AS BAIXARIAS DO TUCANOS E DA MÍDIA
A IMPRENSA MOSTRA A TUA CARA
Enviado em 28/04/10 às 18h56min por Ailton
Medeiros
“Com
que grandeza ele se elevou às maiores baixezas”! A frase de Millôr
Fernandes é perfeita para retratar o comportamento da mídia e dos
tucanos nesse início de campanha eleitoral, tema, aliás, do ótimo
artigo de Miguel do Rosário publicado no blog Óleo do Diabo.
O texto é longo, mas primoroso. Miguel mostra com clareza e
objetividade a sanha inquisitorial adotada pela mídia contra a
candidata Dilma Rousseff. Parece um faroeste cabolco. E é. Confiram:
A quarta-feira amanheceu alegremente ansiosa no Rio. Só se fala no
clássico Flamengo e Corinthias. O aspecto positivo de trabalhar em Lan
House é que a gente ouve as piadas ao redor. Ouço que a torcida do
Flamengou contratou dez travestis para assistir ao jogo no Maracanã e
atazanar Ronaldo. “Como ele vai perder o jogo, ao menos tem garantido
uma noite de amor”, diz um dos gerentes da Lan.
Deixemos o futebol, porém, para mais tarde, e nos concentremos na
agenda política. O Tijolaço levantou o escândalo do dia. Aquele que
Nassif chama, sarcasticamente, de ex-Eduardo Graeff, um tucano da alta
cúpula do PSDB, tesoureiro do partido, estrategista da campanha de
Serra, foi pego em flagrante.
Brizola Neto, autor do Tijolaço, apurou que o mencionado bicudo não
apenas “comanda os brucutus”, mas que “é o próprio Brucutu”. A figura
aparece como responsável por sites cujo próprio endereço físico é uma
baixaria, como o “petralha.com.br”.
O post de Brizola caiu na rede e foi reproduzido em toda a parte,
gerando uma enorme onda de indignação. Lembremos que Serra afirmou que
não patrocinaria “baixarias” em campanha.
Ontem à noite, o deputado havia descoberto outra baixaria do PSDB.
No próprio site do partido, em destaque, figura o link para o blog
Gente que Mente, dedicado a denegrir a imagem de quadros do PT e da
esquerda em geral.
Como o próprio Brizola, como todo mundo aliás, eu também me pergunto
qual seria a reação da grande mídia, incluindo sua miríada de
colunistas eternamente indignados por qualquer ninharia da campanha
dilmista (vide o escarcéu que fizeram por causa da foto da Norma
Bengell), se descobrissem que o site oficial do PT dá link, em
destaque, a um blog semelhante, ou se um petista graduado fosse
responsável por blogs de baixaria.
Tudo que eu disse até agora não é novidade. Repeti aqui apenas para
enfiar o prego mais fundo na consciência das pessoas. José Serra
patrocina o baixo nível na campanha presidencial. E a mídia não só lhe
dá guarida, como rivaliza com ele em baixaria.
Não quero deixar de citar, como parte da mesma estratégia de
baixaria, a decisão do deputado José Carlos Aleluia, de publicar um
texto apócrifo, falsamente atribuído à apresentadora Marília Gabriela,
denegrindo Dilma Rousseff. A jornalista já avisou que vai mesmo
processar Aleluia. Bem feito.
E agora eu tiro da manga uma carta que a blogosfera ainda não tinha
visto. Antes, uma breve lembrança das circunstâncias do caso.
O blog oficial da Dilma publicou foto da passeata dos Cem Mil de
1968. Trata-se de uma foto imensamente conhecida, em que Normal
Bengell, de minissaia, aparece em destaque. Os detratores de Dilma
criaram um escândalo em torno disso, acusando o site de pretender
passar à impressão de que Norma Bengell era Dilma Rousseff.
Colunistas sérios como Jânio de Freitas, Elio Gaspari e Ruy Castro
entraram na onda. Fez-se um ataque de ordem moral. Ampliou-se o caso
como se tratasse de um escândalo ético de proporções bíblicas.
Qualquer um que encare a questão com um mínimo de bom senso veria
que não houve intenção maliciosa. Norma não tem nada a ver com Dilma.
Foi um erro bobo, do tipo que é impossível evitar, dos diagramadores do
site. Querer desviar a campanha para discussões pueris como essa é
outra baixaria, que pelo visto é encampada por muitos jornalistas que
se acham o suprassumo da seriedade e da ética.
Daí que foram entrevistar a atriz Normal Bengell, a qual,
surpreendentemente, afirmou que “não via nada demais no caso” e passou
a fazer elogios a Dilma, culminando com uma enfática declaração de
voto: “tomara que ela ganhe”.
Mais uma vez, bem feito. Caso encerrado, certo? Não.
Os jornais de hoje continuam insistindo no caso. José Nêumanne
Pinto, colunista do Estadão e comentarista do SBT, publica um artigo
fortemente ofensivo à Dilma. O próprio título é mau educado, chamando a
ministra e candidata à Presidência da República, de “dona Dilma”. Mas
Neumanne é um tolo. Lembro que por ocasião do estardalhaço oportunista
e reacionário com o lançamento do último programa de direitos humanos,
Nêumanne foi para a TV pregar um golpe: “E os militares, onde estão os
militares?”, vociferava o conservador que, de súbito, mostrou-se um
carbonário radical da ultradireita.
O mais absurdo, o mais nojento, o mais assustador, no entanto,
partiu, como de praxe, da Folha de São Paulo. O pasquim serrista
publicou uma cartinha de um leitor do Canadá contendo uma séria
acusação à Norma Bengell.
Com isso, o jornal cumpre vários objetivos: vinga-se de Bengell, que
ousou defender Dilma e torcer por sua vitória; desmerece a sua opinião
e a possível influência que esta pode ter eleitoralmente entre os
leitores da Folha; e manda um recadinho terrorista bem claro: defendeu
Dilma ou PT, leva tiro.
A covardia é explícita. Ataca uma atriz já idosa, sem recursos
financeiros ou psicológicos para se defender à altura. Bota a acusação
na boca de um leitor, e ainda mais do Canadá. Pratica um verdadeiro
homicído de reputação. Ataca a honra de uma artista que muito
contribuiu para a cultura brasileira.
As peles de cordeiro, pelo jeito, não estão mais cabendo nos lobos.