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Desorientação dos Teólogos — A maioria dos teólogos de hoje estão completamente fora dos trilhos. Modernistas. É evidente que especialmente o vocábulo seméion, precisamente pelo seu significado de sinal, pode ser aplicado a diversos fatos, como já afirmei, sejam eles milagres verdadeiros ou falsos, ou fatos de especial ou comum Providência Divina, ou de alguma maneira admiráveis como tantas maravilhas do universo, ou mesmo meramente simbólicos sem relação nem longínqua com milagres etc. Assim, por exemplo, S. seméia os verdadeiros milagres que acompanharão aos que crêem (Mc 16,17), mas também os falsos milagres dos falsos messias (Mc 13,22). Milagres e casos providenciais "misturados" S. conjuntamente chamados seméia, em várias passagens (Ex 10,1; Nm 14,22; Dt 7, 19; etc). Igualmente criaturas maravilhosas como o Sol, a Lua… (Gn 1,14), mas também num sentido simbólico o arco-íris é um seméion (Gn 9,12) e num sentido de sacramento (sinal eficaz da promessa que simboliza) a serpente elevada no deserto (Nm 21,90). Etc… Com todo direito, portanto, concluía o melhor "parapsicólogo" (não existia este nome na sua época: morreu em 5 de maio de 1758) de todos os tempos, Bento XIV: "Milagres e sinais confluem entre si por parte da Causa, e somente se diferenciam segundo os diversos aspectos e segundo os diversos vocábulos"41. *** Por essa variedade de sentidos, os teólogos modernistas pretendem generalizar e vilipendiar o significado de todos esses diversos termos usados na Bíblia. Segundo eles, a "semântica bíblica" estaria confirmando que não haveria milagres: todos esses fatos, pela própria terminologia empregada pela Bíblia, não passariam de sinais meramente, e sinais sempre sobre fatos mais ou menos corriqueiros. — Certamente não. Generalização e vilipêndio absolutamente falsos. Os verdadeiros milagres nada têm de corriqueiros. O preconceito ridículo dos teólogos modernistas chega ao extremo de não lhes permitir lembrar que freqüentemente o termo sinal é aplicado na Bíblia aos milagres mais destacáveis, às mais extraordinárias térata, dínameis, megaléia, taumásia…: * A transformação instantânea e abundante de água em excelente vinho nas bodas de Caná foi o "início dos sinais, Jesus (…) manifestou a sua glória e os seus discípulos creram nele" (Jo 2,11).
Conceito Bíblico — Os teólogos modernistas chegam nas suas elucubrações e confusões a afirmar inclusive que não é bíblico o próprio conceito de milagre: *** A Bíblia, dizem, não distingue natureza e sobrenatural. — Caíram num espantoso exclusivismo: É sabido que na Bíblia, sim, "tudo o que acontece no campo do que nós chamamos natureza é o trabalho de Deus mesmo. Mas nestas operações Sua mão é invisível (…) (Outras vezes) vê-se Sua mão mais diretamente nas ocorrências extraordinárias e terrificantes, como o relâmpago e o trovão. Estes S. atos do poder de Deus, nos quais o homem tem uma mais imediata experiência de Sua mão"42. "Convém destacar desde logo (se não fosse coisa tão sabida) que, sendo usual da linguagem bíblica atribuir diretamente ao próprio Deus o que é efeito de causas segundas, quer se trate de fenômenos físicos quer de livres ações humanas, seria simplista ver um milagre verdadeiro e completo em tudo o que a Escritura apresenta como operado por Deus"43. Concedemos também que nem sempre interessa à Bíblia, do Velho Testamento especialmente, dado o grande ênfase com que se destaca a Divina Providência, distinguir ação divina ordinária, especial e milagrosa. Invertendo o ponto de vista podemos dizer paradoxalmente que "para o homem bíblico o milagre forma parte integrante da natureza das coisas"44. É verdade. O erro está no exclusivismo. 1) Porque também é verdade que a Bíblia, junto à "mão de Deus" agindo ordinária ou "terrificantemente" pela natureza ou "pelas causas segundas", apresenta também uma ação especial de Deus, que considera privilégio dos profetas enviados por Deus: * "Iahweh disse a Moisés: ‘Eis que te fiz como um deus, e Aarão, teu irmão, será o teu profeta. Falarás tudo o que Eu te ordenar’" (Ex 7,1s). * "E eles saíram a pregar por toda parte, agindo com eles o Senhor, e confirmando a Palavra por meio dos sinais que a acompanhavam" (Mc 16,20). * "Paulo e Barnabé prolongaram sua permanência por muito tempo, cheios de confiança no Senhor, que atestava a pregação da sua graça operando sinais e prodígios pelas mãos deles" (At 14,3). Poderíamos acrescentar textos em grande quantidade. 2) Um passo a mais: certos fenômenos que hoje discutiríamos e mesmo quando os qualificássemos como extranormais ou paranormais em parapsicologia, a Bíblia apresenta-os como especialmente providenciais. Tal poderia ser todo o conjunto ou ao menos algumas das pragas do Egito (magia e mesmo mágicas ocupar-nos-ão em diversas oportunidades nesta coleção, especialmente no volume IV). "Se Faraó vos disser: ‘apresentai um prodígio em vosso favor’, então dirás a Aarão: ‘Toma a tua vara e lança-a diante de Faraó; e ela se transformará em cobra’" (Ex 7,1s; 8s). "Disse Iahweh a Moisés:(…) ‘Toma a tua vara e estende a tua mão sobre as águas dos egípcios, sobre os seus rios, sobre os seus canais, sobre as suas lagoas e sobre todos os seus reservatórios, para que se convertam em sangue. Haja sangue em toda a terra do Egito, até nas árvores e nas pedras’" (Ex 7,19). Também aqui poderíamos apresentar numerosos textos. *** Os modernistas recentes também apresentam textos isolados ou exclusivisticamente. Mesmo que sejam muitos esses textos, na realidade podem ser muito úteis para destacar a Divina Providência, tanto a ordinária como a especial. — Mas o conceito de Divina Providência não exclui o conceito, também bíblico, de verdadeiro milagre. É até ridículo que os teólogos modernistas esqueçam que o Antigo Testamento destaca que, na natureza que corre seu curso ordinário, de tempo em tempo intervém bem especificamente o Onipotente. É até ridículo que não vejam que a Bíblia destaca essas intervenções extraordinárias, inusitadas, inesperadas, que surpreendem e chamam a atenção de todos e convidam com força à reflexão: "Isto é o dedo de Deus" (Ex 8,15), tiveram de reconhecer os magos do faraó já no início da progressiva manifestação de Iahweh. *** Embora todos os acontecimentos, ordinários e extraordinários, sejam apresentados como "milagres" porque todos S. obra de Deus (Sl 77,12; 86,8)… — … não obstante, também quase habitualmente e especialmente no Êxodo, na literatura sapiencial e nos Salmos, destacam-se os verdadeiros milagres, as maiores e as mais assombrosas realizações de Deus a favor do seu povo. Com ótima exegese, partindo da realidade e sem preconceitos, Robinson mostra que no Antigo Testamento natureza e milagres S. dois aspectos diferentes da atividade contínua de Deus. Mas os milagres S. manifestações bem mais destacadas do que as da natureza. Nos milagres o homem percebe essa atividade divina bem mais vivamente do que na natureza45. *** Insistem com seu errado exclusivismo os teólogos modernistas46: "Para entender o que seja o milagre na Bíblia, temos de prescindir desta nossa concepção de milagre (…) A Bíblia nunca põe em luz o milagre em relação com a natureza, mas em relação com Deus. Para a Bíblia o milagre representa uma experiência da ação de Deus nos acontecimentos"47. — É verdade que a Bíblia, mais freqüentemente e como seria de esperar precisamente por tratar-se da Bíblia, apresenta o milagre do ângulo de Deus. E a ciência atual, também como é de esperar dela, considera o milagre mais freqüentemente do ângulo da natureza. É até meio estranho que os teólogos modernistas não percebam que isso nada tem de estranho, é absolutamente lógico. — Mas desse detalhe absolutamente normal não se pode objetar que Bíblia e ciência tenham conceitos diferentes de milagre! Quando se trata de verdadeiro milagre (em contraposição ao fato só providencial), para a Bíblia como para a ciência trata-se absolutamente do mesmo acontecimento sobrenatural, idêntico, simplesmente com ênfases em dois aspectos diferentes, mas de nenhum modo exclusivos: acontecimento sobrenatural por ação direta de Deus (na ênfase bíblica) e acontecimento sobrenatural por não se dever à natureza (na ênfase das ciências de observação) S. a mesma realidade. — Além do mais, apesar do enfoque habitual que interessa ao Antigo Testamento, por vezes expressamente se distingue Divina Providência e verdadeiro milagre. Nos conceitos, claro está que não com essas palavras de hoje. Por influência do helenismo, sim, mas se contrapõe o que a natureza pode e o que não pode, exigindo portanto neste caso a explicação por ação direta de Deus48. E os rabinos, como os judeus em geral, conheciam muito bem as expressões bíblicas. POR EXEMPLO — "O mais surpreendente: na água, que tudo apaga, mais ainda ardia o fogo (…) Ora a chama se abrandava para não queimar (…), para que os vendo compreendessem que o juízo de Deus os perseguia; ora, mesmo no seio da água, ardia mais forte que o fogo (…) Neve e gelo resistiam ao fogo sem derreter-se: soube-se assim que o fogo, ardendo no meio do granizo e lampejando nos aguaceiros (…), mas o mesmo, noutra ocasião, esqueceu-se da sua própria força (…) Viu-se (…) a terra enxuta emergir onde era água (…); do mar subiram codornizes" (Sb 16,18-24; 19,7-12). Todas as modalidades de possíveis milagres citadas nesta breve enumeração ou classificação bíblica serão analisadas nesta coleção. E veremos outras muitas modalidades. Nos dois capítulos anteriores já vimos várias modalidades que realmente eram supranormais: sinos que badalam sozinhos ou que, pelo contrário, resistem a soar; transformação de diversas substâncias em alimentos, como quando Jesus transformou água em vinho nas bodas de Caná; cegos que vêem sem que fisiologicamente pudessem ver. Da enumeração bíblica escolho agora uma modalidade: "A chama se abrandava para não queimar, o fogo esqueceu-se da sua própria força". Ou melhor, escolho um outro pequeno aspecto dentro da modalidade pirovasia: arder sem consumir, o fogo atinge o objeto sem danificá-lo. Acrescente-se aos aspectos já vistos nos dois capítulos anteriores, e que também eram realmente supranormais: apagar instantaneamente o fogo e invulnerabilidade especificamente em incêndio ou fornalha. O que viso no parágrafo anterior é que o leitor vá tomando consciência de que… há muitos fatos que possivelmente S. realmente supranormais. Em todas as modalidades, fenômeno por fenômeno de todos os estudados pela parapsicologia. Possivelmente muitos e muitos milagres. Um tesouro incalculável, que há que "contabilizar". Há que analisá-lo. Há que abrir esse tesouro para que brilhe em toda sua real intensidade, precisamente porque, se real, seria a mais brilhante realidade do nosso mundo. Um tesouro que os racionalistas (e modernistas arrastados sem reflexão) "esqueceram" simplesmente porque fecham sempre os olhos quando viram o rosto nessa direção. Isso não é ciência. Isso é preconceito indigno de quem aspire a ser considerado um ser humano, racional. [continua] - *******************************************************************
Fernando De Matos: [EMAIL PROTECTED] [EMAIL PROTECTED] [EMAIL PROTECTED] ICQ#26750912 [EMAIL PROTECTED] Centro Latino-Americano de
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