|
Caracter�sticas por defini��o. N�o qualquer paralisia EXTRAORDIN�RIO � Sob o pretexto de recolher toda a reflex�o anterior dos fil�sofos e te�logos, na realidade deixando-se influir pelo nascente racionalismo, dom Calmet1, no s�culo XVIII, influiu muito, negativamente, nos estudos posteriores sobre o milagre. *** Definia o milagre assim: "Um efeito que supera as regras ordin�rias da natureza, como caminhar sobre as �guas, ressuscitar um morto ou falar repentinamente uma l�ngua desconhecida". � Al�m de umas poucas que apresentarei no volume 6 desta mesma cole��o, analiso muitas revitaliza��es ("ressurrei��o" � aqui termo incorreto) no cap�tulo 34 do livro "Palavra de Iahweh", vol. 5 da cole��o "Os Mortos Interferem no Mundo?". Certamente s� Deus pode devolver a vida a um morto. � Mas caminhar sobre as �guas, em determinadas circunst�ncias, pode ser simplesmente o que a parapsicologia explica e conhece como levita��o. Demostr�-lo-ei ao analisar em outro livro os "Fen�menos M�sticos�; ou Fen�menos Parapsicol�gicos?". � Falar de repente uma l�ngua desconhecida pode enquadrar-se perfeitamente no fen�meno natural que em parapsicologia se chama xenoglossia: Cf. cap�tulo 10: "Xenoglossia. O Inconsciente, a melhor Escola de L�nguas", no livro "A Face Oculta da Mente". � Calmet, e muitos outros depois dele, definindo o milagre como "um efeito que supera as regras ordin�rias da natureza", inclui no rol dos milagres todos os fen�menos parapsicol�gicos humanos, que S. simplesmente isso: efeito extraordin�rio do homem. Mais ainda, qualquer fen�meno infreq�ente, humano ou f�sico, como uma guerra, um assalto mais ousado, a erup��o de um vulc�o que parecia "dormindo", um feto com duas cabe�as�, qualquer acontecimento incomum, extraordin�rio, seria milagre!!! � Tal defini��o de milagre de nenhuma maneira abarca nem se aplica ao fundamental que palpita em meio a todos os estudos e discuss�es sobre o milagre, como estamos vendo ao longo deste volume. Mas � certo que um fen�meno freq�ente, ordin�rio, por mais maravilhoso que seja em si mesmo e por mais que o crente possa ver nele a a��o da Divina Provid�ncia, comum ou especial, precisamente por ser um fen�meno ordin�rio n�o � considerado milagre: por exemplo a ordem e conserva��o do universo� Todo milagre � extraordin�rio, mas nem todo o extraordin�rio � milagre. Precisamente porque � extraordin�rio chama a aten��o e pode ser que mostre a interven��o de uma outra for�a diferente daquelas da natureza. J� na �poca da grande pol�mica resolvia a discusS., nisto muito acertadamente, o pe. Le Roy: trata-se essencialmente do exerc�cio de uma liberdade, porque "n�o � o produto regular de um mecanismo cego, que n�o pode deixar de chegar a ser, nem um h�bito nem uma arte exerc�vel � vontade; em fim, porque rompe violentamente com o curso ordin�rio e normal dos fen�menos" da natureza2. Guardemos, pois, esta caracter�stica: O milagre tem de ser tamb�m um acontecimento extraordin�rio. Vem aqui � lembran�a aquela profecia de Isa�as com refer�ncia aos milagres do Messias, Jesus Cristo: "Ver�o fatos que jamais se lhes tinham narrado, e ouvir�o coisas jamais ouvidas antes. Quem teria acreditado no que ouvimos? A quem foi revelado assim o bra�o de Iahweh?" (Is 52,15b-53,1). MARAVILHOSO � � conseq��ncia do anterior. Ou conceito an�logo. Se o milagre � uma interven��o do sobrenatural ou, mais concretamente, de Deus, certamente � maravilhoso. E tratando-se de Deus "somente o fant�stico tem probabilidade de ser verdade" (Teilhard de Chardin). Naquela cole��o, num livro com iguais pretens�es magistrais, refletindo o ditame quase geral no mundo da teologia moderna, apesar de geralmente errada, nisto acertadamente se destaca o significado etimol�gico da palavra milagre: "Existem pequenas diferen�as, quando se trata de definir mais precisamente em que consiste o milagre, mas visto em conjunto predomina o elemento excepcionalidade; e excepcionalidade de tal porte, que vale como crit�rio determinante para que se considere milagre. � justamente esta id�ia de excepcionalidade que vamos encontrar no radical latino que constitui a base do termo milagre e seus cognatos, ainda que modificados pela evolu��o da l�ngua, quais sejam milagre (miraculum), admirar (mirare), maravilhas (mirabilia), etc. Essas palavras exprimem, no fundo, o espanto, o estupor que sentimos perante algo de extraordin�rio, de excepcional. O milagre implica um admirar-se"3. *** O modernista Le Roy4 aduz e pretende apoiar-se contra o milagre num texto de grande autoridade: "Manifesta��o de alguma coisa dif�cil e ins�lita superior �s possibilidades da natureza e fora da esperan�a do admirador". � Le Roy pretende apoiar-se em Santo Agostinho. E faz duas cita��es erradas �"Tract. in Jo.", VIII; e "De Trinitate", III, V. Na realidade o texto � de S. Tom�s5. � Al�m do mais, o texto � contra a tese dos racionalistas e modernistas. S. Tom�s expressamente afirma que o milagre � "superior �s possibilidades da natureza". Citamo-lo porque tamb�m � muito significativo em confirma��o desta outra nota verdadeira do milagre: maravilhoso. *** Santo Agostinho � agora sim � na sua fase de desprezo do milagre pretende que o milagre da multiplica��o dos p�es, por exemplo, n�o seja mais admir�vel que a germina��o de um gr�o de trigo. E � muito menos admir�vel que a ordem inimagin�vel do imenso Cosmos. Mas � ordem do Cosmos estamos acostumados e n�o nos admira! "Por isso, fiel � sua miseric�rdia o Senhor se reserva a eventual realiza��o de fatos que sobrepassam a acostumada ordem da natureza", como o de uma simples (?) multiplica��o de p�es, que nos admira muito mais. A a��o de Deus num milagre n�o seria nem mais forte nem mais complicada que a de certos fatos da natureza. Um e outro t�m suas ra�zes no Infinito e se pretend�ssemos compreend�-los ter�amos de afundar num insond�vel abismo6. *** Em outra oportunidade, contrapondo milagres e determinados fatos escolhidos da natureza, Santo Agostinho mostra que estes �ltimos S. mais maravilhosos7. � Convenhamos, facilmente se cai no sofisma quando se pretende despir o milagre do seu aspecto maravilhoso�: *** Como acusava Voltaire: Dizer "um milagre, segundo a energia da pr�pria palavra, � (equivale a dizer:) uma coisa admir�vel. Neste caso, tudo � milagre. A ordem prodigiosa da natureza, a rota��o de cem milh�es de globos ao redor de um milhar de s�is, a atividade da luz, a vida dos animais S. milagres perp�tuos"8. *** Ou como naquelas palavras do l�der modernista, o excomungado pe. Loisy: "Indo ao fundo das coisas, n�o h�, sem d�vidas, no milagre nada de mais do que no menor dos fatos ordin�rios; e igualmente, vice-versa, no menor dos fatos ordin�rios nada h� de menos do que no milagre"9. � � at� dif�cil de se admitir, se n�o conhec�ssemos a for�a do preconceito, que o pr�prio Loisy � e com simplismo seus seguidores modernistas � acreditasse em tamanha simplifica��o. "Maravilhoso", "admirar-se"� Do ponto de vista da parapsicologia haveria que repetir � e pelos mesmos motivos �, a respeito da generaliza��o dada � nota "maravilhoso", a mesma considera��o antes feita a respeito de "extraordin�rio". Nem tudo o que provoca admira��o � milagre. Mas todo milagre provoca admira��o. Guardemos, pois, tamb�m essa caracter�stica: O milagre tem de ser tamb�m um acontecimento maravilhoso. A VOZ DA PROFECIA � A B�blia destaca profeticamente que, como Iahweh, o Messias � e seus seguidores � realizar� maravilhas que nenhum outro pode realizar: os milagres S. exclusivos de Deus, Sua assinatura. No �xodo Deus promete: "Eis que fa�o uma alian�a. Farei diante de todo o teu povo maravilhas como n�o se fizeram em toda a Terra, nem em na��o alguma. Todo este povo, no meio do qual est�s, ver� a obra de Iahweh" (Ex 34,10). E reconhece o salmista: "Entre os deuses n�o h� outro como Tu, nada que se iguale a Tuas obras (�), pois Tu �s grande e fazes maravilhas, Tu �s Deus, Tu �s o �nico" (Sl 86, 8.10). "S� Ele fez maravilhas" ou, em conson�ncia com a verS. hebraica, cantai "ao �nico que opera grandes maravilhas" (Sl 136,4). Relembremos a profecia de Isa�as com respeito a Jesus Cristo: "Eis que Meu Servo h� de prosperar. Ele se elevar�, ser� exaltado, ser� posto nas alturas. Exatamente como multid�es ficaram pasmas � vista Dele (�) Assim agora na��es numerosas ficar�o estupefatas a seu respeito, reis permanecer�o silenciosos ao verem coisas que n�o lhes haviam sido contadas e tomarem consci�ncia de coisas que n�o tinham ouvido". Toda essa "eleva��o", apesar de ser elevado tamb�m na cruz. Esta dura realidade se superp�e, como � freq�ente na viS. prof�tica. Mas assim tamb�m se dirimem as d�vidas de a Quem se refere o profeta: "T�o desfigurado estava o seu aspecto e a sua forma n�o parecia a de um homem" (Is 52, 13-15). A PROFECIA CUMPRE-SE EM JESUS � S. muitos os textos que destacam a admira��o das testemunhas perante os milagres inauditos realizados por Jesus e, em Seu nome, pelos seus disc�pulos. Por exemplo: (Mas antes um par�ntese. V�rias vezes em aula, ao expor estes ou an�logos fatos, sempre a mesma aluna, com confian�a mas ao mesmo tempo com maior ou menor dose de protesto, reagia: "A� o padre est� entrando em religi�o!". Eu invari�vel e simplesmente perguntava: "N�o estou expondo fatos? Ou o preconceito pode realizar o �milagre� de que os fatos deixem de s�-lo, s� porque est�o essencialmente relacionados com religi�o? Minha querida, esp�rito aberto � realidade!" Creio que a anedota pode ser �til para a reflex�o de alguns leitores� Voltemos ao texto.) * "Certo dia, enquanto ensinava, achavam-se ali sentados fariseus e doutores da Lei, vindos de todas as aldeias da Galil�ia, da Jud�ia e de Jerusal�m (not�vel grupo de testemunhas): e Ele tinha um poder do Senhor para operar curas." "Vieram ent�o alguns homens carregando um paral�tico num catre; tentavam lev�-lo para dentro e coloc�-lo diante Dele. E como n�o encontravam um jeito de introduzi-lo, por causa da multid�o, subiram ao terra�o e, atrav�s das telhas, desceram-no com o catre no meio dos assistentes, diante de Jesus. Vendo-lhes a f�, Ele disse: �Homem, teus pecados est�o perdoados�." "Os escribas e os fariseus come�aram a raciocinar: �Quem � este que diz blasf�mias? N�o � s� Deus que pode perdoar pecados?� Jesus, por�m, percebeu seus racioc�nios e respondeu-lhes: �Por que raciocinais em vossos cora��es? Que � mais f�cil dizer: Teus pecados est�o perdoados, ou: Levanta-te e anda? Pois bem! Para que saibais que o Filho do Homem tem o poder de perdoar pecados na terra, eu te ordeno � disse ao paral�tico �, levanta-te, toma teu leito e vai para tua casa�. E no mesmo instante levantou-se diante deles, tomou o catre onde estivera deitado e foi para casa, glorificando a Deus." "O espanto apoderou-se de todos. Ficaram admirados e glorificavam a Deus dizendo: �Nunca vimos coisa igual�" (Lc 5,17-26; Mc 2,1-12). * "Pedro e Jo�o subiam ao Templo para a ora��o da nona hora. Vinha ent�o carregado um aleijado de nascen�a que todos os dias era colocado � porta do Templo chamada Formosa, para pedir esmola aos que entravam. Vendo Pedro e Jo�o entrar no Templo, pediu-lhes uma esmola. Pedro o encarou, como tamb�m Jo�o, e disse: �Olha para n�s�. Ele fitou-os, esperando receber deles alguma coisa. Pedro, por�m, disse: �N�o tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isto te dou: em nome de Jesus Cristo Nazareno, levanta-te e anda!� E tomando-o pela m�o direita, ergueu-o". "No mesmo instante, os p�s e os calcanhares se lhe consolidaram; de um salto ficou de p� e come�ou a andar. Entrou com eles no Templo, andando, saltando e louvando a Deus. Todo o povo viu-o caminhar e louvar a Deus; verificava que era aquele mesmo que mendigava sentado junto � Porta Formosa do Templo. E ficaram cheios de espanto e de admira��o a respeito do que lhe sucedera." "Como n�o largasse Pedro e Jo�o, todos, assombrados, acorreram para junto deles, no p�rtico chamado de Salom�o. � vista disto, Pedro dirigiu-se ao povo: �Homens de Israel, por que vos admirais disto? Ou por que n�o tirais os olhos de n�s, como se fosse por nosso pr�prio poder ou por nossa pr�pria piedade que fizemos este homem andar? O Deus de Abra�o, de Isaac, de Jac�, o Deus dos nossos pais glorificou o seu servo Jesus" (At 3,1-13). * Quando se preparava para convidar Seus primeiros disc�pulos a que, largando tudo, O seguissem, Jesus, para fundamentar-lhes a f�, realiza a primeira pesca milagrosa. "� vista disso, Sim�o Pedro atirou-se aos p�s de Jesus, dizendo: �Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um pecador�. O espanto, com efeito, se apoderara dele e de todos os que estavam em sua companhia, por causa da pesca que haviam acabado de fazer; e tamb�m de Tiago e Jo�o, filhos de Zebedeu, que eram s�cios de Sim�o" e que estavam em outra barca (Lc 5,8-10). * "Pelas m�os dos Ap�stolos faziam-se numerosos sinais e prod�gios (sinais prodigiosos) no meio do povo� o povo celebrava os seus louvores (lhes tributava grande admira��o) (At 5,13). * Quando Jesus revitalizou Tal�tha, filha de Jairo, chefe da Sinagoga, todos os presentes "ficaram extremamente espantados" (Mc 5,21-24.35-43). * E quando Jesus, na Sinagoga de Cafarnaum, curou instantaneamente um conhecido louco, "o espanto apossou-se de todos, e falavam entre si: �Que significa isso? Ele d� ordens com autoridade e poder aos esp�ritos imundos (ou dem�nios = doen�as internas, como a loucura), e eles saem!� E Sua fama se propagava por todo lugar da redondeza" (Lc 4,31-37). * No dia de Pentecostes, perante a xenoglossia supranormal de serem entendidos os ap�stolos em 18 l�nguas diferentes por umas 3.000 pessoas � sem contar os que n�o se batizaram �, a multid�o "estava confusa. Estupefatos e surpresos, diziam: �N�o S. todos galileus esses que falam? Como �, pois, que cada um de n�s os ouve em sua pr�pria l�ngua materna? (�) Estavam todos assombrados e perplexos, diziam entre si: �Que vem a ser isto?�" (At 2,1-41). � claro, a mesma admira��o nas pessoas sem preconceitos encontra-se ao longo de toda a hist�ria posterior perante os milagres realizados por intercesS. dos santos. O leitor atento o haver� notado nos milagres j� referidos nos cap�tulos anteriores, como o notar� nos que ainda referiremos em toda a cole��o. [continua] -
*******************************************************************
Fernando De Matos: ICQ#26750912 [EMAIL PROTECTED] [EMAIL PROTECTED] Centro Latino-Americano de Parapsicologia - Portugal� http://www.terravista.pt/Mussulo/1287/ [EMAIL PROTECTED] ******************************************************************* |
