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SARTA
DE DISPARATES — Peço ao leitor
que não se deixe impressionar pelo renome das personagens autores da quantidade
de disparates que à continuação e em várias etapas vou reproduzir para expor o
indeterminismo físico. Para julgar, espere, por favor, as diversas análises que
irei acrescentando. Com os racionalistas e suas deturpações, assim fizemos até
agora — não é, leitor? — e assim faremos em toda esta
coleção. A descoberta da física quântica ocasionou uma
revolução que Planck chamou trágica. Muitos pensaram que vinha abaixo (?) toda uma
maneira de pensar, fundamentada no princípio filosófico de
causalidade. Caía o conceito de continuidade na física, as
coisas parecem contínuas mas na realidade estão compostas de minúsculos
agrupamentos descontínuos. Uma nova geração de físicos como Heisemberg,
Dirac, Fermi etc., bem jovens na década de 1920, lançaram-se a elaborar a “nova
física”, chamada justamente física ou mecânica quântica1. Mais um passo: a “nova física” chegou à
concluS. de que todos e quaisquer métodos de observação envolvem interferências
evidentes no estado físico real do objeto observado. E, reciprocamente, o objeto
observado afeta necessariamente o estado físico dos instrumentos de observação,
medição, etc., e inclusive os órgãos sensoriais dos
observadores. Trágico! Somando-se aos anteriores, uma nova leva
de grandes físicos (e pelo visto alguns deles péssimos filósofos), como sir A.
Eddington, E. Schroedinger, P. Jordan, W. Pauli etc., lançaram conclusões
justamente revolucionárias na física, mas às vezes erradamente formuladas na
ordem filosófica: “Nada é completamente previsível”(?), “os efeitos podem
predizer-se só (?) em termos estatísticos”, “não existe comportamento causal
estrito em lugar nenhum”(?), “a física quântica levou ao colapso completo o
conceito filosófico de causalidade”(?), “o velho princípio de causalidade foi
substituído (?) pelo princípio de indeterminação” (pelo qual Werner Heisenberg
ganhou o prêmio Nobel de física em 1932), etc.2. Parecia que também Albert Einstein (1879-1955),
prêmio Nobel de física em 1912, apoiava as conclusões indeterministas, pareciam
inseparáveis da nova física. Segundo a teoria da relatividade restrita nada há
estabelecido e fixo nas leis do movimento retilíneo e uniforme; o espaço, o
tempo, a simultaneidade, a sucesS., as dimensões S. relativos e variáveis, tudo
neles depende do ponto de vista do observador. Parecia que o princípio
filosófico da causalidade ruía: a um físico tal efeito parece que procede de tal
causa; outro físico, porém, observando de outro ponto de vista, poderia afirmar
paradoxalmente que a “causa” é que procede do “efeito”3. OUTRO
PONTO DE PARTIDA: MOVIMENTO BROWNIANO — Examinando com um adequado microscópio pequenas
partículas suspensas num líquido, comprova-se que em vez de caírem normalmente
ao fundo pela lei da gravidade, parecem animadas de movimento próprio. Cada
partícula vai e vem, gira, desce, sobe de novo, num movimento “vivo”,
incessante, desordenado. Os físicos chamaram-no “movimento browniano” por
acreditar erradamente que fora assinalado pela primeira vez pelo botânico inglês
R. Brown (1773-1858). Na realidade já fora descrito anteriormente pelo jesuíta
italiano Lázaro Spallanzani (1729-1799), grande biólogo. Depois Bodaszewski, Lehmann, Erenhalt etc.
demonstraram o mesmo movimento também nos gases. E daí, embora com muito menor
intensidade, passaram às partículas de outros corpos. Começo
da análise ou refutação NO
MOVIMENTO BROWNIANO
— Os racionalistas no seu
preconceito contra os milagres aproveitaram que o movimento browniano parecia um
enigma. Mas o fenômeno nada tem a ver com indeterminismo ou contingentismo. Não
se trata da aposentadoria do princípio de causalidade. Assim como na realidade não fora descoberto por
Brown, senão pelo jesuíta Spalanzani; também, e precisamente na época do mais
cru racionalismo, outros dois jesuítas, grandes cientistas, resolveram o enigma.
Claro, os racionalistas pretenderam ignorá-los. Em 1874 os belgas pe. I. Carbonelle, S.J., e pe.
J. Delsaulx, S.J., deram a explicação hoje profusamente comprovada e
universalmente aceita. O movimento não se origina na própria partícula (“viva”,
como diziam absurdamente os racionalistas e pseudofilósofos idealistas ou
empiristas restritos), senão que é provocado pelos choques que ela recebe
das moléculas do meio circundante, em contínua agitação térmica4. Por outra parte, do movimento browniano aos
milagres há séculos de anos-luz, a distância é completamente intransponível,
contra a pretenS. preconceituosa dos racionalistas. Quanto maior é a partícula a ser movimentada e
elevada, mais difícil é o fenômeno browniano. Imaginemos um tijolo de um quilo
mantido no ar por um barbante. O tijolo deve ter um movimento browniano, embora
com certeza sumamente leve.
Certamente pelo movimento browniano nunca se elevará à altura de um segundo
andar. Os anos que teríamos de esperar, segundo as
possibilidades estatísticas, para que o tijolo se levante por movimento
browniano ao segundo andar está designado pela expresS. 10 elevado a 10 e ainda
elevado de novo a 10. A unidade seguida de dez bilhões de zeros. Esse número é
simplesmente inimaginável. Os zeros encheriam muitos volumes. Em fila iriam do
pólo Norte até o Equador. O tempo que haveria que esperar para que acontecesse
essa possibilidade (?) estatística seria tanto, que em comparação dele a duração
dos períodos geológicos e até de nosso universo estelar é totalmente
desprezível. Mesmo que formulado
estatisticamente, o fenômeno é com
toda certeza impossível5. Se um tijolo se elevar “sozinho”, o que tem
acontecido algumas vezes, com total certeza podemos garantir que não se deveu ao
movimento browniano: é o fenômeno chamado telecinesia, em parapsicologia.
Deve-se à telergia, a energia corporal que o homem, em um determinado momento de
desequilíbrio, pode exteriorizar para realizar diversos fenômenos parafísicos,
como já expliquei em livros anteriores, principalmente em “As Forças Físicas da
Mente”. Mas se alguém esperasse, não digo o movimento
browniano, mas inclusive a sucesS. de telecinesias necessárias para construir um
muro, ou simplesmente um assento de tijolos, seria um louco. E o racionalista
que pretendesse explicar pelo movimento browniano, ou pela telecinesia
parapsicológica, casos como o das muralhas de Jericó, ou casos com análoga
classificação, mesmo que em menor escala, ao longo da história, se falasse
convictamente e não só com intenção de confundir, seria ainda muito mais
louco. [Continua] * Centro Latino-Americano de Parapsicologia - Portugal®: http://www.terravista.pt/Mussulo/1287/ ******************************************************************* |
