JC e-mail 2972, de 10 de Março de 2006.
(http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=35847)
Avaliação da ciência, artigo de Eloi S. Garcia
O fator h é um número de define a atividade de cada cientista e
estabelece o número de artigo que possui um determinado pesquisador em
determinado período com suas respectivas citações. Eloi S. Garcia é
pesquisador e ex-presidente da Fundação Oswaldo Cruz, e membro da
Academia Brasileira de Ciências. Artigo enviado ao “JC e-mail”:
Recentemente, o presidente do CNPq enviou carta à comunidade científica
revelando sua preocupação no sistema da avaliação do CNPq. Alguns
artigos demonstrando a mesma preocupação vêm sendo publicados pelo
“Jornal da Ciência”.
Este é um assunto extremamente importante e delicado, visto que por
vezes avaliações equivocadas têm sido utilizadas até mesmo para
justificar solicitações orçamentárias em institutos públicos.
A maioria dos cientistas é avaliada por pares, ou seja, a atividade
científica é avaliada por especialistas da área.
Este tipo de avaliação se procede quando se solicita um projeto, submete
um artigo científico à revista, busca uma promoção ou um prêmio, ou se
aplica para um concurso.
Este processo tem sido acentuado no início do século 21 devido à
importância da CT&I para a sociedade e aumento do número de
pesquisadores formados pela nossa pós-graduação.
A avaliação deste tipo tem como objetivo priorizar, motivar e estimular
a pesquisa; no entanto, mal realizada pode ser tremendamente prejudicial
ao desenvolvimento do conhecimento e ao progresso científico.
Entre os diversos índices utilizados para avaliação da qualidade da
ciência encontram-se o número de artigos de um determinado grupo e o
número de vezes que estes artigos foram citados.
Sem dúvida, estes índices não estão isentos de limitações e não são
universalmente aceitos.
De um lado, o número de artigos publicados não nos diz nada sobre o
impacto dos mesmos. Existem casos de cientistas altamente prolixos e
escassamente citados.
Do outro, o índice de citação pode não refletir a realidade do impacto.
Por exemplo, pode se ter o caso de um autor com muitas citações
provenientes de um ou vários trabalhos coletivos onde sua participação
tenha sido secundária. Ou aquele artigo que somente vai ser reconhecido
10 anos após sua publicação.
Em caráter puramente provocativo vamos apresentar o fator h, descrito
por Jorge E. Hirsch, físico da Universidade da Califórnia, propõe este
índice para avaliar a carreira de um pesquisador.
O fator h é um número de define a atividade de cada cientista e
estabelece o número de artigo que possui um determinado pesquisador em
determinado período com suas respectivas citações.
Por exemplo, um fator h=30 significa que este pesquisador tem 30 artigos
em um determinado período e que foram citados 30 ou mais vezes.
Esta categorização tem a vantagem de considerar a produção científico de
vários anos, é um número que somente pode crescer ou permanecer mo
mesmo, permite extrapolar o rendimento científico em, por exemplo, 4
anos e comparar as carreiras de pesquisadores com diferentes idades bem
como é um número difícil de ser manipulados por outros interesses.
Para a área de física Hirsch concluiu que um fator h=20 após 20 anos de
atividade científica é característico de uma carreira exitosa, f=35-40
encontra-se entre os melhores cientistas e um fator=60 caracteriza um
extraordinário cientista.
Temos clareza que a avaliação da ciência não deve se reduzida a números.
Será que o fator h resiste a uma avaliação da comunidade científica
brasileira?
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