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A definição autêntica. Transformação substancial ViS. impossível. Incombustibilidade 1º) "Superior à Natureza" — Voltemos, para análise, à definição tradicional, a autenticamente de S. Tomás, deixando de lado as definições espúrias. É claro que os melhores teólogos modernos não S. modernistas, embora em honrosa minoria (daqui em diante chamá-los-ei elogiosamente tradicionalistas no que respeita à defesa do milagre). E portanto encontram-se, mesmo na teologia moderna, definições perfeitas de milagre. Assim, por exemplo, muito acertadamente descreve e explica o conceito de milagre Attwatter no "Dicionário de Teologia Católica": milagre é "um efeito realizado diretamente por Deus na natureza. Não há necessidade de ser uma violação das leis da natureza nem sequer uma suspenS. dessas leis, mas um efeito realizado independentemente de poderes e leis naturais, e de tal caráter que o homem conclui racionalmente que o próprio Deus, único acima e fora da natureza, é a causa imediata e direta do efeito, sem intervenção, como normalmente, de causas segundas que chamamos natureza"1. — Frisemos unicamente que em teoria, antes das pesquisas sobre os fatos e conclusões da parapsicologia, o milagre não é com relação unicamente a Deus, poderia tratar-se da intervenção de qualquer outro ser sobrenatural. — Igualmente há que frisar que quando Attwater afirma que Deus é o "único acima e fora da natureza" refere-se a toda a natureza criada, enquanto que a parapsicologia entende por natureza o nosso mundo: em teoria demônios, mortos, etc. estão acima e fora da natureza. Como outro exemplo, entre centenas, podemos incluir Galbiati e Piazza, especialmente se entendermos bem os termos ambíguos experimental, usual, apenas e proporcional; aliás, tomados literalmente, nenhum deles estaria de acordo com todo o contexto; e outros se refeririam só aos fatos providenciais. Essa ambigüidade parece decorrente das disquisições dos modernistas. Dizem no primeiro volume da "Coleção Bíblica": "Milagre é um fato experimental (no sentido de observável, não no sentido de repetível à vontade), que não decorre do jogo usual (?) das forças da natureza, porém de uma intervenção direta do poder de Deus (agora a definição é perfeita…) O resultado de tal intervenção não pode ser atribuível apenas (?) às forças naturais, por se tratar de um efeito que, na natureza, não tem causa proporcional"2. "Supra Naturam" — Em todos os estudos e discussões sobre o milagre, no campo teológico, no filosófico, das ciências de observação em geral e concretamente na moderna parapsicologia; na discusS. que se expandiu no fim do século XVIII, que se exacerbou no século XIX e que perdura até hoje; na discusS., aparentemente "perdida" precisamente pelos que estão com a razão, quase desaparecendo entre a multidão e quase esmagados pelos preconceitos dos opositores; nesses multisseculares estudos e nessa já quase trissecular polêmica entre os poucos que com conhecimento dos fatos aceitam e os muitos que sem prévio estudo dos fatos aprioristicamente rejeitam o milagre3, tudo, mais ou menos reflexamente, gira precisamente ao redor desta característica essencial do conceito de milagre. *** "Em razão desta identificação do milagre com o prodígio, os espíritos contemporâneos (leigos no tema, na realidade arrastados pelo preconceito dos líderes racionalistas e modernistas), foram conduzidos (exato: sem prévio estudo, sem provas, sem reflexão) a rejeitar em bloco a existência mesma dos milagres." Refletindo o parecer quase unânime — e errado, modernista — da teologia atual, deu-se grande prestígio a "um inquérito renovado" que tinha por título: "Palavra de Deus". *** Trata-se de exposições pretendidamente magisteriais de grandes teólogos, especialistas no milagre. — Não duvido de que sejam grandes teólogos, no seu campo específico de teólogos: doutrina, ou a partir da revelação. Do que duvido, ou melhor: também não duvido de que não S. nem grandes nem sequer medíocres especialistas no milagre. Nisto S. péssimos cientistas: falam de fatos sem haver estudado os fatos! O estudo dos fatos (inclusive do próprio facto da Revelação e do fato de ser divina e não de qualquer outra entidade ou mera invenção humana), quase totalmente não pertence à teologia, senão à parapsicologia. Estes fatos, porém, deveriam interessar fundamentalmente a todos os teólogos. *** "É assim que um teólogo diagnosticava a situação atual: ‘O prodígio, ou o milagre, não pode passar de um luxo metafísico, do que não temos nenhuma necessidade de nos embaraçar para viver cristãmente. Os dados prodigiosos do Novo Testamento relevam mentalidades que nos S. estranhas (?!); nossa tarefa é reafirmar isso que sem cessar é negado sutilmente: a verdadeira humanidade de Jesus até a morte’."4 — Na realidade, sim, que S. terrível "luxo metafísico" essas afirmações do bom teólogo em tema de teologia, mas péssimo cientista ao falar do milagre sem estudo dos fatos! — Na realidade, "do que não temos nenhuma necessidade de nos embaraçar para viver cristãmente" é das aéreas disquisições e sutilezas dos teólogos modernistas. Sem milagres, a Revelação não teria credenciais para ser aceita racionalmente. Não haveria fundamento "para viver cristãmente" em vez de viver epicureamente, ou budisticamente, ou espiriticamente…: 11.000 religiões registradas. — Na realidade, afirmar e "negar sutilmente" os fatos é próprio dos teólogos modernistas, não dos cientistas que se debruçam na análise dos fatos. — Na realidade, negando os milagres, o que os racionalistas pretendem negar com maquiavélica sutileza, repetida no cúmulo da ingênua "irreflexão teológica" pelos modernistas, é que junto à verdadeira humanidade existisse a divindade em Jesus Cristo. Seria infantil, irracional, inumano aceitar sem credenciais, sem milagres, a divindade de Jesus Cristo. *** Continua o teólogo modernista: "Não é só entre os cristãos que homens de ciência estimam que devem renunciar (erradamente) ao conceito que eles tem (acertadamente) de milagre, como mostra o pe. R. Gros num recente artigo5. Ou ainda, tal é o ponto de vista de H. van der Loos, que desenvolve um livro de 750 páginas a respeito do que realmente aconteceu"6. — Bom, se fosse questão de número de páginas… — Nesta coleção sobre os milagres, o leitor isento de preconceitos terá freqüentemente ocasião de ver que, entre detalhes de valor, sobressai um acúmulo de erros, preconceitos e disquisições bem típicas da teologia modernista, sem fundamentar-se nos fatos ao longo da história ("efeito bumerangue"). *** Tal é exatamente o pressuposto de R. Bultmann (exatamente: pressuposto, preconceito, como amplamente veremos nesta coleção sobre os milagres), que já em 1933 7 teve cuidado de dissociar Wunder (maravilhoso) do Mirakel (milagre), que deve ser desmitologizado radicalmente, enquanto que ao Wunder corresponderia o puro perdão de Deus. A seus olhos o Mirakel é impossível, enquanto que o Wunder vem a ser uma abstração"8. — Como se vê, é precisamente essa característica de fato sobrenatural (supranormal, em parapsicologia), presente no conceito de milagre ao longo de toda a história da humanidade; precisamente essa característica é que incomoda aos racionalistas, ingenuamente seguidos pelos modernistas católicos, e que querem tirar da definição de milagre. Ou negam que existam e mesmo que possam existir milagres nesse sentido de prodígio sobrenatural. Só para os Modernistas Católicos — E é precisamente porque na definição não fica abertamente incluído o caráter sobrenatural (supranormal) do milagre, ou porque com discutível habilidade evitam ser claros, que a "Delegação Romana" reclama contra os autores do "Catecismo Holandês", que ao menos neste ponto possivelmente disfarçam o preconceito e o erro modernistas9. O Catecismo Holandês "tenderia a excluir que um milagre possa superar as causas, talvez desconhecidas, que agiriam na ordem natural (…) Deveria sustentar que podem ser produzidos além de todas as forças que estão presentes nela" (na natureza)10. Na Mística Tradicional — Adiantando-me ao livro "Os Fenômenos Místicos e a Parapsicologia", esse mesmo é o significado do termo manifestação sobrenatural, ou milagre, em mística (mas que como fato incomum, seja ele extranormal, paranormal ou supranormal, pertence à parapsicologia). Ou de outra maneira: o fenômeno verdadeiramente místico — quando observável — é milagre. Explica a doutora mística, Santa Teresa de Jesus: "Eu chamo sobrenatural àquilo que nós (nenhum ser humano) não podemos adquirir por nós mesmos, por mais esforço ou por mais diligência que nisso empreguemos". Em contraste por exemplo com a meditação ordinária, que se pode fazer por si mesmo com a ajuda de Deus, onde vemos uma descrição não só do concurso ordinário, senão também dos fenômenos da Divina Providência ordinária e extraordinária11. Ao Longo dos Séculos — Apesar do evidente influxo dos racionalistas, limitando-nos à essência da definição de milagre, acerta plenamente por exemplo o pe. Serinanell, quando fez de mediador, e introdutor da publicação do debate, entre um crente e um ateu. Pergunta: "Que é milagre?". E centra a discusS.: Em todas as épocas e povos sempre entendemos e "chamamos milagre ao fenômeno extraordinário que excede todas as forças e meios humanos e que por conseguinte só pode ser atribuído a Deus"12. — Estão aí as características essencias da definição do milagre: "excede todas as forças e meios". "Só pode ser atribuído a Deus." — A influência dos modernistas é periférica: não se trata de superar só os poderes humanos. Deve exceder também o poder das coisas físicas, dos animais, das plantas. De qualquer força do nosso mundo. — Por outro lado, crente-ateu é um campo muito reduzido. Hoje há muitos crentes que não aceitam o milagre. — "Só pode ser atribuído a Deus". Repito: Deus ou, em teoria, antes do estudo dos fatos pela parapsicologia, qualquer outro ser sobrenatural. Mas apesar dessas reduções a discusS. está bem centrada. A parapsicologia concorda, para estabelecer o conceito e iniciar a pesquisa. E devemos guardar essa característica fundamental que flutua na definição de milagre. Um acontecimento que excede às forças da natureza, que não tem explicacão natural. É causado, portanto, por outra força, de fora, agindo no nosso mundo. [continua]
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