados governadores biônicos pelo Regime Militar 
>>com a concordância de Aluízio Alves, naquele momento, correligionário 
>>político de ambos.
>>No Rio Grande do Norte todos se lembram da famosa “Paz Pública” 
>>(entendimentos entre os Alves e os Mais) que resultou na escolha de: 
>>Lavoisier Maia para governador do estado, Jessé Pinto Freire para o senado e 
>>José Agripino Maia para prefeito da Capital. Aluízio indicou o 
>>vice-governador, o escolhido foi Geraldo Melo, todos da Aliança Renovadora 
>>Nacional – ARENA, base política do regime militar.
>>José Agripino exerceu a função de prefeito biônico de Natal de 1979 a 1982, 
>>foi a sua iniciação na vida política do estado, antes era um mero 
>>desconhecido. O Regime Militar teve como último ditador o general João 
>>Batista Figueiredo que governou até 1984. Portanto, Zé Agripino Maia foi 
>>prefeito de Natal em plena ditadura militar.
>>Só para lembrar. Tarcisio Maia, pai de Zé Agripino, foi nomeado governador, 
>>por indicação do general Golbery do Couto e Silva, com o apoio decisivo de 
>>Aluízio Alves, a escolha se deu em 1974, em pleno período denominado de Anos 
>>de Chumbo do Regime Militar, quando, nos porões da ditadura, bandidos 
>>torturaram e assassinaram milhares de brasileiros, alguns dos mortos eram 
>>norte-rio-grandenses. Lembro aqui os nomes de Luiz Maranhão, Iran Pereira, 
>>David Capistrano, Emanuel Bezerra, José Silton, Virgilio Gomes da Silva, 
>>Bérgson Gurjão Farias, Anatália de Souza Melo; Lígia Maria Salgado Nóbrega, 
>>Zoe Lucas de Brito e Edson Neves Quaresma, todos torturados até a morte nas 
>>masmorras da ditadura.
>>Outro fato narrado pelo senador que merece um esclarecimento, a sua eleição 
>>para o governo do Rio Grande do Norte em 1982 e a derrota de Aluízio Alves.
>>Aluízio Alves era considerado um candidato imbatível. Agripino, na entrevista 
>>ao “Mossoroense”, não disse que essa eleição foi viciada por uma legislação 
>>eleitoral casuística e ditatorial, dificultando o voto livre e democrático, 
>>fato que favoreceu ao neófito político, José Agripino. O Regime Militar criou 
>>o voto vinculado, só era permitido votar, de vereador a senador, em candidato 
>>do mesmo partido. Foi criada a figura do senador biônico. Tudo com um 
>>objetivo de prejudicar o MDB, principalmente no nordeste onde o partido, no 
>>interior, tinha uma pequena estrutura partidária e uma ampla chance de eleger 
>>alguns governadores, a maioria dos senadores e deputados federais. Cito o 
>>exemplo de Aluízio Alves, no Rio Grande do Norte e o de Marcos Freire, em 
>>Pernambuco. Os dois estavam disparados na preferência popular, eram 
>>candidatos do MDB, mas foram derrotados pela legislação eleitoral.
>>Na eleição de 1982, o filho de Tarcisio Maia, José Agripino Maia foi o 
>>candidato de Figueiredo ao governo do estado, Carlos Alberto de Souza foi 
>>escolhido para concorrer uma vaga no senado e o velho Dinarte Mariz, já no 
>>fim da sua liderança política, foi contemplando com o lugar de senador 
>>biônico.
>>Carlos Alberto que era deputado federal foi premiado por ter sido relator da 
>>CPI do atentado terrorista ao Riocentro, fato ocorrido no Rio de Janeiro em 
>>30 de abril 1981, ele inocentou os militares envolvidos nesse ato terrorista. 
>>Além da vaga de senador no PDS, Partido de Agripino, Carlos Alberto ganhou a 
>>concessão de um canal de televisão.
>>Portando, José Agripino Maio, líder dos “democratas” no senado, surgiu na 
>>política potiguar graças ao Regime Militar de 1964, ele é filho político do 
>>regime ditatorial, ele não pode negar sua origem e trajetória política; pode 
>>até renegar, hoje, a ditadura militar, a quem serviu e dela recebeu as 
>>benesses do poder, mas não pode simplesmente dizer que não foi beneficiário 
>>do Regime Militar, ele e a sua família.
>>Agora, o senador não explicou o porquê da divisão dos Maias no colégio 
>>eleitoral que escolheu o último presidente de forma indireta. Tarcisio Maia, 
>>pai de Agripino, ficou com Mário Andreazza; Lavoisier Maia, primo de 
>>Agripino, com Paulo Maluf e, José Agripino com Tancredo Neves. Qualquer um 
>>que fosse eleito, os Maias ficariam por cima. Tipo de estratégia, 
>>historicamente, utilizada pelas oligarquias.
>>Não se pode negar a história, sei que ela é feita pelos vencedores e que as 
>>versões às vezes valem mais do que os fatos, mas, a verdade é essa, José 
>>Agripino Maia não pode desvencilhar a sua história política da ditadura 
>>militar, ele é fruto político, por obra e graça, do regime militar, como se 
>>diz por aqui, ele é um filhote da ditadura. Claro, que ele tem seus méritos, 
>>soube consolidar uma liderança que se iniciou biônica e depois se popularizou 
>>com a força e os instrumentos do poder.
>>
>>Professor Antonio Capistrano (63).
>>Foi vice-reitor e reitor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte; 
>>ex-deputado estadual, vice-prefeito da cidade de Mossoró por dois mandatos 
>>(1997/2004) é filiado ao PCdoB, sendo militante comunista desde dos anos 60, 
>>do século passado. 
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