22/06/2010 - 19h19
EUA jogam para classificação e para irritar mais sua direita conservadora
Do UOL Esporte
Em São Paulo
    O futebol é uma ideologia estrangeira que quer destruir a singularidade
da cultura norte-americana. Os comentaristas conservadores dos EUA querem
mais é que o USA Team seja eliminado logo na primeira fase. Tudo porque são
contrários a entrada do esporte mais popular do mundo no país mais poderoso
do globo.
 OS MOMENTOS AMERICANOS

   - [image: AP] O surgimento EUA no futebol foi em 1950, ao vencer a
   Inglaterra
   - [image: Chris Cole/Getty Images] Em 1994, a geração Lalas sediou a Copa
   e foi bem, indo às oitavas
   - [image: Jeff Mitchell/Getty Images] O melhor resultado veio em 2009; 2º
   na Copa das Confederações


   - GOL NO INÍCIO VIRA "TRAUMA"
   
<http://copadomundo.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/06/21/gol-sofrido-no-inicio-vira-trauma-para-estados-unidos-contra-a-argelia.jhtm>
   - FEBRE DE FUTEBOL INVADE OS EUA
   
<http://copadomundo.uol.com.br/2010/ultimas-noticias/2010/06/22/copa-do-mundo-faz-futebol-atingir-apice-e-bater-recordes-nos-estados-unidos.jhtm>

 “Não importa quantas celebridades o apoiam, quantos bares abrem mais cedo,
quantos comerciais de cerveja eles veiculam, nós não queremos a Copa do
Mundo, nós não gostamos da Copa do Mundo, não gostamos do futebol e não
queremos ter nada a ver com isso”, declarou Glenn Beck, cuja opinião tem
vaga cativa na Fox News, canal que sustentou a ferro e fogo a gestão do
republicano George W. Bush e é opositora ao governo democrata de Barack
Obama.
Beck chegou a comparar o futebol com o plano de assistência médica que Obama
implantou no país. “O resto do mundo gosta de futebol, nós não. O resto do
mundo gosta das políticas do Obama, nós não.”
A fúria da direita também se sente na voz elitista de Dan Gainor, analista
do Media Research Center. “O futebol é um jogo de pobre. A esquerda está
impondo o ensino de futebol nas escolas americanas, porque a América está
ficando bronzeada”, escreveu, associando a popularidade do futebol acima do
rio Grande com a crescente migração dos mexicanos para os EUA.
A teoria da conspiração encontrou eco em Matthew Philbin, ideólogo do centro
de pesquisas de direita Culture and Media Institute. “A mídia liberal sempre
se sentiu desconfortável com o fato de sermos únicos entre as nações, sermos
líderes; e os esquerdistas são contra nossa rejeição ao futebol, da mesma
maneira que são contra nossa rejeição ao socialismo”, fez a analogia,
incomodado com a audiência dos jogos da Copa serem maiores que as finais da
NBA, a típica e norte-americaníssima liga local de basquete.
“O que aconteceu com a singularidade dos Estados Unidos da América do Norte?
Este esporte foi criado por índios sul-americanos, que, em vez de bola,
jogavam com a cabeça de seus inimigos”, afirmou o radialista e ex-agente do
FBI G. Gordon Liddy, confundindo a origem do futebol (Inglaterra) e as
histórias de sacrifício humano das tribos da América Central e do Norte com
as da América do Sul.
O radialista Mark Belling também entrou no coro contrário ao futebol. “Estão
querendo enfiar goela abaixo essa modalidade. Mas não vou reagir criticando,
porque os liberais agem da mesma forma de quando você insulta o cabelo de um
senador do Partido Democrata. Não vou dar essa chance a eles.”
Nesta quarta, os invictos EUA enfrentam a Argélia e podem até se classificar
em primeiro de seu grupo. Mas vão ter uma forte torcida contrária dentro de
suas fronteiras.
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