Há uns dois dias atrás comentei com algumas pessoas ligadas a uma Secretaria de Educação sobre o UCA e a solicitação de censura de alguns conteúdos por parte da escola ou sistema de acesso à Internet, e eis que uma dessas pessoas veio com a seguinte resposta: "Não há que se admitir que alguém venha usar um recurso público para alimentar e sexualidade. Que procure outro lugar pra visitar esse tipo de site. Tem que bloquear e pronto!" O que foi prontamente concordado pelo outro interlocutor.
A conversa não prosseguiu a diante, pois tínhamos que continuar com a exposição da apresentação de um sistema. Gostaria de saber dos colegas da turma a quantas anda a discussão sobre o assunto censura de conteúdo no OLPC. Qual metodologia será adotada, se além do tão solicitado treinamento das novas ferramentas, haverá um treinamento dos novos pensamentos, pois não será apenas uma nova maneira de se mostrar o conteúdo, mas sim uma nova maneira, de se educar, de fato. E como lidamos com seres humanos, e de uma complexidade muito maior que podemos admitir, a resistência ao novo é e sempre será um entrave para a implantação e o aperfeiçoamento de algo que tem tudo para revolucionar o mundo. E o melhor de tudo é que os ditos países pobres serão o berço dessa revolução. Saúde e Paz a todos. P.S.: no penúltimo parágrafo falo dos professores que terão que terão que educar as crianças da geração Internet. Em 31/07/07, Denise Vilardo <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: > > *** ***** **** Caros companheiros da lista, > > O medo é uma coisa muito triste mesmo... > > E, pra não perder o jeito, e a oportunidade... não posso deixar de lembrar > de Paulo Freire quando, em 1968, falou na sua "Pedagogia do Oprimido", em > relação ao medo da liberdade: *"nos oprimidos, o medo da liberdade é o > medo de assumi-la. Nos opressores, é o medo de perder a "liberdade*" de > oprimir." > > Apesar do desuso das categorias opressores X oprimidos, continua atual ou > é impressão minha? > > O professor que ainda acredita que para "educar é preciso controlar o > conteúdo", só permitindo que o aluno tenha acesso ao que ele, professor, > julgue que seja adequado, perdeu o bonde da história, né não? > > É mais ou menos como se acreditava, há mais de 40 anos, que para > alfabetizar os meninos, o professor só podia apresentar, primeiro, apenas as > vogais, em seguida, apenas as palavras que contivessem o que chamamos de > padrão CV (consoante + vogal), por exemplo: ma - ca - co (porque eram > consideradas mais simples, mais fáceis). E as palavras que contivessem > encontros consonantais e dígrafos só eram dadas se houvesse tempo... E o > garoto que se chamava Guilherme estava "ferrado", porque só aprendia o seu > nome no final do ano letivo... também, quem mandou ter nome complexo e > difícil??? > > Ou seja, além de desconsiderar todo o universo do aluno, incluindo aí a > total falta de sensibilidade para com a identidade do próprio, > desconsiderava-se, também, toda a maneira como os sujeitos aprendem. A > curiosidade, o desafio, a ousadia de pensar e fazer relações entre as coisas > eram abafados. E aula era assim mesmo: o professor falava, e o aluno, > quieto, apenas ouvia. > > Mas como falar em educar nos dias atuais, pensando em controlar conteúdo, > quando o bonito dessa história é justamente a gente estimular os alunos pra > ver até onde eles são capazes de chegar? É criar oportunidades para que eles > tenham autonomia para descobrirem seus caminhos, fazendo os seus links? > > É começar uma aula comentando o resultado dos Jogos Pan-Americanos e > enveredar pela economia, pela política, pela organização social dos países > envolvidos. É conhecer e comentar os países e as representações das > respectivas bandeiras. Analisar estatísticas de jogos e de medalhas. É > voltar pros esportes e pensar no que eles representavam anteriormente, e o > que representam hoje em dia. É discutir se algumas modalidades são ou não um > esporte. É analisar os esportes coletivos e os individuais. É analisar as > questões de gênero no campeonato. Discutir dopping, boicote, "levar > vantagem" e outros tantos assuntos que nos fazem pensar sobre as atitudes > humanas. > > E se os alunos quiserem aprofundar seus conhecimentos sobre os países da > América Central? Serão impedidos porque não está previsto nos conteúdos > curriculares? > > Como é que se pretende controlar isso??? Ou isso tudo não é conteúdo? > > E, pior, como pensar em controlar conteúdo utilizando os laptops??? Não > combina, não combina! Estamos falando de compartilhamento de informações e > de construção de novos conhecimentos. > > "Alguma coisa tá fora da ordem..." > > Uma outra frase que me deixa preocupada na notícia é "...além de treinar > professores no uso de computadores." > > Por favor, vamos parar de falar em treinar pessoas para a utilização de > computadores, como se as máquinas fossem meros recursos pra tornar o ensino > mais bonitinho e "muderno"; pra facilitar o ensino... O foco é na > aprendizagem! Os professores não podem/devem ser treinados pra usar > computadores, como me ensinaram, no final da década de 70, a utilizar o > retroprojetor, o projetor de slides e o álbum seriado... eram os famosos > "recursos audiovisuais". > > Penso que utilizar os computadores com os professores deve atender a duas > premissas básicas: compartilhar com eles as possibilidades de aprendizagem, > procurando entender as formas de organização não-linear, de seleção, de > funções, de relações etc e pensar/criar junto com eles metodologias > produtivas de trabalho. > > Chega de querer treinar professor, como se ele fosse um sujeito que não > pensa e que não cria. > > A sorte é que ninguém vai conseguir controlar os alunos! E espero que os > professores percam o medo e se descontrolem também ;-) > > Um grande e fraterno abraço a todos. > > Denise Vilardo > > > > Em 31/07/07, Jecel Assumpcao Jr <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: > > > > José Antonio, > > > O jornalista John Ribeiro (Ribeiro? De Goa, talvez?) termina matéria > > sobre > > > lançamento do Classmate Intel na Índia com um FUDzinho: > > > > > > "Na Índia, no entanto, o programa OLPC não foi adotado pelo governo, > > > entre outras razões, porque ele não permite controle do conteúdo pelos > > professores. > > > > Mas isso está correto - você não pode ter simultaneamente a liberdade > > dos alunos e o controle dos professores. Só que faltou ele completar: > > enquanto o Classmate permite que os professores tenham este > > controle..... por uns dois dias ;-) > > > > -- Jecel > > _______________________________________________ > > Brasil mailing list > > [email protected] > > http://lists.laptop.org/listinfo/brasil > > > > > _______________________________________________ > Brasil mailing list > [email protected] > http://lists.laptop.org/listinfo/brasil > > -- /"\ \ / Campanha da Fita ASCII - Contra Mail HTML X ASCII Ribbon Campaign - Against HTML Mail / \
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