E PIOR AINDA OS MODERNISTAS — Os racionalistas foram arrastados pelo seu doentio e anticientífico ódio a todo o sobrenatural e mesmo espiritual. Os modernistas protestantes antigos facilmente caíram no racionalismo como defesa contra os milagres de que os católicos faziam alarde. Mas ao menos uns e outros tiveram o “mérito” de inventar e apresentar “adornos” e disfarces de ciência para seus apriorismos, deturpações e sofismas.

Os modernistas católicos de hoje geralmente nada apresentam de original. Simplesmente repetem simploriamente aqueles falsos “argumentos”, sem nada analisar nem modificar nem aprofundar, numa incrível mas que se constituiu em característica “irreflexão teológica”.

E os cientistas de outras áreas foram na onda. O ambiente geral virou racionalista, sem provas, sem nenhum prévio estudo…

Que nada valem os “argumentos” contra os milagres alguma rara vez acrescentados pela teologia modernista de hoje, percebê-lo-á o leitor isento analisando o que seria a mais profunda (?) “prova” (?) apresentada pateticamente por um dos seus mais prestigiados líderes. Trata-se de um “argumento” (?) manifestamente exagerado e extrapolado. Além de que em teologia não é lícito argumentar se não é com base na Revelação. Tal “argumento” pertenceria à filosofia, mas como essa “irreflexão” pseudoteológica (ou pseudofilosófica) também não se fundamenta nos fatos, vira puro sofisma. Falta de inteligência se não fosse excesso de preconceito.

Não é fácil dialogar sobre fenômenos supranormais com os teólogos modernistas. Nada sabem de pesquisa científica de fatos. E nas suas teorias aéreas o preconceito leva-os a dizer um disparate quase em cada palavra. Mas tentemos o diálogo. Os parênteses, como sempre, S. comentários meus, além dos comentários em outro parágrafo:

*** “Os que exigem (oração não é exigir, é pedir humildemente, como Cristo ensinou) prodígios reclamam que se lhes mostre o Deus que eles já conhecem, o Deus de poder e de prestígio”.

— Acaso este aspecto “de poder e de prestígio” entre muitos outros aspectos do “Deus que eles já conhecem”, o Deus transmitido no judaísmo, o Deus do Antigo Testamento, é um deus falso?

*** (Reclamam que se lhes mostre) “o policial intimidante e protetor”.

— É fácil ridicularizar quando se extremam e exclusivizam os conceitos.

*** “Mas o Cristo nos revela o Deus que nós não conhecemos: o coração de Deus, a pobreza de Deus, a humildade de Deus, isto é, o amor de Deus”.

— Curioso, agora “argumentam” justamente pelo pólo oposto do deísmo que esgrimiam antes! Não o aspecto de Deus majestade, senão o aspecto de Deus feito homem.

— Acaso os milagres não falam bem alto do amor de Deus? Acaso neste outro aspecto de Deus Cristo não fez milagres? Isso é que há que estudar, os fatos, para daí deduzir as teorias. Os modernistas, em conseqüência de sua premissa unilateral e apriorística, negam-se a estudar os fatos, negam que Cristo possa haver feito milagres. E mais, têm de fazer disquisições malabarísticas para explicar, melhor, para negar a Ressurreição gloriosa do “Deus humilde”, as aparições triunfantes, a AscenS.…

*** “Não é descendo da Cruz” (que Cristo atrairia tudo a Si).

— Pelo estudo do milagre é que saberemos quais S. as suas condições e finalidade, que não se cumpriam ao pé da Cruz. Descer da Cruz teria sido inútil naquele ambiente. Não se pode negar o milagre exigindo-lhe condições apriorísticas.

*** “Mas ‘quando Eu for elevado da terra (na Cruz) atrairei tudo a Mim’”.

— É muita “irreflexão teológica”. É muita confuS.. A Redenção, no plano sobrenatural inobservável, o que tem a ver, a favor ou contra, com os milagres, sinais perceptíveis no nosso mundo?

*** “Que necessidade teremos de outro milagre que o de havermos sido amados assim?”

— E que não possa haver maior maravilha — não é milagre — que sermos amados por Deus significa que não necessitamos de milagres, digamos de maravilhas “menores”, entre outras finalidades para sabermos que realmente era Deus que morria na Cruz e não um simples ser humano?

*** “O Cristo censurava os que lhe pediam milagres: ‘Esta geração malvada e adúltera reclama milagres’ — Mt 12, 39. Mas os cristãos os procuram e neles se deleitam”.

— Estamos acostumados às tergiversações sem base nos fatos, apriorísticas, dos teólogos modernistas quando entram na análise de fatos! Mas esta exegese, não fosse a típica “irreflexão teológica”, seria até irritante ignorância de mestre tão prestigiado pelos modernistas. É que desconhece tantos outros textos que provam que Cristo não lhes repreendeu que pedissem milagres, senão que pedissem mais quando já se lhes haviam concedido muitos e não acreditaram pela sua má vontade? Como em Corazim e Betsaida?: “Então começou a verberar as cidades onde havia feito a maior parte dos seus milagres, por não se terem arrependido: ‘Ai de ti, Corazim! Ai de ti, Betsaida! Porque se em Tiro e em Sidônia tivessem sido realizados os milagres que em vós se realizaram, há muito se teriam convertido (…) Mas eu vos digo: O Dia do Juízo será mais tolerável para Tiro e Sidônia do que para vós. E tu, Cafarnaum, por acaso te elevarás até o céu? Antes, até o inferno descerás. Porque se em Sodoma tivessem sido realizados os milagres que em ti se realizaram ela teria permanecido até hoje. Mas eu vos digo que o Dia do Juízo será mais suportável para a terra de Sodoma do que para vós’” (Mt 13,21; Lc 10,13).

— Não sabe o mestre modernista que, mesmo assim, à continuação Cristo lhes prometeu o milagre da Ressurreição? (Mt 12,39s). A Ressurreição também esbarraria com a má vontade deles, e seria para eles até prejudicial porque teriam mais culpa. Esta má vontade é que Cristo repreende. Em exegese não ignorante…, ou sem tergiversações.

*** “S. Paulo dizia: ‘Os judeus demandam milagres e os gregos vão em procura de sabedoria, mas nós pregamos um Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os pagãos’ — 1Cor 1,22. Por que os cristãos hão tomado a sucesS. dos judeus?”2.

— É que S. Paulo não fazia milagres? Nos Atos dos Apóstolos se afirma: “Todos os habitantes da Ásia, judeus e gregos, puderam ouvir a palavra do Senhor. Deus operava pelas mãos de Paulo milagres extraordinários (…) Alguns exorcistas judeus ambulantes tentaram invocar, eles também, o nome do Senhor Jesus (…), nus e cobertos de feridas escaparam daquela casa. Todos os habitantes de Éfeso, judeus e gregos, souberam do fato (…) Assim a palavra do Senhor crescia e ia-se confirmando poderosamente” (At 19,11-20). Não foi precisamente pelos milagres que S. Paulo provou a todos os homens de boa vontade que a verdade está junto ao Crucificado? Milagres apologéticos, para provar a verdade, “confirmando poderosamente” a doutrina cristã. Não esses milagres utilitaristas e políticos, de um falso messias vencedor milagrosamente em todas as batalhas contra todos os reis da terra, como queriam os judeus. Milagres em defesa da loucura da Cruz, contra a sabedoria exigida pelos gregos, e assim muitos se converteram. Milagres que provam que o Crucificado é Deus, e assim S. Paulo pôde pregar o Evangelho entre os pagãos de maneira que muitos superassem o escândalo da Cruz. Esta é a exegese que se apóia nos fatos.

Sentir-me-ia obrigado a pedir desculpas ao leitor por haver apresentado tão vergonhosa “exegese” do mestre modernista, não fosse que todos os modernistas apresentam tergiversações muito parecidas quando, saindo da teologia, se assomam aos fatos. E não fosse porque é necessário, dada a grande difuS., colocar os modernistas, como os racionalistas, no seu devido lugar. E os modernistas “ensinam” nos teologados católicos! 

[continua] 
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    Fernando De Matos:
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