Fonte:
http://oglobo.globo.com/jornal/colunas/gaspari.asp

Museus demais

Depois do roubo dos mapas do Itamaraty, das
fotografias da Biblioteca Nacional, dos quadros da
Fundação Castro Maya e das peças do Museu da Cidade, o
ministro da Cultura, Gilberto Gil, poderia chamar as
companhias de seguro para conversar. 

Ter Cezanne na parede, Marc Ferrez na prateleira e
mapas de João Teixeira Albernaz nos gavetões não é
para quem quer, é para quem pode. 

No Itamaraty algumas raridades, depois de restauradas,
não voltaram ao cofre porque nele havia bichos. A
chave da mapoteca já sumira três vezes. 

Se as seguradoras entrarem na discussão do patrimônio
histórico nacional, os responsáveis pelos acervos
assumirão publicamente os riscos a que estão
submetidas as peças que lhes são confiadas. Só a
crueza das seguradoras poderá informar quanto custa
(em dinheiro e em equipamento) a proteção de um acervo
cultural. Desde os anos 90 se sabe que obras de arte
roubadas são aceitas como colateral em grandes tratos
do tráfico de drogas. (No caixa dois da arte mundial
há uns 300 Picassos e 200 Chagalls.) 

A burocracia faz milagres. No eixo
Rio-Niterói-Petrópolis há mais museus que em Roma (108
x 104). Falta segurança, mas abundam diretores que
cuidam de acervos cada vez menores, sempre atribuindo
as desgraças presentes às administrações passadas. 

Se um museu não consegue receber cinco mil pessoas por
mês (250 por dia) e não faz esforços para atrair
visitantes, ele serve somente à burocracia que o
habita. Se uma cidade não tem dinheiro para sustentar
e proteger 108 museus, só há um jeito: fechar
instituições redundantes e fundir acervos. No eixo
Nova York-Washington os museus são menos de cem. 

 


                
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