Olá, Jaime obrigada por ter compreendido a minha mensagem.
Obrigada pela paciência de se deter para explicitar melhor a sua opinião para todos nós. Os argumentos ficaram claros. Você sabe tão bem o quanto nos custa 'matar um leão por dia' para fazer as coisas acontecerem. Brigamos com a 'máquina' em tempo integral, mas não podemos perder de vista que somos pessoas de fazer, de realizar, e que também fazemos parte da 'máquina'. Por isso sou muito cautelosa e não gosto muito de colocar as coisas em termos de nós X eles. Te agradeço também porque você é uma pessoa comprometida pra caramba e que só tem ajudado a todos nós, todo o tempo, com a sua colaboração incansável, suas explicações e críticas. um abraço *Denise Vilardo* 2009/5/1 Jaime Balbino <[email protected]> > Profa. Denise, > > Concordo com você quando diz que a rejeição do Mobilis nos testes é > uma demonstração de que a "máquina pública" está funcionando. Neste > caso específico esta não é uma ação do governo, que é o interessado na > compra, a boa burocracia vem da estrutura estatal que possui > mecanismos independentes que seguem regras e são fiscalizadas. Esta > estrutura garantiria um processo honesto e, acreditem, não existe em > sua plenitude na maioria dos nossos vizinhos. Além de ter atingido a > maturidade no Brasil apenas nos últimos anos. > > Porém, um presidente ou governador ou prefeito no Brasil tem somente 4 > anos de mandato. Diante dessa realidade constitucional como é possível > levar adiante projetos complexos se não há prazos para as decisões > burocráticas e judiciais? Um ministro do TCU levou 4 meses para > decidir deixar a licitação prosseguir. Antes disso tivemos quase 1 ano > de espera desde o cancelamento do primeiro pregão, com a desculpa de > que o edital seria melhor escrito (e que acabou questionado no TCU). > Depois da liberação levou-se 40 dias nos testes de aderência e a > consequente rejeição do Mobilis. > > Agora, se a Comsat ou algum outro concorrente questionar o resultado > nos tribunais, teremos meses ou anos de paralisia... > > Pode-se argumentar que um projeto não pode ser deste ou daquele > governo e que a alternância de poder não pode eliminar as boas > iniciativas. Isso é verdade quando os projetos estão implementados ou > ao menos bem encaminhados, quando eles nem sequer existem e, ainda por > cima, colecionam fracassos de tramitação e polêmicas a tendência é não > serem reaproveitados mesmo. > > O Uruguai é bem menor que o Brasil? Correto. Mas seu projeto nacional > já é bem maior do que teria sido o piloto do UCA. Mas não é só uma > questão de tamanho. Talvez a estrutura fiscalizadora do Uruguai não > esteja tão bem organizada quanto a brasileira, quem sabe por lá a > simples vontade do seu presidente baste para comprar 500 mil laptops > educacionais. O ponto central aí é que lá, como em outros países, o > tempo e o dinheiro tem sido gastos para fazer avançar o que se conhece > sobre o ensino com laptops. Nem preciso dizer no que estamos > investindo nosso tempo e dinheiro aqui no Brasil... > > Ainda há um agravante no caso brasileiro: enquanto o Uruguai, por > exemplo, não precisou discutir a fabricação local dos laptops, por não > ter uma tradição industrial, o Brasil trouxe essa polêmica para o > centro do processo de compra. Tudo bem, mas que empresa brasileira > pode inovar nesta área tendo que esperar mais de 2 anos pelo fim de > uma licitação que pode ser cancelada, suspensa e refeita inúmeras > vezes? O próprio Mobilis é um exemplo desse dilema: foram uns 3 anos > de desenvolvimento sem grandes incentivos estatais e particulares que > agora irão para o limbo depois da reprovação nos testes do UCA, já que > a empresa nunca teve condições de financiar a venda do produto no > varejo. > > (Isso não quer dizer que a reprovação não foi merecida. Nunca tive um > destes novos Mobilis na mão, nem os vi e também jamais poderia atestar > sua qualidade melhor do que faria o MEC. O relatório do pregoeiro deve > trazer claramente os motivos da reprovação, mas não duvido que seu > fabricante recorra da decisão para garantir a própria sobrevivência e > o investimento.) > > Não sou contra a burocracia e os recursos judiciais. Mas a equação > está errada. O tempo que se leva para tomar uma decisão tecnocrática > inviabiliza o projeto em si, quando não o pasteuriza, retirando da > disputa projetos alternativos e realmente inovadores em benefício de > tecnologias já estabelecidas (para outras realidades) e até > carterizadas. > > Termino com um discurso do Presidente Lula feito neste 30 de abril no > Rio de Janeiro. Aqui ele desenha a realidade dispare entre a > necessidade de avançar e os caminhos pedregosos e tortuosos impostos > pelo próprio Estado de Direito brasileiro: > > "Lula critica burocracia para aprovar investimentos > > De Lula ao participar da inauguração de um novo laboratório na Coppe/UFRJ: > > - Você me contou do Tribunal de Contas, eu não vou nem te contar da > perereca e do viaduto porque... É o seguinte: o país passou mais de 25 > anos sem investimento e sem nada porque nós fomos criando uma poderosa > máquina de fiscalização que agora é superior à máquina da produção. Se > você pegar uma instituição como Caixa Econômica Federal, como o Banco > do Brasil e o BNDES, agora, há algum tempo, é que a máquina voltou a > investir. O BNDES, que é um banco que é um modelo de exemplo para nós > e de orgulho, como a Petrobras, passou parte do seu tempo aprendendo a > sanear empresa para ser privatizada e desaprendeu a discutir > investimento. Eu lembro que uma vez eu perguntei para um cidadão: > quanto tempo você leva entre receber um projeto e aprovar um projeto? > (Eram) 265 dias. Não é possível. > > - Qual era a minha preocupação? No Brasil não basta você ter o > dinheiro. Porque com a quantidade de regras que nós criamos para > dificultar a utilização do dinheiro, às vezes, você vê a galinha > cantando, pensa que ela botou o ovo e ela não bota o ovo nunca. > > - Juscelino Kubitschek, se fosse eleito presidente e quisesse fazer > Brasília hoje, ia terminar o mandato dele sem conseguir a licença para > fazer a pista para descer o piloto para começar a estudar o Planalto > Central." > > > > Jaime Balbino > Learning Designer > Consultor em Automação do Ensino > > > > > > > 2009/4/30 Denise Vilardo <[email protected]>: > >> Olá a todos, > >> > >> Se, a partir das denúncias feitas (verdadeiras ou não), o governo não > >> tomasse atitude alguma, ele seria tachado de omisso. Se para tudo pra > >> averiguar, é porque quer emperrar o processo... > >> > >> Não estou defendendo a lerdeza dos caminhos burocráticos, porque eles, > >> certamente, mais atrapalham do que ajudam. E também compreendo que todos > nós > >> estamos aguardando ansiosamente a chegada dos laptops às escolas. > >> > >> Mas continuo acreditando, talvez ingenuamente, que ações dessa natureza > e > >> dimensão exigem muito cuidado, seriedade e responsabilidade. > >> > >> Sabemos que por trás de tudo existe uma guerra industrial, que não está > >> começando agora, e esse me parece mais um bom motivo para que se > investigue > >> o que está realmente acontecendo. > >> > >> Prefiro aguardar, porque também não acredito em bonzinhos X mauzinhos. > As > >> instituições existem, mas não são entidades etéreas; são constituídas > por > >> pessoas também dignas - podem acreditar - e que lutam diariamente para > que > >> as coisas funcionem e deem certo. > >> > >> Dessa lista mesmo participam pessoas altamente comprometidas com o > Projeto e > >> com vasta experiência de trabalho no setor público, portanto, sabem bem > do > >> que estou falando. > >> > >> E, por favor... O Uruguai inteiro tem cerca de 176.215 km², e uma > população > >> estimada em 3,39 milhões. Só o Estado de São Paulo tem 248.209,23 km²... > a > >> Cidade do Rio de Janeiro tem mais de 6 milhões de habitantes... O que é > >> mesmo que estamos comparando? > >> > >> E, também, creio que não dá pra acreditarmos que nos outros países tudo > >> funcione maravilhosamente bem e que não existam os problemas semelhantes > aos > >> daqui. Vocês sabem melhor do que eu que não é assim que as coisas > acontecem. > >> > >> Esse é o nosso país, com todos os contextos histórico-sociais que > >> rechaçamos. É aqui, no meio de todos os desacertos, descompassos, > >> desafinações que temos a obrigação de fazer melhor. É compromisso dos > que > >> tiveram e ainda teem o privilégio de poder estudar, viver dignamente e > estar > >> aqui, por exemplo, participando dessa lista, como acadêmicos, > intelectuais e > >> profissionais bem sucedidos. > >> > >> Creio que contribuiremos mais se conseguirmos articular e ampliar essa > rede > >> de pessoas interessadas em discutir esse assunto, com idéias e propostas > >> para ajudar na implementação do Programa. > >> > >> um abraço > >> > >> Denise Vilardo > >> > >> > >> > >> > >> > >> > >> _______________________________________________ > >> Brasil mailing list > >> [email protected] > >> http://lists.laptop.org/listinfo/brasil > >> > >> > > _______________________________________________ > > Brasil mailing list > > [email protected] > > http://lists.laptop.org/listinfo/brasil > > > _______________________________________________ > Brasil mailing list > [email protected] > http://lists.laptop.org/listinfo/brasil >
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