PERCEPT�VEL � Vimos que os modernistas identificam milagre com sinal. E insistindo no sinal miniminizam o milagre. E assim tamb�m miniminizam o valor de sinal�

*** Muitos, modernistas ou n�o, na defini��o de milagre incluem, ou exigem para que um acontecimento possa ser chamado milagre, a fun��o ou finalidade de sinal.

� Aparentemente haveria nessa exig�ncia uma petitio principii, isto �, sup�e-se na pr�pria defini��o, antes da pesquisa, o que s� se poderia acrescentar depois da pesquisa. D�o por suposto o que deveriam demonstrar. Vimos que no fundo de todas as discuss�es est� impl�cito que se consideraria milagre, em ess�ncia, a interven��o de outra for�a no nosso mundo, uma for�a supranormal� Simplesmente. Depois de estudar essas manifesta��es, e s� depois, � que poderemos saber se os milagres S. ou n�o sinal de alguma coisa, sempre, alguma vez, ou nunca. Estudar a realidade; n�o teoricamente predetermin�-la. Observar a realidade � o caminho e pressuposto de toda ci�ncia; predeterminar teoricamente a realidade n�o passa de preconceito�

� Acontece, por�m, que precisamente porque corresponde � Ci�ncia estudar a realidade uma suposta interven��o sobrenatural que n�o fosse observ�vel n�o pertenceria � ci�ncia. N�o diretamente. �s ci�ncias de observa��o. � sobre a ci�ncia de observa��o que se podem elevar a filosofia e a teologia. Sem o fundamento das ci�ncias de observa��o, a filosofia n�o passaria de sofisma; e a teologia, de teologumena (na expresS. do grande te�logo Karl Rahner).

Por esses dois motivos (o t�o ponderado sinal e o objeto da ci�ncia de observa��o e fundamento da filosofia e da teologia), o suposto milagre tem de ser um fen�meno observ�vel. Se n�o � observ�vel, nem pertence � ci�ncia nem � sinal de coisa alguma.

Ap�s o Conc�lio Vaticano I, Constitui��o Dogm�tica "Dei Filius", s� se considera milagre o milagre apolog�tico. Isto �, observ�vel e com sinal. E grande sinal. O Conc�lio decreta que os milagres S. "sinais cert�ssimos e apropriados a todas as intelig�ncias"10.

Ao longo dos s�culos, antes do Conc�lio Vaticano I (8 de dezembro de 1869 a 18 de julho de 1870), muitos cientistas (de observa��o, fil�sofos e te�logos), com S. Tom�s de Aquino (s. XIII), distinguiam dois tipos de milagres, o oculto e o apolog�tico:

1) Entre os milagres ocultos, S. Tom�s citava "o milagre de (Deus) fazer-se Menino numa Virgem (�) e o da presen�a sacramental no altar". Estes milagres S. objetos da f� (Menos a pr�pria Concep��o Virginal, exclusivamente para a Sma. Virgem, s� para Ela percept�vel. A Concep��o Virginal, para a Sant�ssima Virgem, pertence � segunda categoria.)

2) Os outros milagres destinam-se "� prova da f� (sinal, apolog�ticos) e devem ser manifestos" (percept�veis)11.

� Para o crente, a presen�a de Cristo na Eucaristia, por exemplo, � uma maravilhosa interven��o do poder de Deus. Grand�ssimo sinal do Seu amor. Mas n�o � percept�vel. Portanto n�o � o que hoje se entende por milagre. N�o � um fen�meno supranormal, precisamente porque n�o � fen�meno observ�vel.

*** Pelo outro extremo, alguns autores h�o ca�do em um erro crasso. "O milagre acontece (�) no mundo da realidade sens�vel e espa�o temporal que nossos sentidos atingem. Desse modo, se distingue da profecia (�e) da santidade."12

� Crasso erro. Percept�vel, observ�vel, sens�vel e sin�nimos n�o S. o mesmo que tang�vel, f�sico�

� Podem existir determinadas profecias em que se cumprem todas as caracter�sticas do fen�meno supranormal ou milagre. Um milagre de conhecimento. Perfeitamente observ�vel. Perfeitamente ouvido pelas testemunhas. Perfeitamente leg�vel nos escritos. Com a anteced�ncia requerida. Perfeitamente comprov�vel a realiza��o. E assim todas as outras condi��es necess�rias.

� Igualmente podem cumprir-se todas as caracter�sticas num milagre moral. Pode, por exemplo, existir uma converS. e santidade que seja completamente inexplic�vel pelas leis da psicologia humana. E ser perfeitamente observ�vel� ao menos pelos seus efeitos externos. Mais uma vez est�o completamente errados os modernistas.

*** E a cria��o, ou o conceito de cria��o do universo, corresponderia � defini��o de milagre?

� Algu�m poderia insistir em que estaria de acordo com as leis da natureza, leis que, ao menos logicamente, precederiam � cria��o.

� Mas n�o � por esse caminho de uma defini��o secular mas incorreta e esp�ria que hemos de dar resposta � pergunta. S. duas as respostas � disquisi��o, respostas que ajudam na compreenS. da defini��o de milagre:

1) A cria��o n�o seria milagre ent�o, quando o universo ou suas "ra�zes" surgiram do nada por um ato de vontade do Criador. N�o seria milagre porque n�o seria ent�o observ�vel (nem serviria como sinal para ningu�m). Ent�o.

2) Mas se algum dia a ci�ncia mostrasse e demonstrasse inapelavelmente que houve cria��o, do nada, pelo poder do Criador�, a�, nesse "algum dia", ter�amos a comprova��o de um milagre: Outra for�a, de fora da natureza, agindo no nosso mundo, fen�meno maravilhoso, extraordin�rio, sinal (ao menos da exist�ncia do Criador)� E efeito percept�vel.

Guardemos, portanto, esta outra caracter�stica: da defini��o consta que o milagre tem de ser percept�vel.

DEFINI��O METODOL�GICA � Para a reta compreenS. do que � milagre, devemos consider�-lo de todos os �ngulos da ci�ncia: teol�gico, filos�fico e das diversas ci�ncias de observa��o implicadas. Definir a realidade ou poss�vel realidade s� do �ngulo da teologia, ou da filosofia, ou da medicina, ou� � miopia. A parapsicologia � repetimos esta descri��o informal � "� o conjunto dos ramos da ci�ncia implicados no estudo dos fen�menos misteriosos de alguma maneira relacionados com o homem".

"Supranormal � um fen�meno em nosso mundo por for�a sobrenatural." A�, a ess�ncia da defini��o de milagre: "Fen�meno" em nosso mundo, portanto observ�vel ou percept�vel. "Sobrenatural", portanto por "outra for�a", extraordin�rio e maravilhoso.

O conceito de fen�meno supranormal que at� agora hemos apresentado � operacional. Isto �, ao longo e depois da exposi��o que faremos nesta Cole��o, � claro que a realidade poder� permitir que se acrescentem outras caracter�sticas ou que se precise mais o conceito.

Essa for�a sobrenatural que perceptivelmente age no nosso mundo concebe-se geralmente como invis�vel. Ao menos pode ser invis�vel� Se o fato for realmente supranormal, qual seja a for�a que o realizou se deduzir� do ambiente: demon�aco? esp�rita? divino?� Como a maior parte do pr�prio fen�meno supranormal, tamb�m analisar o ambiente em que se realiza pertence primordialmente �s ci�ncias de observa��o� Assim, ap�s as pesquisas, poder� concretizar-se na defini��o qual � especificamente a Outra For�a que age no milagre, da Qual � assinatura, e de qual � sinal entre tant�ssimas religi�es ou seitas ou�

Apesar de tantos disparates que os te�logos modernistas infiltraram naquele seu pretensioso inqu�rito "magistral", um antrop�logo, soci�logo e historiador, Augustin George, apresenta uma defini��o de milagre que, com m�nimas corre��es, coincide com a da parapsicologia. A ideal. � o conceito que deve flutuar ap�s a secular pol�mica, � a defini��o operacional que cabe. E possibilita o estudo dos fatos: "Neste estudo o milagre � entendido no sentido de um fen�meno observ�vel (ele diz "f�sico"!?), maravilhoso, atribu�vel (antes do estudo� ele diz "atribu�do") a uma for�a sobrenatural"13.

Com este conceito "operacional" de milagre, crentes e ateus podemos nos entender. Os seguidores de uma religi�o podemos pesquisar junto �queles fil�sofos e cientistas� que poder�amos chamar independentes de toda religi�o. De todos os s�culos.

Assim, nesta posi��o metodol�gica, concordamos com Wallace, grande naturalista e ao menos simpatizante com o espiritismo. (Embora o espiritismo de maneira nenhuma possa considerar-se religi�o, porque nem � culto, nem doutrina, nem provid�ncia, nem� "relacionar" � e demais aspectos do termo religare, donde procede "religi�o" � a criatura com o Criador, sen�o que tudo rodopia ao redor dos inexistentes esp�ritos desencarnados). Segundo Wallace milagre ou fen�meno supranormal � "um fato (percept�vel) que infere necessariamente (sinal, apolog�tico) a exist�ncia e a��o de uma intelig�ncia sobre-humana" (transcend�ncia)14.

Nesta posi��o metodol�gica, tamb�m concordamos, quase ponto por ponto, com o fil�sofo sem religi�o Durand de Gros: "Se definimos o milagre (ou fen�meno supranormal) como uma modifica��o (ele mesmo precisa logo mais: n�o � propriamente modifica��o, sen�o interven��o de outra for�a, outro fen�meno) dos fen�menos terrestres operada por interven��o de uma vontade estranha � Terra, o milagre pode ser um fato extrordin�rio, mais ou menos raro, mais ou menos excepcional, e por conseguinte mais ou menos maravilhoso. Pode acontecer que ele n�o exista de maneira nenhuma, mas resta, at� a demonstra��o de sua n�o-exist�ncia, um fato racionalmente admiss�vel e inclusive prov�vel"15.

Entre os pioneiros dos fil�sofos e te�logos modernistas, Saintyves d� uma �tima li��o aos "mestres" modernistas de hoje, que, sem estudar os fatos, j� na pr�pria defini��o come�am por neg�-los!!! Escreve, nisto com toda raz�o, Saintyves: "Eu chamarei fato milagroso a um fato incomum ou inclusive �nico, considerado por aquele que o conta (a� � que a ci�ncia ter� de verificar se acertada ou erradamente!) como sobrepassando as for�as da natureza sens�vel, animada ou inanimada, implicando por conseguinte a interven��o de um ser sobrenatural, diab�lico, ang�lico, ou divino"16.

[continua]
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   Fernando De Matos:
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 Centro Latino-Americano de Parapsicologia - Portugal�
            
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