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Supranormal — Esta característica é precisamente o que a parapsicologia quer frisar com o termo supranormal. Para falar-se em milagre, para poder-se de início admitir a possibilidade, por mais remota que possa parecer, de que o fenômeno se deve a força de fora do nosso mundo (= sobrenatural), tem de ser claramente superior ao normal, supranormal na terminologia da parapsicologia, que distingue entre extranormal, paranormal e supranormal. O termo supranormal foi introduzido na parapsicologia por Myers, um dos seus fundadores. "Permiti-me compor a palavra supranormal para aplicá-la aos fenômenos que se encontram além do que acontece ordinariamente (concordo), isto é, em virtude de leis psíquicas que eu suponho desconhecidas" (discordo: isso é muito supor, é preconceito supor que todo fenômeno extraordinário necessariamente tem de dever-se a leis psíquicas). "Esta palavra (supranormal) está formada por analogia com normal. Por fenômenos anormais designamos não os fenômenos contrários às leis da natureza, senão os que nos apresentam estas leis sob uma forma inusitada e inexplicável." — Se fosse inexplicada, poderíamos discutir…; mas se é inexplicável, como é que não seria supranormal no verdadeiro sentido de milagre? *** "Igualmente, um fenômeno supranormal não é para mim (?!) um fenômeno que excede às leis da natureza (bem definido) porque em minha opinião até então não estudara ainda os fatos, simplesmente estava programando o estudo, e além disso estava num ambiente infeccionado (pelos racionalistas); tal fenômeno não existe (antes de estudá-lo? puro preconceito dos racionalistas!), senão o fenômeno pelo qual se manifestam leis superiores (concordo novamente), do ponto de vista psíquico (sinônimo de parapsicológico), às que regem na vida ordinária. E por superior — no sentido fisiológico ou psíquico da palavra — entendo o que corresponde a uma fase mais avançada da evolução."13 — Com referência às últimas palavras, novamente discordo: é que os chamados milagres só acontecem hoje? Hoje, quando ele supõe que estamos em "uma fase mais avançada da evolução humana". Como se vê, ao descrever o que se entende em parapsicologia por supranormal, Myers prejulgava e negava aprioristicamente os milagres, sem tê-los estudado. Até então não estudara ainda os fatos, simplesmente estava programando o estudo, e estava num ambiente infeccionado pelos racionalistas. Descartemos o preconceito, fica e guardemos o verdadeiro conceito de supranormal = um fenômeno que excede às forças da natureza = milagre. Também os Filósofos — Como os teólogos modernistas, também muitos filósofos esquecem a característica fundamental na definição de milagre. Como se percebe por exemplo na discusS. entre LEWIS14 e o prof. RAMSEY15. O mesmo errado conceito aparece nos apaixonados insultos contra o milagre lançados pelo prof. NOWELL-SMITH16 e tantíssimos outros exemplos que poderia citar. SUpranormal igual a normal! — Tão monstruosa contradição palpita hoje, entre outros erros, como concluS. modernista dos apriorismos dos antigos racionalistas: o milagre enquanto fenômeno seria um fato tão natural como outro qualquer. *** O milagre "não consiste em eliminar as causas segundas (da natureza) em benefício da Causa Primeira (Deus). O milagre não pode estar em ruptura com as leis da natureza; pelo contrário, é uma expresS. mais perfeita das mesmas". *** E em outro lugar o mesmo conhecido teólogo brasileiro resume assim, sem crítica, o parecer hoje mais comum: "No milagre Deus faz agir as causas criadas (…), forças que operam no interior do plano da natureza. Em muitos milagres se pode constatar como as leis naturais S. colocadas (…) Assim os milagres de curar em geral não superam a possibilidade de uma cura natural"17. *** Ou na expresS., também errada ou ao menos muito imprecisa, de outro conhecidíssimo teólogo francês, o milagre seria no máximo uma mais intensa ação da natureza (diríamos, um fenômeno parapsicológico): "Quanto mais atua Deus (no suposto milagre), mais atua a criatura ela mesma com intensidade"18. — Certamente não. Do ponto de vista da parapsicologia (de todo esse conjunto de ramos da ciência que estuda os fenômenos à margem do comum), tal fenômeno, precisamente porque devido às forças da natureza, pode ser extranormal e paranormal, mas não supranormal ou milagroso. — A distinção modernista, para eles meramente teórica, entre verdadeiro milagre — que segundo eles não haveria — e sinal ou prodígio mais ou menos admirável mas natural, rejeita-a nada menos que o maior dos parapsicólogos (se na sua época existisse esse nome), Próspero Lambertini ou Bento XIV. Para poder-se falar em milagre, o fato deve superar de alguma maneira o natural. Tratando-se de forças da natureza, poder-se-ia, no máximo, falar-se em Divina Providência especial (ou quarta classe de milagre): se Deus as utiliza de um modo que só Ele pode, como dono; mas não em milagre propriamente dito. Ou S. milagres ou não S.. Em si mesmas "as coisas naturais não podem ser sinais de ações sobrenaturais. Nem pode achar-se razão alguma de milagre naqueles sinais que ao menos quanto ao modo não sejam sobrenaturais. Do contrário seriam sinais ambíguos (como provas de sobrenaturalidade), pois (…) poderiam surgir de (…) causas naturais"19. Desorientações e Dificuldades — Em nome da maioria dos teólogos de hoje, ingenuamente modernistas, Léon-Dufour, como concluS. das exposições pretensamente magisteriais dos colaboradores escolhidos no antes aludido "inquérito renovado", garante (atendamos no momento só ao que agora interessa, a característica "efeito superior à natureza"): "Há que delimitar com rigor o que se entende por milagre. Se é verdade que o milagre consiste na transposição, num contexto religioso, de um limite aparentemente insuperável, não se pode esquecer que muitos prodígios não merecem a denominação de milagres no sentido próprio do termo. Não falo aqui, evidentemente, da extenS. das palavras aplicadas a toda sorte de manifestações maravilhosas. Mas inclusive as ações extraordinárias dos curandeiros, as performances dos iogues, tudo isso depende da técnica ou da parapsicologia. Em certos casos não aparece a relação a Deus requerida para todo milagre; em outros é o caráter surpreendente, inesperado, que falta; sempre falta um ou outro dos elementos da estrutura (do milagre)(…). É no discernimento das condições necessárias que se encontra o reconhecimento do milagre". *** E resume: "O critério da excepcionalidade não é válido, o de superação do impossível não é suficiente"20. — Durante séculos teologia, filosofia e ciências de observação coincidem em considerar no milagre, como essencial, que seja um fenômeno que "transponha" os extremos "limites" da natureza, que seja "insuperável" pela natureza, "superação do impossível" para a natureza… Na realidade é reconhecido na própria "exposição magisterial" dos modernistas… — Mas percebe-se o impasse da teologia atual perante a parapsicologia. Lamentavelmente ainda S. poucos os teólogos que conhecem suficiente parapsicologia. Embora alguns a citem, como o próprio teólogo modernista Léon-Dufour, jesuíta. Os pesquisadores, os teólogos modernistas não se negassem a estudar os fatos!; sem parapsicologia, em muitos fenômenos concretos não podem nem suspeitar onde estão os limites da natureza. É possível que seja precisamente porque estão apavorados por esse desconhecimento que se negam a estudar os fatos e fogem pela tangente com preconceitos teóricos. Irrefletidamente repetem os ataques mal-intencionados dos racionalistas. — Os fenômenos parapsicológicos humanos, "confrontados com o milagre cristão, têm-se mostrado muito diferentes. Mas a que se reduz finalmente e funcionalmente esta divergência?", os milagres superam as forças parapsicológicas da natureza ou do homem?, pergunta o grande parapsicólogo e grande especialista em milagres, o também jesuíta pe. Tonquédec. A responder esta importantíssima pergunta, fenômeno por fenômeno parapsicológico, deveremos dedicar uma grande parte desta coleção sobre os milagres. O pe. Tonquédec adianta: "Sem chegar a um conhecimento exaustivo, talvez seja possível descobrir ao menos a que categoria geral de acontecimentos, a que gênero supremo pertencem" os diversos fenômenos naturais humanos, extranormais e paranormais em comparação com os milagres, análogos mas muito superiores, supranormais21. *** Sem conhecimentos de parapsicologia, a quase totalidade dos teólogos modernos — modernistas — deixou de lado o aspecto "superior à natureza" para cair nesse "contexto religioso", "relação a Deus", "condições necessárias" etc. — Que contexto? De qual entre as inumeráveis religiões? Que condições? Tudo isso é espantoso e ridículo subjetivismo. Se um fenômeno observável supera as forças da natureza, é sobrenatural (supranormal). Se o fato observável é causado por uma força sobrenatural é milagre (fato supranormal). É apriorismo exigir, antes da concluS. da pesquisa, que seja relacionado com Deus Único! Outros poderiam exigir que fosse relacionado com o deus budista (panteísmo), ou com algum dos inumeráveis deuses greco-romanos, ou com algum dos orixás e exus (suposta multidão de divindades ou potestades), ou com os espíritos dos mortos, ou com os popularmente chamados demônios, ou com seja lá quem for! — Não dizem que o milagre é sinal? Sinal de que ou de quem? Isso só o poderemos saber após a verificação e análise do milagre. Só após a demonstração da existência e após a análise de milagres ou fatos supranormais, essas e quaisquer outras qualidades poderiam ser acrescentadas. A posteriori. Sem apriorismo. Por isso, um grande pensador católico moderno, o eminente biólogo Cuénot, dá uma lição aos teólogos modernistas, definindo o milagre implicitamente com uma cláusula suspensiva para o futuro: "O milagre na sua verdadeira acepção é um fenômeno exteriormente verificável, sempre extraordinário e inesperado, que faz por sua estranheza provocante um contraste tão nítido com a ordem habitual da natureza que se tende a atribuí-lo a uma Potência diferente do mundo, por exemplo o Deus dos cristãos ou dos espiritualistas (…), as religiões de todos os tempos tiveram seus milagres (…) como um argumento do sobrenatural (…) destinado a provocar ou confirmar a fé"22. Essa expresS. "se tende a atribuí-lo…" poderia traduzir--se como "oferece a possibilidade", "possivelmente" divino, ou espírita, ou de qualquer religião. Cabe à ciência verificar se esse fato aparentemente sobrenatural é na realidade sobrenatural. E num segundo passo verificar de que ser sobrenatural o milagre (ou fato supranormal) é realmente "assinatura" e, conseqüentemente, de que fé, entre tantas religiões, é incentivo ou confirmação. Não basta evidentemente que o fato seja surpreendente, extraordinário, incompreensível. Há que descobrir a causa, a força que o realizou. Como meio a sério, meio humoristicamente expressa um dos aforismos do parapsicólogo Gustave Le Bon, "se chamássemos milagre tudo o que é incompreensível, a vida de um ser qualquer deveria ser considerada um contínuo milagre"23. A mesma tradução ou glosa poderíamos fazer na excelente definição que os membros da Societé de Philosophie, reunidos em 20 de julho de 1911, opuseram aos racionalistas durante a famosa polêmica: O milagre "é um fato surpreendente (…) que se produz fora da ordem habitual da natureza, e que é considerado como manifestação, no mundo, de uma ação intencional de ordem religiosa"24. Não basta que não se saiba explicar, que seja incompreensível. Há que dar um passo a mais. Cabe à ciência verificar se de fato esse "é considerado" tem validez, como "ação intencional" sobrenatural (supranormal), de "fora… da natureza" agindo "no mundo" em benefício de qual entre tantos sistemas "de ordem religiosa". [continua]
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