RIDÍCULO NA TEOLOGIA — Precisamente por não terem prestado atenção, irrefletidamente, traídos pelo preconceito, a que no milagre se trata de outra força, os teólogos modernistas de hoje caíram em erros crassos. As disquisições modernistas chegam a ridículas contradições. E precisamente por atender à transcendência é que os parapsicólogos refutam-nos com facilidade.

É até triste ver a típica deturpação do milagre em publicações pretensiosas, muito influentes e aceitas sem discusS. pela maioria dos teólogos atuais:

*** Defende o pe. Bouillard em amplo artigo13 e repete o pe. Charpentier: O milagre "está por cima das leis, não no sentido de que esteja em contradição com elas ou de que seja totalmente estranho a elas, senão no sentido de que as utiliza… Tudo ocorre como se Deus, fonte de toda vida, concedesse ao enfermo por uns instantes um aumento de vitalidade, uma hipervitalidade, graças à qual a pessoa agraciada com o milagre repara numa fração de segundo certas lesões que talvez não teria visto nunca reparadas ou que teriam necessidade de anos inteiros para chegar a esse resultado… A cura sobrenatural não é mais que um fenômeno natural cuja rapidez e amplidão saem das regras habituais. O milagre multiplica, transforma ou cura, mas não cria. Supera as forças naturais, mas não viola suas leis. Os determinismos seguem em pé; o que acontece é que S. como (?) utilizados por uma liberdade superior. E dominando-os desse modo é como se manifesta misteriosamente essa liberdade"14.

— Espero que o leitor haja percebido a sarta de confusões. Quase em cada linha:

*** O milagre "está por cima das leis, não no sentido de que esteja em contradição com elas"

— É claro! Acertou!

*** "ou de que seja totalmente estranho a elas"

— Aqui está o erro: na realidade o milagre é completamente estranho às leis da natureza. Interveio outra força.

*** "senão no sentido de que as utiliza…"

— Isso não seria verdadeiro milagre, isso seria só Providencial.

*** "Tudo ocorre como se Deus, fonte de toda vida, concedesse ao enfermo por uns instantes um momento de vitalidade, uma hipervitalidade"

— É poder do próprio enfermo? Da natureza? Ou é outra força não da natureza que "Deus… concedesse ao enfermo"? O apriorismo modernista finge que nem percebe a confuS. sutil com a qual se expressa.

*** "graças à qual a pessoa"

— É ela que faz?

*** "agraciada"

— Foi favor recebido? Então, não é a pessoa que faz…

*** "com o milagre repara numa fração de segundo"

— Nem é necessário tal recorde de velocidade!

*** "certas lesões que talvez"

— Talvez? Tudo vai ficar reduzido a este monstruoso subjetivismo?

*** "não teria visto nunca reparadas ou que teriam necessidade de anos inteiros"

— Também não é necessário bater o recorde de lentidão!

*** "para chegar a esse resultado… A cura sobrenatural não é mais que um fenômeno natural"

— "Cura sobrenatural" = "fenômeno natural"!

*** "cuja rapidez e amplidão saem das regras habituais".

— Tudo se reduziria a uma competição: quem supere o habitual, o recordista, recebe a taça do milagre!

*** "O milagre multiplica, transforma ou cura, mas não cria".

— Multiplicar num instante cinco pães para dar de comer a cinco mil homens não é criar? Transformar num instante um manco sem perna num homem normal não é criar? Curar num instante uma fratura óssea exposta onde faltava um decímetro de osso não é criar? Etc., etc., etc.

*** "Supera as forças naturais"

— E não é outra força, sobrenatural?

*** "mas não viola suas leis"

— E essa não violação das leis da natureza não é precisamente porque não é natural, porque é outra força?

*** "Os determinismos seguem em pé; o que acontece é que S. como (?) utilizados"

— Teólogos, então não seria milagre…

*** "por uma liberdade superior. E dominando-os desse modo"

— Só desse modo? Só Divina Providência?

*** "é como se manifesta misteriosamente essa liberdade".

— Uma liberdade de Deus que não tem liberdade de agir por Si mesmo?

Esperemos que algum dia a maioria dos teólogos atuais tenham humildade suficiente para reconhecer que neste tema dos milagres estão completa, ridícula e muito prejudicialmente fora dos trilhos.

Entre os parapsicólogos, explica muito bem o dr. Harris15 e endossam os drs. Lunn16 e Rossetti: "Quando um homem levanta uma pedra que pesa cinqüenta quilos e a mantém nas mãos, nem viola nem suspende a lei da gravidade. Essa lei continua em toda sua força, como demonstra sua continuidade no sentido de peso; mas o efeito da lei é contrastado pela ação das forças maiores dos músculos dirigidos pela vontade. De maneira similar, quando Deus opera um milagre (…) com um processo análogo àquele com o qual age a vontade humana, age sobre a natureza e influi por cima dela"17. Outra força superior.

O grande parapsicólogo e teólogo pe. Zacchi contrapõe às disquisições modernistas a simplicidade dos fatos: O milagre "na realidade não destrói a essência íntima das coisas, não suprime suas inclinações e atitudes essenciais, não derroga as leis reguladoras de sua atividade. O milagre implica unicamente (…) a intervenção de um dinamismo superior. Quando um cadáver, por exemplo o de Lázaro de Betania (Jo 11), recupera milagrosamente a vida, não se suprime a lei que sanciona os direitos soberanos da morte sobre todo homem nascido de mulher; não se destroem as tendências do corpo morto à decomposição das suas partes e dos seus elementos; não se suspende a impotência em que se encontra todo cadáver, abandonado a si mesmo, de reconquistar com as próprias forças esse princípio vital que o abandonou. Lázaro não haveria recuperado a vida fora daquelas circunstâncias excepcionais que deviam oferecer a Jesus uma esplêndida ocasião para exercitar, de modo tão impressionante, seu apostolado de amor e verdade, e para revelar aos olhos do mundo sua divina misS.. Quando posteriormente a morte o golpear de novo, fora daquelas excepcionais circunstâncias, seguirá a sorte comum, e o túmulo não mais restituirá sua pressa. Antes da intervenção de Jesus, o cadáver de Lázaro seguia as conseqüências da (… morte), e estava lentamente decompondo-se (…) A vida triunfou da morte, porque entrou em ação o vencedor da morte, o criador da vida. A alma torna a vivificar os frios e rígidos membros do corpo de Lázaro, porque um poder sobrenatural substituiu aí a impotente natureza (…) Quando se produzem milagres, a natureza das causas criadas não muda. Ela continua com todas suas forças, tendências, exigências. Mas à atividade dessas causas vem se acrescentar a atividade de uma causa superior (…) Não é, pois, exato afirmar que o milagre contraria a natureza das coisas. E não está permitido usar expressões que parecem conter uma tal afirmação, sem antes haver precisado seu verdadeiro sentido"18.

*** Não é válida, portanto, também não, aquela argumentação de alguns defensores do milagre: "Deus é o autor das leis da natureza, só Ele pode derrogá-las".

— Não se trata de derrogação nem de nada parecido. É a intervenção de outra força, superior. O milagre é inclusive uma confirmação das leis da natureza. A pedra cai, pela lei da gravidade, se outra força superior não o impedir. A intervenção desta outra força superior não é uma exceção da lei da gravidade.

Em plena polêmica racionalista já o parapsicólogo pe. Macinai em seu livro, sob um título muito significativo no primeiro capítulo: "Natural e Sobrenatural", ridicularizava as disquisições que ainda repetem os teólogos modernistas: "A intervenção de uma causa de fora e sobre as da natureza (ótima definição por S. Tomás de Aquino) não é uma derrogação das leis naturais (…), como não o é que um homem lance com seu braço uma pedra pelos ares, ou que outro (um alpinista) se segure no seu bastão quando estava já quase rolando de um penhasco — SANTO TOMAS, I p., q. 110, a. 4 in corpore. Quem ousaria dizer que nestes casos o homem suspendeu uma lei da natureza? E, não obstante, o efeito produzido é superior ao que pode a natureza das pedras, e se estas tivessem inteligência e falassem deveriam confessar que interveio uma causa superior a seu reino e produzido um fenômeno impossível para a natureza delas e para as leis que a governam. De igual maneira, um ser superior a nós poderá produzir efeitos impossíveis para nós e para as leis que aqui governam, permanecendo nossa natureza a mesma que é e seguindo para se governar as mesmas leis — S. Tomás: ibidem, ad secundum"19.

ABSURDO APRIORISMO — É um dos tantos apriorismos absurdos dos modernistas. Contra fatos não há teorias. E muito menos quando S. teorias puramente sem fundamento, aéreas, sem mais "base" que preconceitos passionais, doentios, contra o mistério… (taumatofobia: medo patológico do maravilhoso).

*** O dr. Julien Marcuse escrevia revoltado: "O fato da cura de Pierre De Rudder não pode ser verdadeiro, seria um bofetão em todas as leis da biologia e da patologia"20.

— Se é fato como não pode ser verdadeiro? ("negação instintiva" irracional, patológica).

— Marcuse, como todos os racionalistas, discute completamente fora do tema. Suponhamos que se inventasse um novo remédio sensacional, uma nova espécie de "penicilina especialíssima", que injetada em Pierre De Rudder conseguisse curar instantaneamente aquela gangrena, consolidar os ossos e músculos quebrados, devolver as partes de ossos extraídas… Aquela "penicilina especialíssima" não estaria contra a biologia e contra a patologia. Seria simplesmente outra força, superior aos agentes biológicos e patológicos que estavam levando Pierre De Rudder à morte, irrecuperavelmente…, se não interviesse essa força superior. No caso, em vez dessa penicilina (?!), a outra força, superior, foi Deus…

[continua]

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