Fatos Supranormais

Nas Bodas de Caná — "Houve um casamento em Caná da Galiléia e a Mãe de Jesus estava lá. Jesus foi convidado para as bodas e os Seus discípulos também. Como não houvesse mais vinho, a Mãe de Jesus Lhe disse: ‘Eles não têm vinho’. Respondeu-Lhe Jesus: ‘Que temos Nós com isso, Mulher? (¨semitismo freqüente no Antigo Testamento, que se repete seis vezes no Novo Testamento). Minha hora ainda não chegou’. Sua Mãe disse aos serventes: ‘Fazei tudo o que Ele vos disser’".

"Havia ali seis talhas de pedra para a purificação dos judeus, cada uma contendo duas ou três medidas (ao todo, portanto, entre 80 e 120 litros). Jesus lhes disse: ‘Enchei as talhas de água’. Eles as encheram até à borda. Disse-lhes então: ‘Tirai agora e levai ao mestre-sala’. Eles levaram. Quando o mestre-sala provou da água transformada em vinho — ele não sabia de onde vinha, mas o sabiam os serventes que haviam retirado a água —, chamou o noivo e lhe disse: ‘Todo homem serve primeiro o bom vinho e, quando os convidados já estão embriagados, serve o pior. Tu guardaste o bom vinho até agora!’"

"Este início dos sinais, Jesus o fez em Caná da Galiléia e manifestou a Sua glória e os Seus discípulos creram nEle" (Jo 2,1-11).

Os Discípulos imitam seu Mestre

"O Melhor Vinho" — "Um dia, estando ausente seu marido, Santa Isabel (1207-1231, jovem duquesa) de Hungria comia sozinha sua pobre refeição composta de pão seco e água. O duque, chegando de improviso, quis, como monstra de carinho, beber do mesmo copo, e encontrou, para sua grande surpresa, um líquido que lhe pareceu ser o melhor vinho que se poderia beber no mundo. Perguntou então ao copeiro donde o tinha tirado, e este respondeu que servira à duquesa unicamente água."34

Vinho — S. Bennon (1010-1116?), visitando uma vez, como costumava, os agricultores, vendo que, cansados pelo trabalho, sofriam veemente sede, movido pela compaixão, converteu a simples água que iam beber em excelente vinho35.

Cerveja — Santa Brígida (c. 452-c. 523), célebre abadessa, padroeira de Irlanda, teve compaixão de um grande grupo de trabalhadores que só tinham água para beber. Simplesmente levantou os olhos ao céu e fez o sinal-da-Cruz sobre o tanque de água. À vista de todos, as águas foram espessando-se um tanto e trocando de cor. Animados pelo aspecto e aroma… começaram todos a beber e todos verificaram que se tratava de excelente cerveja36.

Vinho, Leite e Mel — S. Molua († c. 609), de Irlanda, abade, mandou uma vez aos seus cansados monges: "Ide e enchei os recipientes com água da fonte". Tendo feito isso, a água se transformou em leite com sabor de mel e efeitos do vinho37.

Muitas Vezes — Inclusive com referência a um santo só. No processo de canonização se comprovou que "muitas vezes o pó retirado do seu túmulo converteu-se em pão". Os pobres que ela costumava atender quando viva, depois acudiam ao túmulo de Santa Cunegonda, imperatriz de Alemanha, falecida em 1040 38.

Não é Racional — Em pleno debate racionalista, em 1906, por ocasião das preconceituosas, apaixonadas e mesmo violentas negações dos milagres de curas em Lourdes, nada menos que 346 médicos de todas as especialidades e diversas tendências "filosóficas", reunidos por iniciativa do dr. E. Vincent, de Lyon, sublinham precisamente este aspecto essencial que estamos considerando no milagre. Havia entre eles 42 internos, 14 chefes de clínica ou de laboratório, 42 médicos e cirurgiões de hospitais, 12 professores de faculdade de medicina e 3 membros da Academia de Medicina. Tão prestigioso e especilizado grupo assinou a seguinte declaração contra o preconceito dos racionalistas que nada viram, nada analisaram: "Os abaixo-assinantes sentem (…) um dever de reconhecer que curas inesperadas em grande número se produzem em Lourdes, por uma ação particular (…) que não podem racionalmente explicar somente pelas forças da natureza"39.

Precisamente diferenciar "o que a natureza pode" e "o que não pode", onde acaba a natureza e começa o milagre, é o objetivo último e um dos principais frutos da parapsicologia. Muito acertadamente Robert Amadou, um dos mais completos parapsicólogos contemporâneos e de maior autoridade, presidente do Institut de Parapsychologie da França, diretor da "Revue Métapsychique" até l955 etc. define a parapsicologia como a ciência que tem por finalidade diferenciar o verdadeiro do falso milagre: "O mérito da parapsicologia é por uma parte proteger-nos contra as superstições, e ao mesmo tempo convencer-nos de que o sagrado, o mistério, o sobrenatural não se reduzem aos seus reflexos inferiores, de que a sombra não é a realidade, e que o homem, e menos ainda a natureza, não é Deus"40. Ou, como se garantia num congresso internacional, para citar mais um testemunho avalizado, dos que realmente sabem o que é parapsicologia: "A moderna parapsicologia pode ser definida como o estudo científico dos fenômenos sobrenaturais", diferenciando os verdadeiros dos falsos milagres41.

Tal distinção ("não sabemos o que a natureza pode, mas sabemos o que não pode") era praticamente unânime entre os defensores do milagre até uns trinta anos atrás.

*** Hoje, a exagerada atenção prestada ao modernismo, atreveria-me a dizer que um certo complexo doentio perante as ciências de observação, fez com que em quase todas as faculdades de teologia do mundo se renunciasse a definir intrinsecamente o milagre como tal; insiste-se erradamente só nas circunstâncias extrínsecas ao que seria somente aparente milagre.

— Assim não se resolve o problema, foge-se dele. Foge-se de um problema secular. Como iremos vendo, um problema fundamental! Fundamentalíssimo! Neste tratado pretendo recolher o essencial e válido do rico material acumulado tanto do ponto de vista da teologia e da filosofia como do ponto de vista das ciências de observação ao longo dos séculos e da moderna parapsicologia.

2º) sem a Natureza — Esse "sem" pode entender-se validamente de duas maneiras. Com referência ao meio empregado: purificar a água sem instrumento algum, por exemplo. E com referência ao próprio fato: ver sem olhos, por exemplo.

Purificar a Água sem Instrumento Adequado — É claro que a natureza e o homem concretamente podem purificar a água. Lentamente a natureza purifica a água poluída que sai das cidades, oxigenando-a no correr dos rios, nas cascatas, pela ação benfazeja de determinadas e inumeráveis bactérias… O mesmo faz o homem, lentamente, com grandes instalações e enormes aparelhos filtradores… O supranormal, o milagre, seria purificar uma grande quantidade de água num instante sob a escusa de um "instrumento" totalmente inadequado, ou com uma só palavra!

Fatos Supranormais

Mara — "Moisés fez Israel partir do mar dos Juncos. Eles se dirigiram para o deserto de Sur, e caminharam três dias no deserto sem encontrar água. Mas quando chegaram a Mara não puderam beber da água de Mara, porque era amarga; por isso chamou-se-lhe Mara (em hebraico mar = amarga). O povo murmurou contra Moisés, dizendo: ‘Que havemos de beber?’ Moisés clamou a Iahweh e Iahweh lhe mostrou um pedaço de madeira (prefigura da cruz salvadora; analisaremos as profecias messiânicas no livro "Revelação e Parapsicologia"). Moisés o lançou na água, e a água se tornou doce" (Ex 15,22-25).

Em Toda Região — "Os homens da cidade disseram a Eliseu: ‘A cidade tem um ambiente agradável, como bem pode ver o meu senhor, mas suas águas S. ruins e tornam o país estéril’. Disse ele: ‘Trazei-me um prato novo e ponde nele sal’; e eles lhe trouxeram. Ele foi à fonte das águas, lançou-lhe sal e disse: ‘Assim fala Iahweh: Eu saneio estas águas e elas não mais causarão nem morte nem esterilidade’. E as águas se tornaram sadias até hoje, segundo a palavra que Eliseu pronunciara" (2Rs 2,19-22).

*** O pedaço de madeira lançado por Moisés e o sal lançado por Eliseu têm poderes purificadores, como querem alguns?

— Ora, poderes capazes de purificar as águas todas num instante e para sempre?! Voltaremos a isto no volume 4.

*** Mitos ou lendas bíblicas para simbolizar uma doutrina, como querem outros?

— Por quê? Simplesmente porque os modernistas não sabem explicar os fatos? Não os expliquem! Mas negá-los…

— Então, e pelo mesmo "motivo", também S. lendas todos os casos posteriores? Por exemplo:

S. Francisco Xavier — (1506-1552). O grande missionário jesuíta "navegava rumo à China num grande veleiro com 500 pessoas, quando os ventos cessaram de tal maneira, que a nave se fixou quatorze dias imóvel no mesmo lugar. E entre outras dificuldades sofreram muito da falta de água, inclusive muitos já pereceram de sede. O homem santo mandou encher todos os recipientes da nave com água do mar. E após dirigir insistentemente orações a Deus fez sobre a água o sinal-da-Cruz. Repentinamente, toda aquela água transformou-se em doce e salubre. Muitos infiéis que estavam na nave, com aquele milagre, acreditaram em Deus. Bebendo daquela água, que sobrou abundantemente, por muitas províncias da Índia…"42.

"Ver sem Olhos" — É claro que na natureza existe a viS. com os olhos. A maioria dos animais enxergam. E enxergam pelos olhos, com a retina, o nervo ótico, a circunvolução cerebral correspondente à viS.… A viS. é um fenômeno natural.

Ora, que diríamos se determinada pessoa, absolutamente cega, comprovadamente por lesões fisiológicas graves e incuráveis, repentinamente, sem mais meios do que, por exemplo, uma oração pedindo a intercesS. de Nossa Senhora de Lourdes perante Deus, recuperasse a viS. perfeita, permanecendo as lesões fisiológicas que impossibilitam a viS. ocular?

Tratar-se-ia de um milagre "sem a natureza", "Praeter naturam".

Mas o problema não é tão simples. A parapsicologia tem de fazer algumas precisões ou restrições…

GÉRARD BAILLIE43 — Nascido em Saint-Pol sur Mer (França), em 1940. À idade de dois anos e meio, como conseqüência da anestesia geral para uma operação cirúrgica de hérnia, sofreu uma coróide--retinite bilateral. Isto é, degeneração infecciosa e progressiva das membranas internas (coróides e retina) dos olhos. A destruição progressiva das regiões sensíveis à luz no olho vai reduzindo o campo visual pouco a pouco como se duas cortinas pretas fossem se fechando lentamente. E quando a infecção chega ao ponto em que o nervo ótico desemboca na retina (papila ótica) o nervo começa a se atrofiar por sua vez e depois sobrevém a cegueira absoluta e incurável. Com dois anos e meio de idade Gérard estava cego completamente de ambos os olhos.

Com o diagnóstico "atrofia ótica dupla. Cegueira incurável" assinado pela especialista em oftalmologia dra. Biziaut, de Dunkerke, o menino foi internado no Instituto para Crianças Cegas, de Arras. Durante outros dois anos. O oftalmólogo de Arras, dr. Viton, confirmou o diagnóstico: "Coróide-retinite bilateral. Atrofia ótica dupla. Cegueira incurável" (além da confirmação contínua, certamente de valor, do diretor, mestras, enfermeiras, encarregados, família e amigos).

Agora já com quatro anos e meio, o menino é levado a Lourdes. Os médicos de Lourdes atestam que observaram o menino e que estava completamente cego.

Como se Nossa Senhora estivesse provando a fé ou resignação dos parentes da criança, nada aconteceu quando o puseram na piscina, mas aconteceu no dia seguinte. Quando Gérard com infantil piedade vai subindo o caminho da via-crúcis, levado pela mão por sua mãe, na quarta estação, o fato radical, instantâneo: o menino Gérard Baillie enxerga! Vê como por uma fenda entre duas cortinas pretas.

Os médicos de Lourdes o examinaram naquela mesma tarde. O menino vê. Podia pegar e indicar com o dedo os objetos que lhe mostrassem. Mas… as cortinas! Via como entre elas, de forma que não tinha viS. de conjunto nem apreciação de perspectiva.

Novo exame no dia seguinte. Agora via normalmente. Em todas as direções.

E a assim foi sempre. Durante anos no asilo Notre-Dame des Sept-Douleurs todos conheciam o menino com viS. como a de qualquer outro menino normal. Ninguém poderia suspeitar que "segundo todas as leis da medicina" o menino "não podia ver"!

[continua]
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