*** ***** **** Caros companheiros da lista, O medo é uma coisa muito triste mesmo...
E, pra não perder o jeito, e a oportunidade... não posso deixar de lembrar de Paulo Freire quando, em 1968, falou na sua "Pedagogia do Oprimido", em relação ao medo da liberdade: *"nos oprimidos, o medo da liberdade é o medo de assumi-la. Nos opressores, é o medo de perder a "liberdade*" de oprimir." Apesar do desuso das categorias opressores X oprimidos, continua atual ou é impressão minha? O professor que ainda acredita que para "educar é preciso controlar o conteúdo", só permitindo que o aluno tenha acesso ao que ele, professor, julgue que seja adequado, perdeu o bonde da história, né não? É mais ou menos como se acreditava, há mais de 40 anos, que para alfabetizar os meninos, o professor só podia apresentar, primeiro, apenas as vogais, em seguida, apenas as palavras que contivessem o que chamamos de padrão CV (consoante + vogal), por exemplo: ma - ca - co (porque eram consideradas mais simples, mais fáceis). E as palavras que contivessem encontros consonantais e dígrafos só eram dadas se houvesse tempo... E o garoto que se chamava Guilherme estava "ferrado", porque só aprendia o seu nome no final do ano letivo... também, quem mandou ter nome complexo e difícil??? Ou seja, além de desconsiderar todo o universo do aluno, incluindo aí a total falta de sensibilidade para com a identidade do próprio, desconsiderava-se, também, toda a maneira como os sujeitos aprendem. A curiosidade, o desafio, a ousadia de pensar e fazer relações entre as coisas eram abafados. E aula era assim mesmo: o professor falava, e o aluno, quieto, apenas ouvia. Mas como falar em educar nos dias atuais, pensando em controlar conteúdo, quando o bonito dessa história é justamente a gente estimular os alunos pra ver até onde eles são capazes de chegar? É criar oportunidades para que eles tenham autonomia para descobrirem seus caminhos, fazendo os seus links? É começar uma aula comentando o resultado dos Jogos Pan-Americanos e enveredar pela economia, pela política, pela organização social dos países envolvidos. É conhecer e comentar os países e as representações das respectivas bandeiras. Analisar estatísticas de jogos e de medalhas. É voltar pros esportes e pensar no que eles representavam anteriormente, e o que representam hoje em dia. É discutir se algumas modalidades são ou não um esporte. É analisar os esportes coletivos e os individuais. É analisar as questões de gênero no campeonato. Discutir dopping, boicote, "levar vantagem" e outros tantos assuntos que nos fazem pensar sobre as atitudes humanas. E se os alunos quiserem aprofundar seus conhecimentos sobre os países da América Central? Serão impedidos porque não está previsto nos conteúdos curriculares? Como é que se pretende controlar isso??? Ou isso tudo não é conteúdo? E, pior, como pensar em controlar conteúdo utilizando os laptops??? Não combina, não combina! Estamos falando de compartilhamento de informações e de construção de novos conhecimentos. "Alguma coisa tá fora da ordem..." Uma outra frase que me deixa preocupada na notícia é "...além de treinar professores no uso de computadores." Por favor, vamos parar de falar em treinar pessoas para a utilização de computadores, como se as máquinas fossem meros recursos pra tornar o ensino mais bonitinho e "muderno"; pra facilitar o ensino... O foco é na aprendizagem! Os professores não podem/devem ser treinados pra usar computadores, como me ensinaram, no final da década de 70, a utilizar o retroprojetor, o projetor de slides e o álbum seriado... eram os famosos "recursos audiovisuais". Penso que utilizar os computadores com os professores deve atender a duas premissas básicas: compartilhar com eles as possibilidades de aprendizagem, procurando entender as formas de organização não-linear, de seleção, de funções, de relações etc e pensar/criar junto com eles metodologias produtivas de trabalho. Chega de querer treinar professor, como se ele fosse um sujeito que não pensa e que não cria. A sorte é que ninguém vai conseguir controlar os alunos! E espero que os professores percam o medo e se descontrolem também ;-) Um grande e fraterno abraço a todos. Denise Vilardo Em 31/07/07, Jecel Assumpcao Jr <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: > > José Antonio, > > O jornalista John Ribeiro (Ribeiro? De Goa, talvez?) termina matéria > sobre > > lançamento do Classmate Intel na Índia com um FUDzinho: > > > > "Na Índia, no entanto, o programa OLPC não foi adotado pelo governo, > > entre outras razões, porque ele não permite controle do conteúdo pelos > professores. > > Mas isso está correto - você não pode ter simultaneamente a liberdade > dos alunos e o controle dos professores. Só que faltou ele completar: > enquanto o Classmate permite que os professores tenham este > controle..... por uns dois dias ;-) > > -- Jecel > _______________________________________________ > Brasil mailing list > [email protected] > http://lists.laptop.org/listinfo/brasil >
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